Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA41 - Eixo 5 - Gestão e DCNT (TODOS OS DIAS)

35285 - POTENCIAIS IMPACTOS NA PREVALÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA COM A NOVA DIRETRIZ DA ACC/AHA 2017 ENTRE RESIDENTES DE UM CENTRO URBANO
PEDRO HUMBERTO GOMES DE FREITAS - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, DÉBORA MORAIS COELHO - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, CAMILA TEIXEIRA VAZ - DEPARTAMENTO DE FISIOTERAPIA - UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA, AMANDA CRISTINA DE SOUZA ANDRADE - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO - INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA, WALESKA TEIXEIRA CAIAFFA - OBSERVATÓRIO DE SAÚDE URBANA DE BELO HORIZONTE - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS


Resumo
OBJETIVO: Estimar as mudanças na prevalência de HAS, segundo perfil sociodemográfico e de saúde ao se aplicar os critérios propostos pela nova publicação da ACC/AHA 2017, utilizando como referência a diretriz da 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2016. MÉTODOS: Um total de 1.375 adultos, respondentes do inquérito MOVE-se Academias (2014-15), com idade entre 18 e 88 anos (60,5% mulheres, idade média: 42,3; DP: 16,5) e com valores válidos para medidas objetivas de pressão arterial foram incluídos no estudo. Prevalências ponderadas de hipertensão foram calculadas de acordo com ambas as diretrizes, estimando um intervalo de confiança de 95% (IC95%). RESULTADOS: A prevalência de HAS segundo as diretrizes brasileiras de 2016 foi de 18,8% (IC95%: 15,2-23,7) e, de acordo com ACC/AHA 2017, foi de 44,3% (IC95%: 40,0-48,7), representando um aumento da prevalência de 18,8 pontos percentuais, e esse aumento foi maior no sexo feminino do que no masculino (35,2 vs 19,1, respectivamente). CONCLUSÃO: Considerando o contexto socioeconômico brasileiro e conhecendo a epidemiologia de hipertensão no pais, é preciso pensar com cautela sobre uma possível implementação da diretriz ACC/AHA 2017 para a prevenção, detecção, avaliação e tratamento da HAS.

Introdução
A nova diretriz da American Heart Association e do American College of Cardiology (ACC/AHA 2017) recomenda reduzir o limiar para a classificação de hipertensão arterial de 140/90mmHg para 130/80mmHg1. Sua aplicação aumenta a prevalência de hipertensão arterial sistêmica (HAS), mas pouco se sabe sobre o impacto desse aumento na epidemiologia da doença, principalmente no contexto brasileiro.

Objetivos
Estimar as mudanças na prevalência de HAS, segundo perfil sociodemográfico e de saúde ao se aplicar os critérios propostos pela nova publicação da ACC/AHA 2017, utilizando como referência a diretriz da 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2016.

Metodologia
Um total de 1.375 adultos, respondentes do inquérito MOVE-se Academias (2014-15), com idade entre 18 e 88 anos (60,5% mulheres, idade média: 42,3; DP: 16,5) e valores válidos para medidas objetivas de pressão arterial sistólicas e diastólicas foram incluídos no estudo. O MOVE-se Academias, estudo transversal conduzido pelo Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte da Universidade Federal de Minas Gerais, integra o projeto “Academia da Saúde: avaliação de programas de promoção da atividade física no Brasil”2. Os valores pressóricos foram categorizados e estadiados segundo as diretrizes ACC/AHA e 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. As variáveis usadas para descrever o perfil sociodemográfico e de saúde foram: idade, raça, estado civil, escolaridade, atividade física, tabagismo, uso de álcool, diabetes e hipercolesterolemia. Prevalências ponderadas de hipertensão foram calculadas de acordo com ambas as diretrizes, estimando um intervalo de confiança de 95% (IC95%).

Resultados e Discussão
A prevalência de HAS segundo as diretrizes brasileiras de 2016 foi de 18,8% (IC95%: 15,2-23,7) e, de acordo com ACC/AHA 2017, foi de 44,3% (IC95%: 40,0-48,7), representando um aumento da prevalência de 18,8 pontos percentuais, e esse aumento foi maior no sexo masculino do que no feminino (34,8, 95% CI: 32,2-36,6 vs 19,5, 95%CI: 18,9-19,0 respectivamente). Em relação ao estilo de vida, os aumentos na prevalência de HAS foram maiores entre as pessoas que consomem álcool, tabagistas e entre aqueles que não praticam atividade física (32,7, 95% CI:30,1-35,2; 27,8, 95% CI: 26,3-29,3; e 27,5, 95% CI: 27,3-27,5 pontos percentuais respectivamente). Quanto às variáveis de saúde, os maiores aumentos foram observados entre aqueles indivíduos que relatam não ter hipercolesterolemia e/ou diabetes (28,1, 95% CI: 26,1-30,0 e 25,9, 95% CI: 25,1-26,6 pontos percentuais, respectivamente).

Conclusões / Considerações finais
Considerando o contexto socioeconômico brasileiro e conhecendo a epidemiologia de hipertensão no pais, é preciso pensar com cautela sobre uma possível implementação da diretriz ACC/AHA 2017 para a prevenção, detecção, avaliação e tratamento da HAS. Os impactos no planejamento e logística do Sistema Único de Saúde, incluindo a distribuição de fármacos para o tratamento de HAS para população, merecem ser avaliados.

Referências
1- Whelton PK, Carey RM, Aronow WS, Casey DE Jr, Collins KJ, Dennison Himmelfarb C, et al. (2017) Diretrizes da ACC / AHA / AAPA / ABC / ACPM / AGS / APhA / ASH / ASPC / NMA / PCNA para Prevenção, Detecção, Avaliação e Gerenciamento da Pressão Arterial Alta em Adultos: Um Relatório do American College of Cardiology / American Grupo de Trabalho da Associação Cardíaca sobre Diretrizes de Prática Clínica J Am Coll Cardiol [Internet]. 2018;71 (19): e127-248.
2- Fernandes AP, Andrade ACS, Costa DAS et al. (2017) Programa Academias da Saúde e a promoção da atividade física na cidade: a experiência de Belo Horizonte, MG, Brasil. Cienc Saude Colet 22, 3903–3914.

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