Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA20 - Eixo 1 - Política Ambiental e Saúde na Amazônia (TODOS OS DIAS)

35366 - EKOBÉ: UMA INICIATIVA PROMISSORA NO TERRITÓRIO AMAZÔNICO
PAOLA MARCÉLIA ACIOLY FERNANDES - UFOPA


Resumo
Abaré é nome indígena que significa “amigo, cuidador”. Abaré é um Barco-Hospital que está integrado no programa Estratégia Saúde da Família Fluvial (ESFF), como “estratégia de expansão, qualificação e consolidação da atenção básica”, como citado na Política de Atenção Básica de 2012, cujo objetivo é descentralizar as ações de assistência em saúde e promover saúde para as populações inseridas no contexto amazônico: indígenas, quilombolas, ribeirinhos. São realizados exames laboratoriais, P.C.C.U, acompanhamento de pré-natal, consultas com médicos, enfermeiros e odontólogo, e, vacinação. Surgiu a necessidade da criação desse equipamento devido ao emaranhado de rios e florestas que dificultavam o acesso à saúde a diversas populações da Amazônia que, na maioria, são vulneráveis por seus vários determinantes sociais em saúde.

Introdução
Promover saúde no território amazônico é um verdadeiro desafio. Todavia, dois entusiastas, gestores e criadores de uma organização não-governamental, captaram recursos de uma organização internacional que era responsável pela manutenção do Abaré. Em 2006, iniciaram os serviços de atendimento e ao todo quinze mil ribeirinhos de mais de setenta comunidades dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro, no oeste do Pará, foram beneficiados com os atendimentos na área da saúde. E em 2010, o Projeto foi reconhecido pelo Ministério da Saúde, que se inspirou nesta experiência para criar o Programa de Saúde da Família Fluvial por meio da Portaria 2.191, credenciando o Barco Abaré I como a sua primeira unidade no país. Porém, a Universidade Federal do Oeste do Pará iniciou o processo para assumir a gestão do navio no ano de 2013, após um acordo realizado pelo Ministério da Saúde, pois a ONG responsável pelo seu financiamento não via mais a necessidade de custear os gastos das viagens já que o Brasil era um país emergente e não precisava mais do auxílio da organização. A UFOPA passou a gerir o navio-hospital em agosto de 2017 e em 2018 recomeçou a fazer as viagens.

Objetivos
Apresentar à comunidade em geral sobre a iniciativa Abaré que obteve êxito na Amazônia no âmbito da saúde;
Estimular pessoas e projetos a resistirem com suas inciativas de saúde no território amazônico.

Metodologia
As reflexões foram feitas a partir de conversas informais com tripulantes, profissionais de saúde que trabalhavam no Abaré, comunitários e agentes comunitários de saúde em uma viagem realizada em 22 de outubro a 01 de novembro de 2018 por discentes, residentes e docente da Universidade Federal do Oeste do Pará. O barco percorreu o Rio Tapajós e atendeu mais de 30 comunidades, indígenas e não-indígenas, da área de abrangência do município de Santarém. As informações foram obtidas através da Observação Participante também, pois havia o revezamento de atividades realizadas no Abaré por parte dos discentes.

Resultados e Discussão
A iniciativa Abaré foi aprovada rapidamente por muitos moradores das regiões que o barco prestava assistência, pois era a única forma de crianças se vacinarem, dos comunitários extraírem os dentes, de obterem medicamentos, de terem acesso a métodos contraceptivos. Os comunitários não precisavam mais se deslocarem até as cidades mais próximas para terem acesso a recursos mínimos de saúde. O número de crianças vacinadas na região que o barco atuava aumentou e com o começo da pandemia de covid-19 era a única forma de os comunitários receberem alimentos, medicamentos e orientações acerca dos cuidados que se devia ter para se prevenir contra a infecção. A receptividade do Abaré foi tamanha pelos comunitários que foi reproduzida por várias Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde.

Conclusões / Considerações finais
“Fazer saúde” de forma integral e com equidade é imprescindível na Amazônia, visto que as populações amazônicas refletem diferentes vivências e são carentes de recursos mínimos em saúde, pois a dimensão territorial e seu emaranhado de rios e florestas dificultam o acesso à saúde e fazem desse território um cenário de múltiplas facetas ao promover saúde e assistência para os indivíduos inseridos no contexto amazônico.

Referências
Gustavo Corrêa Matta, Márcia Valéria Guimarães Morosini. ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE.2009. Disponível em: http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/ateprisau.html
Lígia Giovanella, Sarah Escorel, Lenaura de Vasconcelos Costa Lobato, José de Carvalho Noronha e Antonio Ivo de Carvalho. Políticas e Sistema de Saúde no Brasil. 2ª edição (revista e ampliada): 2012. 2ª reimpressão: 2011. 1ª reimpressão: 2009 (1ªedição: 2008). 1.100p., il., tab., gráf. Coedição com o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes).

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