Comunicação Oral

25/03/2021 - 16:30 - 18:00
CC52 - Eixo 5 - COVID (2)

35265 - COVID E DIFERENCIAIS INTRAURBANOS EM BELO HORIZONTE: AÇÕES DE EXTENSÃO ENTRE A UNIVERSIDADE E A VIGILÂNCIA EM SAÚDE
ALINE DAYRELL FERREIRA SALES - UFMG, AMANDA CRISTINA DE SOUZA ANDRADE - UFMT, AMÉLIA AUGUSTA DE LIMA FRICHE - UFMG, BRUNO DE SOUZA MOREIRA - UFMG, CAMILA TEIXEIRA VAZ - UFJF, DÉBORA MORAES COELHO - UFMG, DENISE MARQUES SALES - UFMG, ELAINE LEANDRO MACHADO - UFMG, GUILHERME APARECIDO SANTOS AGUILAR - UFMG, MARIA ANGÉLICA DE SALLES DIAS - UFMG, SOLIMAR CARNAVALLI ROCHA - UFMG, WALESKA TEIXEIRA CAIAFFA - UFMG


Resumo
Ação de extensão desenvolvida pela parceria entre o Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte da Universidade Federal de Minas Gerais (OSUBH/UFMG) e a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA-BH), com o objetivo de fornecer informações que possam contribuir para ações relacionadas ao manejo dos casos de COVID-19 e mitigação da epidemia no município de Belo Horizonte. Informativos sobre o avanço da epidemia no município são produzidos periodicamente, utilizando bases de dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), com internações e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)-COVID e SRAG-não especificada. Realiza-se análise da distribuição dos eventos de acordo com características demográficas, clínicas e distribuição espacial na cidade, utilizando as coordenadas geográficas do endereço de residência, além de agregar informações territoriais do ambiente físico e social da cidade. As desigualdades sociais e diferenças intraurbanas continuam a serem desveladas como determinantes sociais da epidemia no município. A parceria estabelecida tem sido fundamental para o aprofundamento do conhecimento sobre o papel dos diferenciais intraurbanos no adoecimento dos residentes da cidade mineira e norteamento das ações de controle no município.


Introdução
A pandemia de COVID-19 está evidenciando as desigualdades e a negligência à garantia das necessidades humanas básicas nos países em desenvolvimento. O planejamento de medidas eficazes de prevenção e controle da pandemia necessita de uma compreensão do aumento do risco de exposição experimentado pelas pessoas, especialmente aquelas em condições inseguras.
O Brasil, país que ocupa o terceiro lugar mundial em número total de casos e mortes de COVID-19 em 02 de outubro de 20201, apresenta forte heterogeneidade espacial em termos de distribuição demográfica, acesso à saúde pública e índices de pobreza entre e dentro das cidades. Tendo em vista essas iniquidades, a epidemia de COVID-19 pode afetar diferencialmente os indivíduos no mesmo centro urbano.
Desta forma, torna-se importante conhecer a epidemia dentro das cidades, analisando desde a distribuição dos eventos de acordo com características individuais e clínicas até a distribuição espacial na cidade, no sentido de contribuir com informações locais que possam facilitar a condução de ações específicas voltadas para o controle da epidemia.


Objetivos
Analisar de forma sistemática a dinâmica socioespacial intraurbana dos casos e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) confirmados ou suspeitos de COVID-19, de forma a fornecer informações que possam contribuir para condução de ações relacionadas ao manejo dos casos e mitigação da epidemia no município de Belo Horizonte.

Metodologia
Ações de extensão desenvolvidas entre o Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte da Universidade Federal de Minas Gerais (OSUBH/UFMG) e a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA-BH).
Informativos2 sobre o avanço da COVID-19 em Belo Horizonte, Minas Gerais, são produzidos quinzenalmente, utilizando bases de dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), contendo dados sobre internações e óbitos por SRAG-COVID e SRAG-não especificada ocorridos no município, e fornecidas semanalmente pela SMSA-BH.
As análises envolvem a distribuição dos eventos de acordo com características demográficas e clínicas, e a distribuição espacial na cidade, utilizando as coordenadas geográficas do endereço residencial e características da cidade, como o Índice de Vulnerabilidade à Saúde (IVS-2012)3, classificados em baixo, médio, elevado e muito elevado risco de adoecer e morrer na cidade.


Resultados e Discussão
De 29/12/2019 a 18/09/2020, um total de 12.604 pessoas residentes na cidade foram hospitalizadas com o diagnóstico de SRAG-COVID ou SRAG não especificada e 2.170 evoluíram para óbito.
Os casos no município, inicialmente estavam concentrados em determinados pontos marcadores da possível chegada da epidemia, devido às características específicas do SarsCoV-2. Em seguida, se espalhou pela cidade e concentrou-se em territórios onde o vírus encontrou condições para maior e mais rápida transmissão e adoecimento relacionado não só às características individuais mas, principalmente, às condições socioeconômicas desfavoráveis.
O risco de óbitos e internações por SRAG-COVID e SRAG não especificada foi maior para aqueles que moram em áreas de maior vulnerabilidade quando comparados aos que residem em áreas de baixo risco. Esses resultados apontam para questões importantes no (re)planejamento das ações e a necessidade de que estas sejam específicas e adequadas aos diferentes grupos populacionais.


Conclusões / Considerações finais
As desigualdades sociais e diferenças intraurbanas continuam a serem desveladas como determinantes sociais do avanço da epidemia de COVID-19 no município de Belo Horizonte. As diferenças nas condições de habitabilidade e outros determinantes sociais da saúde entre as áreas de baixo risco e de elevado a muito elevado risco continuam marcantes e podem explicar o risco mais elevado na população mais desprovida de acesso a bens e serviços.
Torna-se necessário reconhecer as dinâmicas socioespaciais que se expressam no território urbano, bem como “espacializar” ou “territorializar” a saúde, a doença e a morte como elementos centrais de análise. Assim como, fortalecer as parcerias entre a universidade e o serviço de saúde de modo a fomentar a geração de conhecimento para subsidiar as ações em saúde e reduzir desigualdades em saúde.


Referências
1- Imperial College COVID-19 response team. Short-term forecasts of COVID-19 deaths in multiple countries. 2020. https://mrc-ide.github.io/covid19-short-term-forecasts/ (acessado em 02 de outubro, 2020).
2- InfoCOVID: https://www.medicina.ufmg.br/coronavirus/material-informativo/

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