Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA72 - Eixo 8 - DIREITOS HUMANOS E CUIDADO A GRUPOS EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE/DISCRIMINAÇÃO (TODOS OS DIAS)

35399 - PROMOÇÃO DA SAÚDE PARA DETENTAS DA PENITENCIÁRIA MISTA DE PARNAÍBA, PIAUÍ, BRASIL
ANTÔNIO TIAGO DA SILVA SOUZA - UNIVERSIDADE FEDERAL DO DELTA DO PARNAÍBA (UFDPAR), DANIELA FRANÇA DE BARROS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO DELTA DO PARNAÍBA (UFDPAR), EDMAR JOSÉ FORTES JÚNIOR - INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO VALE DO PARNAÍBA (IESVAP), FRANCISCO RICARDO NASCIMENTO FREITAS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO DELTA DO PARNAÍBA (UFDPAR), NATAN ARAÚJO DE CARVALHO - UNIVERSIDADE FEDERAL DO DELTA DO PARNAÍBA (UFDPAR), MARISA CARLA SILVEIRA ALVES - CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINASSAU, MARIANNE DOS SANTOS PEREIRA - CRISTO FACULDADE DO PIAUÍ (CHRISFAPI), JOSÉ IVO DOS SANTOS PEDROSA - UNIVERSIDADE FEDERAL DO DELTA DO PARNAÍBA (UFDPAR)


Resumo
A restrição do espaço e da mobilidade são atenuantes para o sedentarismo configurando-se em fator de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Esta ação sensibilizou detentas no engajamento da busca proativa pelo hábito de atividades físicas no espaço prisional. A atividade foi realizada no dia 08/07/19 no auditório da Penitenciária Mista de Parnaíba-PI e teve duração de 5 horas. Foram montados 3 grupos de detentas, com 15 em cada um. Para cada grupo destinou-se 1 hora e 15 minutos de atividades físicas seguidos de meia hora de roda de conversa. As principais demandas levantadas pelas detentas foram oferta de exames laboratoriais, oferta de atendimento psicológico, oferta de medicamentos diversos, terapias integrativas orientadas e orientações de prevenção de IST’s. Todos esses dados levantados foram importantes para nortear a elaboração de um Projeto de Extensão a ser ofertado pela Universidade Federal do Delta do Parnaíba. É necessário que, como futuros médicos, o grupo reconheça a realidade dessas mulheres, suas dificuldades, anseios e demandas, para quem sabe, no futuro, contribuir de forma positiva para um atendimento mais humanizado.

Introdução
Ao longo da sua trajetória, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem apresentado grandes avanços, dentre eles destacam-se a implantação da Política Nacional de Atenção Básica - PNAB e da nova Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade - PNAISP. Embora tenham sido elaboradas as políticas, muitas são as dificuldades e os desafios que impedem a efetivação do direito à saúde, assegurados na legislação à população carcerária. A privação de liberdade induz condições de limitação de espaço, de organização social e mental, que favorecem comportamentos de risco para múltiplas doenças. As linhas de ação de saúde propostas pelo PNAISP são: o controle e tratamento da tuberculose e a proteção dos sadios; o controle da hipertensão arterial e da diabetes mellitus; o tratamento de dermatoses, especialmente a hanseníase; e a atenção à saúde bucal e à saúde da mulher.

Objetivos
Diante o exposto, este trabalho objetiva relatar a experiência de uma atividade em saúde onde promoveu-se orientações de atividades físicas para as mulheres em situação de cárcere no Sistema Prisional de Parnaíba, Piauí.

Metodologia
Trata-se do relato de experiência de uma atividade em saúde realizada por estudantes de saúde da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), Cristo Faculdade do Piauí (CHRISFAPI) e Centro Universitário UNINASSAU, onde promoveu-se orientações de atividades físicas para as mulheres em situação de cárcere. A atividade teve duração de cinco horas e foi realizada no dia 08 de julho de 2019 nas dependências da Penitenciária Mista Juiz Nonon de Moura Fontes Ibiapina, situada na cidade de Parnaíba, Piauí.

Resultados e Discussão
Houve orientações de atividades físicas seguido de uma roda de conversa que permitiu os membros descobrirem as demandas de saúde apontadas pelas mulheres encarceradas para elaboração de futuras atividades. Foram montados 3 grupos de detentas. Para cada grupo destinou-se 1 hora e 15 minutos de atividades físicas seguidos de meia hora de roda de conversa. Ao final de cada roda de conversa com cada grupo foi solicitado feedback verbal do que elas acharam da atividade proposta. Na atividade proposta os idealizadores foram direcionados por uma agente carcerária para um auditório, onde o grupo esperou a chegada das detentas. Em cada grupo, houve boa adesão no momento de orientação das atividades físicas. Porém no momento seguinte (roda de conversa), algumas não pareciam estar muito dispostas a conversar inicialmente, mas logo se mostraram à vontade e solícitas. Embora a acústica do ambiente não favorecesse a roda de conversa, as cadeiras foram organizadas em forma de “U” de maneira a estabelecer, não só uma proximidade física entre as detentas e os alunos, mas também para que todos conseguissem escutar de forma clara os seus relatos e opiniões acerca das demandas de saúde.

Conclusões / Considerações finais
Todos esses dados levantados foram importantes para nortear a elaboração de um Projeto de Extensão a ser ofertado pela Universidade Federal do Delta do Parnaíba. A visita foi uma experiência única e muito marcante para todo o grupo. Um dos pedidos feitos por uma das detentas foi: “quando forem médicos, sejam mais humanos, cuidem bem das pessoas”. Isso só demonstra como momentos como esse são de extrema relevância para a formação profissional e, acima de tudo, pessoal. É necessário que, como futuros médicos, o grupo reconheça a realidade dessas mulheres, suas dificuldades, anseios e demandas, para quem sabe, no futuro, contribuir de forma positiva para um atendimento mais humanizado. As mulheres privadas de liberdade possuem o direito à saúde e, assim como qualquer outro cidadão, merecem e devem ser cuidadas da melhor maneira possível, tendo todos os seus direitos assegurados. A prisão prevê a ausência de liberdade, porém jamais deve significar a ausência de direitos humanos.

Referências
MOURÃO, L. F. et al. Promoção da saúde de mulheres encarceradas: um relato de experiência. Sanare, Sobral, v. 14, n.1, 2015. Disponível em: . Acesso em 05 Jul 2020.
OLIVEIRA, C. L.; MOREIRA, T. M. M. Humanização no Sistema Prisional Cearense: o direito à saúde no âmbito da diversidade humana. In: Anais do I Seminário Internacional de Redes de Atenção à Saúde: Compartilhando Saberes e Práticas com interlocução na APS, Fortaleza: UECE, 2016. Disponível em: . Acesso em 05 Jul 2020.
ONOFRE, E. M. C. Educação escolar para jovens e adultos em situação de privação de liberdade. Cad. Cedes, Campinas, v. 35, n. 96, p. 239-55, 2015. Disponível em: . Acesso em 05 Jul 2020.

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