Comunicação Oral

26/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC57 - Eixo 8 - Gestão do cuidado hospitalar e pré-hospitalar

35334 - TELESSAÚDE INDÍGENA DO AMBULATÓRIO DE SAÚDE INDÍGENA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA
ODETE MESSA TORRES - UNB, MARIA DA GRAÇA LUDERITZ HOEFEL - UNB, ANA CAROLINA TARDIN MARTINS - UNB, EDSON OLIVEIRA PEREIRA - HUB, JHENIFFER BENEDITO DE OLIVEIRA PEGO - UNB, JEAN VINICIUS CAMPO - UNB, SULIETE GERVÁSIO MONTEIRO - UNB, XIMENA PAMELA DÍAZ BERMÚDEZ - UNB, LETICIA FERNANDES DANTAS - UNB, LUCIANO TALMA FERREIRA - HUB, JACINTA DE FÁTIMA SENNA DA SILVA - UNB, FETXAWEWE TAPUYA GUAJAJARA VERISSIMO - UNB, JOSILENE BRANCO DE SOUZA SALES - UNB, DÉBORA BARROS DOS SANTOS - UNB, DEBORA LARISSA BEZERRA DE BRITO - UNB, ALISSON CLEOMAR DOS SANTOS - UNB, ISMENE ROCHA DA TRINDADE SERRA EL MOURAD - HUB, AMANDA MESQUITA MENDES GONÇALVES - HUB, ANA LUIZA STURION GRISOTO - SES DF, DENISE OSÓRIO SEVERO - UNB, SILVIA FURTADO DE BARROS - HUB, EDGAR MERCHÁN-HAMANN - UNB


Resumo
O Ambulatório de Saúde Indígena (ASI) do Hospital Universitário de Brasília (HUB) foi criado em 2013 por uma reivindicação dos estudantes indígenas da UnB, com o objetivo de acolher indígenas com demandas de saúde, em acompanhamento de consultas, na realização de procedimentos e internação hospitalar. Neste local, cenário de prática à formação discentes, docentes e de profissionais de saúde vinculados às políticas de saúde indígena, em parceria com a Casa de Saúde Indígena (CASAI-DF), Ministérios da Educação e da Saúde através da Secretaria Especial de Saúde Indígena, surgiu a organização de um telessaúde. Os estudantes da UnB e movimento indígena, necessitando de atenção integral à saúde, em tempos de pandemia da COVID-19, demandam ao ASI e à administração do HUB ações imediatas de atenção remota à saúde respeitando o distanciamento social como principal forma de prevenção à doença. Com vistas a viabilizar novas formas de cuidado que possam ser executáveis também à distância, o ASI/HUB propôs a implementação do Telessaúde Indígena a todos os indígenas do Brasil. Para tal, realiza um estudo qualitativo e quantitativo com o objetivo de acompanhar e avaliar a efetividade do processo de implementação do Telessaúde Indígena do Ambulatório de Saúde Indígena do Hospital Universitário de Brasília (HUB) para o enfrentamento da pandemia da COVID-19.

Introdução
O Programa Telessaúde Brasil Redes foi criado em 2007. Surgiu como uma ação nacional com objetivo de melhorar a qualidade do atendimento e da atenção básica no SUS, integrando ensino e serviço por meio de ferramentas de tecnologias da informação promovendo Teleassistência e Teleducação (SES/MS, 2019). O Telessaúde no contexto atual da pandemia da COVID-19 é um instrumento muito eficaz para a implementação de ações que possibilitem a garantia do cuidado à saúde e simultaneamente evite os riscos de transmissão do vírus, favorecendo a manutenção do isolamento social. No que tange aos povos indígenas, historicamente as epidemias constituíram causas de extinção e genocídio de inúmeros povos, haja vista a inexistência de imunidade para uma gama de patologias da sociedade ocidental, com a qual os povos não mantiveram contatos ao longo de séculos. Com efeito, o Telessaúde Indígena constitui uma necessidade real e uma demanda de estudantes indígenas da Universidade de Brasília, Coordenação das Questões Indígena da UNB, bem como por integrantes do Conselho Indígena do Distrito Federal, ratificada também pela coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Objetivos
Acompanhar e avaliar a efetividade do processo de implementação do Telessaúde Indígena do ASI/HUB para o enfrentamento da pandemia da COVID-19, desenvolvendo: acolhimento e escuta inicial, avaliando o risco e necessidade de atendimentos individuais ou em grupo; escuta qualificada e atendimento individual e coletivo, com caráter interprofissional e intercultural; atendimentos individuais e coletivos com enfoque em saúde mental; ações de educação e saúde; acompanhamento e avaliação.

Metodologia
Trata-se de estudo com abordagem qualitativa e quantitativa. Será utilizada pesquisa-ação e um estudo observacional, longitudinal e prospectivo. Adotará a metodologia da pesquisa-ação: a ampla e explícita interação entre os pesquisadores e pessoas envolvidas na situação a ser investigada; a necessidade de um acompanhamento constante das decisões, ações e das atividades desenvolvidas pelos sujeitos participantes; uma pesquisa constituída com base na situação-problema identificada pelo conjunto dos participantes; estabelecimento do objeto de pesquisa com base nas situações observadas com intuito de conhecer, refletir e construir mecanismos de superação dos problemas e transformação da realidade; desenvolvimento do processo de pesquisa e estabelecimento de prioridades de encaminhamento das intervenções por meio de ações concretas; produção e mudança na construção do conhecimento de todos os atores sociais envolvidos na pesquisa.

Resultados e Discussão
Em dois meses de programa foram realizados 106 atendimentos, 22 etnias diferentes (Tukano, Kamayura, Tupinikim, Tupinanbá, Terena, Guajajara, Karipuna, Kaingang, Galibi Kali’na, Pataxó, Boe Bororo, Baniwa, Fulni-o, Tapuya, Xavante, Pankararu, Macuxi, Wapichana, Tikuna, Trumai, Suiá e Kariri xocó) com maior prevalência de atendimentos em Tukano, Kamayura e Tupinikim. A queixa principal na solicitação de atendimento de maior recorrência foi a síndrome gripal (dor no corpo, calafrio, sensação febril, tosse, dor de garganta, congestão, cefaleia, coriza, indisposição, cansaço). Dos atendimentos realizados, dois evoluíram para internação no próprio HUB. Dois atendimentos pediátricos (duas crianças de 5 e 6 anos). Um desses atendimentos evoluiu para encaminhamento ao HMIB o outro se resolveu por teleatendimento. Foram realizadas coleta de swab nasal RT-PCR para Covid-19 no HUB em 06 pacientes, com acompanhamento da equipe do ASI. Sendo 03 positivos e 03 negativos para Covid-19.

Conclusões / Considerações finais
Como resultados identifica-se a melhoria do acesso aos serviços de saúde; da promoção à saúde; da participação da comunidade indígena no processo de construção de práticas interculturais de saúde; do resgate e fortalecimento da cultura tradicional indígena no cuidado à saúde; da formação interprofissional dos discentes, docentes e profissionais de saúde.

Referências
Brasil. Presidência da República. Secretaria-Geral. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI Nº 13.989, de 15 de abril de 2020. Dispõe sobre o uso da telemedicina durante a crise causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Lei/L13989.htm. Acesso em: 10 jun 2020.
Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. 2ª edição. Brasília: Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde, 2002. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_saude_indigena.pdf. Acesso em: 06 jun 2020.
Thiollent, Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação. 12ª Edição. São Paulo: Cortez, 2003.

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