Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA48 - Eixo 5 - Planejamento estratégico (TODOS OS DIAS)

35274 - CONHECIMENTO E USO DO PLANEJAMENTO EM SAUDE NA SMS SALVADOR
LUCIANA LIMOEIRO RICARTE CAVALCANTE - INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA - UFBA, ALCIONE SANTOS DA ANUNCIAÇÃO - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, ALINE OLIVEIRA MARTIN CAVALCANTI CUNHA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, CATHARINA LEITE MATOS SOARES - INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA - UFBA, DARLENE SILVA DE SOUZA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, HELENA CRISTINA ALVES VIEIRA LIMA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, JANILSON MATOS TEIXEIRA MATOS - INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA - UFBA, JULIANA SANTOS DE OLIVEIRA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, MARIA DE FATIMA CARVALHO DE OLIVEIRA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, MARIA DE FÁTIMA PEREIRA DOS SANTOS - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, RAPHAEL SANTOS SANDE - INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA - UFBA, ROSA VIRGINIA ROSEMBERG OLIVEIRA FERNANDES - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, SUZANA MENDES ALMEIDA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, SARA CRISTINA CARVALHO CERQUEIRA - SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR


Resumo
O planejamento pode ser definido como método, ferramenta, instrumento ou técnica para gestão, gerência ou administração e como processo social (PAIM, 2006), em que participam sujeitos, individuais ou coletivos. No âmbito da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador, esta prática, por vezes, tem sido condicionada por questões de caráter politico mas também por outras relacionadas as competências e habilidades do conjunto de dirigentes e trabalhadores responsáveis pelo planejamento, monitoramento e avaliação das ações e serviços de saúde. Pensando em apoiar os servidores municipais em saúde no tocante às dificuldades apresentadas, foi desenvolvida pela Diretoria Estratégica de Planejamento e Gestão (DEPG), em parceria com os Residentes de Planejamento e Gestão do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), uma investigação sobre o conhecimento e o uso das práticas de Planejamento em Saúde na SMS Salvador. Trata-se de um estudo transversal descritivo, realizado no período de 01 a 24 de julho de 2020, por meio de instrumento estruturado e disponibilizado via link pelo Google Formulários. Os resultados da pesquisa permitiram concluir que apesar de mais da metade dos respondentes terem tido algum contato com os conceitos de planejamento, permanece uma lacuna no uso daqueles que orientam as práticas de planejamento em diferentes contextos de trabalho.

Introdução
O planejamento pode ser definido como método, ferramenta, instrumento ou técnica para gestão, gerência ou administração e como processo social (PAIM, 2006), em que participam sujeitos, individuais ou coletivos. O planejamento é compromisso com a ação, pois significa pensá-la antecipadamente. O planejamento expressa-se também como um saber operante, tecnológico, cuja ação estratégica está em realizar projetos sociais; apresenta-se como um trabalho que se incide sobre outros trabalhos (SCHRAIBER et al, 1999). Em síntese, o planejamento é uma prática social (PAIM, 2010), que é técnica, mas também política, econômica e ideológica, apresentando-se de modo estruturado (politicas formuladas, planos, programas e projetos) ou não estruturado, como um cálculo (MATUS, 1997) ou pensamento estratégico (TESTA, 2006). No âmbito da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Salvador, esta prática, por vezes, tem sido condicionada por questões de caráter político mas também por outras relacionadas as competências e as habilidades do conjunto de dirigentes e trabalhadores responsáveis pelo planejamento, monitoramento e avaliação das ações e serviços de saúde.

Objetivos
Avaliar o grau de conhecimento sobre os conceitos e as práticas de Planejamento em Saúde na Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, identificando as possíveis lacunas relacionadas aos conceitos ou etapas do processo de planejamento.

Metodologia
Trata-se de um estudo transversal descritivo, onde foram convidados para participar todos os profissionais que atuam nos diversos níveis da SMS (central, distrital ou unidades de saúde). As informações foram coletadas no período de 01 a 24 de julho de 2020, por meio de instrumento estruturado e disponibilizado via link pelo Google Formulários. O questionário foi estruturado em blocos: dados sóciodemográficos, vínculo institucional, processo de autoavaliação do nível de conhecimento e sobre as práticas de planejamento em saúde, consulta de documentos nas práticas de trabalho, conhecimento e participação em espaços de discussão em planejamento, utilização de sistemas de informação e etapas do processo de planejamento em saúde. Os dados foram tabulados no Microsoft Excel e analisados no Stata (V.12.0), adotando-se intervalo de confiança de 90%, desvio padrão e margem de erros de 5% e realizado o teste do qui-quadrado (X2) de Pearson e p-valor <0,05.

Resultados e Discussão
Das 353 respostas obtidas, 85,6% era do sexo feminino, 44,8% de cor parda, 85,0% possuíam entre 31 e 59 anos, 55,0% possuía especialização e 64,5% apresentava formação em planejamento e se autoavaliou com bom conhecimento em planejamento (49,3%). Sobre o vínculo, 60,1% atuavam em Unidades de Saúde (US), 31,2% encontram-se há mais de 10 anos na área atual e 65,4% era estatutário. E ainda, 39,4% considerava que suas práticas eram norteadas por planejamento, 31,7% afirmou que isto sempre ocorria, 62,3% tiveram contato com algum conceito de Planejamento Estratégico, 42,8% de Planejamento Normativo e 77,1% identificaram as etapas de elaboração do Plano Municipal de Saúde (PMS). Observou-se que os que atuam em US (p≤0,002), os que exibiram baixa frequência das práticas de trabalho norteadas por planejamento (p≤0,030), os que não consultavam o PMS, PAS, POA, ASIS, RAG (p≤0,001) e que tinham menor percepção no saber ou ter conhecimento de espaços estratégicos apresentavam menor formação em planejamento, quando comparados aos outros grupos. Além disso, aqueles que não tinham formação em planejamento constituíam maior parcela de não identificação das etapas de elaboração do PMS (p≤0,006).

Conclusões / Considerações finais
A pesquisa foi conduzida pela DEPG, juntamente com os residentes de planejamento e gestão do ISC/UFBA. Pontua-se de modo positivo ter sido realizado um piloto para ajustes e validação do questionário. Contudo, alguns problemas só foram observados após o início da aplicação, como a ausência de alguns sistemas de informação e de instrumentos de gestão como opções de resposta ou mesmo a opção do campo “outros”, de modo que pudessem ser citados. Os resultados da pesquisa permitiram concluir que apesar de mais da metade dos respondentes terem tido algum contato com os conceitos de planejamento, permanece uma lacuna no uso daqueles que orientam as práticas de planejamento em diferentes contextos de trabalho. A necessidade de formação, expressa pelos participantes da pesquisa tanto no momento da auto avaliação quanto na descrição de sugestões, deve ser considerada pela gestão da SMS no sentido de viabilizar processos de formação e desenvolver métodos e instrumentos do planejamento em saúde.

Referências
MATUS, C. Política, planejamento & governo. 3ª ed. Brasília: IPEA, 1997

PAIM, J.S. Planejamento em saúde para não especialistas. In: CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa; MINAYO, Maria Cecília de Souza; AKERMAN, Marco; DRUMOND Júnior, Marcos; CARVALHO, Yara Maria de. Tratado de saúde coletiva. Rio de Janeiro, Hucitec; Fiocruz, 2006., 871p.

PAIM, JS. Planejamento e gestão: para além da comunicação. Ciência & Saúde Coletiva, 15 (5): 2279-2280, 2010.

SCHRAIBER LB et al. Planejamento, gestão e avaliação em saúde: identificando problemas. Ciência & Saúde Coletiva, 4:221-42, 1999.

TESTA, M. Pensar em salud.1ed.3 reimp. Buenos Aires: Lugar Editorial, 2006, 240p.

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