Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA60 - Eixo 7 - INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO (TODOS OS DIAS)

35369 - INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO-COMUNIDADE: A FORMAÇÃO MÉDICA EM PARCERIA COM A REDE SUS ESCOLA DE UM MUNICÍPIO DO AGRESTE PERNAMBUCANO
PAULA FRANCINEIDE PINTO DA SILVA - UFPE, KATIA REJANE DE MEDEIROS - IAM/FIOCRUZ-PE


Resumo
O propósito deste estudo é analisar a formação médica a partir das Práticas Interdisciplinares de Ensino, Serviço e Comunidade (PIESC) desenvolvidas na Rede SUS Escola do município de Caruaru-PE. Nesse cenário, o curso de Medicina do Campus Agreste da UFPE se estabelece com uma organização curricular integrada e interdisciplinar, como forma de colocar em prática os ideais de ensino-aprendizagem. Trata-se de uma pesquisa do tipo estudo de caso, de natureza qualitativa, cujo percurso metodológico utilizado foi a entrevista individual semiestruturada aos atores-chave (docentes, discentes, preceptores, gestores e usuários dos serviços de saúde). As entrevistas foram submetidas à análise de conteúdo da qual surgiram duas categorias essenciais: relação entre a academia e a Rede Sus Escola; e expectativas da integração ensino-serviço-comunidade. Foram identificados alguns enfrentamentos, tais como a falta de um planejamento pedagógico integrado e de uma relação mais dialógica e fortalecida. Por fim, constatou-se que a parceria com a Rede SUS Escola, apesar de seus desafios, tem contribuído para a formação médica integrada ao território, para a qualificação da atenção à saúde e para a construção de agendas promissoras e partilhadas entre a universidade e a gestão com vistas à Integração Ensino-Serviço-Comunidade.

Introdução
A formação médica e as práticas em saúde passaram por transformações induzidas por políticas e programas de reformulação curricular destinados a qualificar a formação para o Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer a articulação ensino-serviço (BRASIL, 2005).
Ao seguir essas orientações, o curso de Medicina do campus agreste da UFPE introduz novos métodos de ensino-aprendizagem com práticas interdisciplinares mais próximas da comunidade.
Com efeito, a inserção dos alunos nas unidades de saúde do SUS deve acontecer desde o início do curso e ao longo da graduação. Esse formato permite aos alunos vivenciar situações-problema de vida reais e interagir proativamente com os usuários e profissionais de saúde, nos três níveis de atenção (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2014).
Nessa dinâmica, a rede de serviços que compõe o SUS constitui-se numa verdadeira escola de formação de profissionais de saúde (gestores, trabalhadores, estudantes) e do controle social, a Rede SUS Escola. Torná-la permeável ao ensino e aprendizagem demanda horizontalidade, cooperação entre os atores envolvidos e o entendimento de que o trabalho cotidiano nos serviços de saúde é formador de sujeitos (PERNAMBUCO, 2018).


Objetivos
Analisar a formação médica a partir das Práticas Interdisciplinares de Ensino, Serviço e Comunidade (PIESC) desenvolvidas na Rede SUS Escola do município de Caruaru-PE. De modo mais específico, o estudo se propôs a caracterizar a parceria entre a academia e a Rede Sus Escola; e conhecer, a partir da percepção dos entrevistados, as expectativas da integração ensino-serviço-comunidade (IESC).

Metodologia
Trata-se de um relato de pesquisa do tipo estudo de caso, de natureza qualitativa, cujo método utilizado compreendeu a análise de conteúdo de Bardin, na modalidade temática (BARDIN, 2010). Os dados foram obtidos a partir de entrevista individual semiestruturada, da qual participaram: dois professores e quatro estudantes de Medicina, dois gestores, um preceptor e um usuário dos serviços de saúde. Os depoimentos foram gravados em meio eletrônico e posteriormente transcritos.
Tomaram-se como unidades de registro, os parágrafos transcritos agrupados em categorias iniciais, intermediárias e finais, as quais possibilitaram as inferências.
Dessa aglutinação emergiram duas categorias temáticas principais: relação entre a academia e a Rede Sus Escola; e expectativas da integração ensino-serviço-comunidade. Consideraram-se como critérios de elegibilidade, a frequência com que apareceram, a semelhança e a relevância para as práticas desenvolvidas na Rede SUS Escola.


Resultados e Discussão
A relação da universidade com a Rede Sus Escola tem proporcionado a IESC tanto pela matriz curricular adotada pelo curso de Medicina do campus Agreste da UFPE como pela elaboração de protocolos clínicos e atividades de educação permanente para os profissionais da rede de saúde.
No entanto essa relação com a academia precisa ser fortalecida. De fato, para institucionalizar as relações importa criar canais dialógicos, nos quais profissionais do serviço e docentes, usuários e o estudante vão estabelecendo seus papéis sociais na confluência de seus saberes, modos de ser e de ver o mundo (ALBUQUERQUE et al., 2008).
Em relação às expectativas da IESC, deseja-se a fixação dos estudantes no município como futuros médicos comprometidos com a saúde da população e com a formação de novos profissionais.
Há necessidade de maior participação dos preceptores da rede no planejamento das atividades pedagógicas desenvolvidas no campo de práticas. Além disso, o que se espera é que as instituições de ensino e a gestão fortaleçam ações de valorização da preceptoria; motivem e reconheçam o bom trabalho quando é realizado, mediante política salarial e progressão funcional satisfatórias.


Conclusões / Considerações finais
A Rede Sus Escola demanda abertura dos níveis gerenciais, assistenciais e educativos enquanto espaço pedagógico privilegiado para a formação das novas gerações profissionais, em destaque, a formação médica. A lógica é superar o modelo de formação hospitalocêntrico e desenvolver competências e habilidades para prestar cuidado integral ao ser humano.
Nessa tessitura, cumpre salientar o verdadeiro papel da universidade pública, integrante da Rede Sus Escola municipal, em potencializar o SUS como principal espaço formativo dessa rede. É factível que essa sinergia fortaleça os processos de IESC para uma formação cidadã interligada ao processo de aprendizagem e transformação de práticas.
A despeito de alguns desafios, a parceria com a Rede SUS Escola tem contribuído para a formação médica integrada ao território, para a qualificação da atenção à saúde e para a construção de agendas promissoras e partilhadas entre a universidade e a gestão com vistas à Integração Ensino-Serviço-Comunidade.


Referências
ALBUQUERQUE, V. S. et al. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de mudança na formação superior dos profissionais da saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, [s. l.], v. 32, n. 3, p.356-362, set. 2008. DOI: 10.1590/s0100-55022008000300010.
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Portugal: Edições 70, 2010. 229 p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Educação. Portaria Interministerial nº 2.101, de 3 de novembro de 2005. Institui o Pró-Saúde: para os cursos de graduação em medicina, enfermagem e odontologia. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 nov. 2005: Seção 1, p.111.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Resolução nº 3, de 20/06/2014. Institui diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em medicina. Diário Oficial da União, Brasília, DF, p.17, 6 jun. 2014: Seção 1.
PERNAMBUCO. Secretaria Estadual de Saúde. Plano Estadual de Educação Permanente em Saúde de Pernambuco (2019-2022). Recife, 2018.

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