Comunicação Oral

26/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC56 - Eixo 7 - Ensino e serviço no enfrentamento da pandemia

35263 - PROMOÇÃO DE PRÁTICAS COLABORATIVAS NA ATENÇÃO BÁSICA: IMPORTÂNCIA DO PAPEL DOS GERENTES E DESAFIOS A SEREM SUPERADOS
CAROLINE PAGANI MARTINS - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA, WELLINGTON PEREIRA LOPES - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA, BRIGIDA GIMENEZ CARVALHO - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA


Resumo
As práticas colaborativas consistem no trabalho entre dois ou mais profissionais com o intuito prestar um cuidado integral aos usuários. Tendo em vista a importante atuação dos gerentes das Unidades Básica de Saúde (UBS) na gestão do trabalho em âmbito local, pressupõe-se que a fomentação dessas práticas está diretamente atrelada à ação gerencial. Sendo assim, objetivou-se analisar as práticas colaborativas desenvolvidas na Atenção Básica (AB) e as estratégias utilizadas por esses atores para a sua promoção. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter compreensivo, realizado em um munícipio do norte do Paraná. Para a discussão dos resultados foram elencadas categorias, sendo elas: práticas colaborativas na AB, papel do gerente na promoção de práticas colaborativas, incipiente participação do usuário na construção de práticas colaborativas e situações que interferem na consolidação das práticas colaborativas. Conclui-se que os gerentes são de fato fundamentais na consolidação dessas práticas por garantirem espaços no processo de trabalho para que elas aconteçam. Contudo, a falta de motivação de alguns trabalhadores, a hegemonia do modelo de atenção e de formação uniprofissional e a discreta participação dos usuários no seu processo de formulação são desafios a serem superados.

Introdução
As práticas colaborativas consistem no trabalho entre dois ou mais profissionais criando uma rede de parceria que visa o cuidado integral deste usuário, respeitando sua autonomia ao longo desse processo e visando garantir que seja um agente do seu cuidado e não apenas um espectador. Difere do trabalho em equipe por ser mais flexível e requerer menor reciprocidade e interdependência entre os atores, sem destituir, porém, o trabalho em rede. Na AB, os gerentes das UBS têm não somente o papel de gerenciar conflitos, mas também o de buscar a promoção integral da saúde por meio da gestão do do trabalho de sua equipe, destacando-se as práticas colaborativas como ferramentas para auxiliar no cumprimento dessa função. Entranto, para que essas práticas sejam efetivadas é fundamental a participação desses profissionais no incentivo para que elas integrem o processo de trabalho da unidade e na formulação de estratégias de articulação e integração da equipe de saúde.

Objetivos
Desse modo, o objetivo deste estudo foi analisar as práticas colaborativas desenvolvidas na AB de um município do norte do Paraná e as estratégias utilizadas pela gerência para promovê-las.

Metodologia
Estudo qualitativo, de caráter compreensivo, realizado em um munícipio do norte do Paraná cuja população estimada é de 563.943 habitantes e a rede de AB é composta por 54 UBS.Foram entrevistados cinco gerentes de UBS selecionados por conveniência, sendo um de de cada região da cidade. Incluiu-se gerentes responsáveis por UBS nas quais atuam residências multiprofissionais ou Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF). Os dados foram obtidos por meio de entrevista semi-estruturada contendo questões sobre a percepção dos gerentes do processo de trabalho na UBS, a existência de práticas colaborativas e como se manifestavam a organização do trabalho para que tais práticas acontecessem, a participação dos usuários na fomentação dessas estratégias e ainda a respeito de ocorrência de fatores que interferiam no seu desenvolvimento. As análises foram realizadas pelo método análise de discurso proposto por Martins Bicudo. Salienta-se que as identidades dos entrevistados foram preservadas.

Resultados e Discussão
Em relação as práticas colaborativas na AB, destacou-se o NASF e as equipes de saúde bucal como primordiais para o recrudescimento do modelo de atuação multiprofissional, mencionando ainda as ações que remetem à essa prática, como a construção do projeto terapêutico singular. Sobre o papel do gerente na promoção de práticas colaborativas, foi unânime a importância deste para fomentar esta ferramenta, seja pela flexibilização das agendas, pela instituição de espaços onde diferentes categorias interajam ou ainda pela superação de paradigmas sobre o tema. A incipiente participação do usuário na construção das práticas colaborativas demonstra que a reduzida participação popular em espaços como conselhos e conferências de saúde impacta negativamente na construção e execução do cuidado, reduzindo-se a responsabilização do paciente por seu bem-estar e sua autonomia. Por fim, entre as situações que interferem na consolidação das práticas colaborativas foram evidenciadas dificuldades como a incomplitude do quadro profissional, a resistência à mudanças no processo de trabalho, a inexistência de infra-estrutura adequada para as atividades e a formação acadêmica individualista.

Conclusões / Considerações finais
As práticas colaborativas são ferramentas importantes na fomentação de um cuidado integral na AB por promoverem a integração entre a equipe e usuários, quebrando barreiras entre os núcleos profissionais e otimizando o processo de trabalho. O gerente é fundamental na manutenção e no incentivo dessas práticas por desenvolver estratégias para a sua consolidação. Neste estudo foram elencadas como estratégias a liberação de espaços para matriciamento nas reuniões de equipe e em reuniões gerais, a articulação das agendas para trabalhos coletivos, a organização da logística para o desenvolvimento de grupos e a realização de atividades de integração juntamente ao NASF. Contudo, não foram mencionadas ações que envolvam a população na formulação das práticas colaborativas, o que pode acarretar em um cuidado transversal prescritivo, diminuindo a autonomia do paciente.

Referências

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Araujo EMD; Galimbertti, PA. A colaboração interprofissional da estratégia de saúde da família. 2013. Psicologia & Sociedade, 25(2), 461-468.

D’Amour D. et al. A model and typology of collaboration between professionals in healthcare organizations. BMC Health Serv Res. 2008; 8:188.

Matuda CG et al . Colaboração interprofissional na Estratégia Saúde da Família: implicações para a produção do cuidado e a gestão do trabalho. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro. 2015, v. 20, n. 8, p. 2511-2521.

Peduzzi M et al. Interprofessional education: training for healthcare professionals for teamwork focusing on users. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, 2013, v. 47, n. 4, p. 977-983.

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