Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA72 - Eixo 8 - DIREITOS HUMANOS E CUIDADO A GRUPOS EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE/DISCRIMINAÇÃO (TODOS OS DIAS)

35340 - AÇÕES EXTRAMUROS PARA AMPLIAÇÃO DO CUIDADO A TRABALHADORAS DO SEXO NO MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE
CRISTINA BETTIN WAECHTER - PMPA, VINICIUS DE SOUZA CASAROTO - UFRGS, VIVIANE DE LIMA CEZAR - UFRGS, LISIANI NUNES FLORES - PMPA, EUDOXIA BEATRIZ MELLEU SEHN - PMPA, GUSTAVO VARGAS - PMPA, DAILA ALENA RAENCK DA SILVA - PMPA


Resumo
A oferta de cuidados referentes às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) já estão bem estabelecidas nos serviços de saúde. Atualmente o Ministério da Saúde (MS) disponibiliza para rede a Prevenção combinada com inúmeras possibilidades de abordagem de prevenção e assistência aos usuários. No entanto, alguns segmentos das populações-chave estão distantes desses cuidados, visto a dificuldade as barreiras de acesso aos serviços de saúde. Neste trabalho será descrita a experiência realizada por um serviço especializado em HIV/IST em Porto Alegre, na construção de ações extramuros para o alcance das trabalhadoras do sexo. Essas ações foram construídas com base nos levantamento do serviço de redução de acesso do segmento escolhido e foram incentivadas dentro do projeto de reorganização do serviço estimulado pela (OPAS). As ações consistem na aproximação do serviço de saúde ao território para responder às demandas de saúde colocadas pelas trabalhadoras do sexo. Ampliando o acesso à prevenção e fornecendo assistência com respeito às especificidades. Até o momento, foram realizadas oito ações nos territórios e evidenciada a dificuldade de utilização do serviço de saúde. Verifica-se que pensar estratégias que prestam o cuidado em saúde no território reforçam a preocupação do serviço em preservar a integralidade e principalmente a equidade princípios muito importantes no SUS.

Introdução
A Prevenção combinada (PC) é o conjunto de tecnologias e intervenções que leva em consideração as especificidades e necessidades de cada indivíduo (Brasil, 2017). Foi elaborada a partir da identificação de que o perfil epidemiológico do HIV/aids e outros agravos sexualmente transmissíveis apresenta prevalências desiguais entre as populações no Brasil. (BRASIL, 2018) Estas populações são denominadas como “populações-chaves” e tem suas desigualdades derivadas de fatores estruturantes da sociedade, que contribuem para a dificuldade do acesso. (BRASIL, 2018) Trabalhadoras do sexo são consideradas populações chaves, pois apresentam prevalência do vírus em torno de 5%, enquanto na população geral o coeficiente é de 0,4%. (BRASIL, 2017). A coibição da prática e o estigma da prostituição se mostram como barreiras de acesso ao cuidado em saúde e seus direitos. Nesse sentido, planejar ações sistemáticas nos territórios pode garantir a ampliação do acesso ao cuidado integral de saúde, compreendendo suas necessidades que vão além da prevenção ao HIV. No ano de 2020, então, iniciamos a reorganização do SAE, com um projeto em parceria com a OPAS e MS e que prevê o fortalecimento destas ações.

Objetivos
Este trabalho tem como objetivo descrever a experiência realizada por um serviço especializado em HIV/IST em Porto Alegre, na construção de ações extramuros para o alcance das trabalhadoras do sexo.

Metodologia
As ações visam promover a proximidade entre serviços e populações-chaves que historicamente estão à margem da sociedade. O Agente Comunitário de Saúde (ACS), por trabalhar e conhecer o território, identifica locais, realiza o primeiro contato e traz para o planejamento em equipe. É avaliada e pensada cada ação de forma individual, pois dentro do mesmo território encontramos diferentes realidades socioeconômicas e estruturais. Além das ações in loco, identificamos pontos estratégicos que tornam-se parceiros no território para a educação por pares e distribuição de insumos de prevenção, como auto testes (AT) para HIV, .preservativos e lubrificante Nossas ações são pensadas dentro da PC e a equipe é composta de forma multidisciplinar, para garantir a integralidade do cuidado.

Resultados e Discussão
Devido a pandemia do COVID, as ações foram readequadas para atender as orientações do MS. Houve redução dos espaços em funcionamento, como saunas e videolocadoras. Assim, as ações ficaram aquém do esperado, foram realizadas oito, em locais distintos. Nestas atividades foram oferecidas testagens rápidas com as intervenções necessárias a partir dos resultados, aconselhamento sobre prevenção,PrEP e PEP e de promoção à saúde e prevenção ao COVID, além de dispensação de insumos e máscaras descartáveis. Também foi realizada orientação em relação ao acesso a direitos de interesse desta população, bem como o vínculo facilitado com serviços da rede. Observou-se que uma parte considerável das trabalhadoras já conheciam o serviço, mas sem ter acessado, parte delas não tinham conhecimento sobre PrEP e PEP. No que se relaciona ao COVID, a maior parte das trabalhadoras tinham conhecimento sobre a prevenção, porém havia atravessamento direto sobre as suas práticas de trabalho. Outro ponto de destaque é a participação de equipe multiprofissional, devido ao aumento de possibilidades de ações e da resolutividade das demandas. Em uma ação foi ofertada auriculoterapia, que foi aceita de forma exitosa.

Conclusões / Considerações finais
Verificou-se através desta construção a importância da articulação da equipe com os territórios e o quanto as populações chave precisam ser acessadas ao contrário de buscar acesso. As ações extra muros institucionalizaram no serviço uma forma de garantir o acesso das trabalhadoras do sexo para dar conta das suas especifidades com respito a sigularidade dos seus contextos. Essa estratégia valoriza os preceitos do SUS e coloca em prática as diretrizes do DCCI para populações-chave. Salienta-se que, ter um ACS vinculado ao território é fundamental para o acesso do público alvo, diminuindo possíveis barreiras por abordagens excessivamente biomédicas ou deslocada das demandas oferecidas.

Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para a Organização do CTA no âmbito da Prevenção Combinada e nas Redes de Atenção à Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. 88 p. Disponível em: Acesso em: 28 set. 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais.
Agenda Estratégica para Ampliação do Acesso e Cuidado Integral das Populações-Chave em HIV, Hepatites Virais e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. 36 p. Disponível em: Acesso em: 28 set. 2020.

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