Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA55 - Eixo 7 - EDUCAÇÃO EM SAÚDE (TODOS OS DIAS)

35172 - PROTAGONISMO DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO TRABALHO E NA EDUCAÇÃO EM SAÚDE
MARIA GABRIELA CURUBETO GODOY - UFRGS, ROBERTO HERIQUE AMORIM DE MEDEIROS - UFRGS, ANDERSON DOS SANTOS - PSR, IASMIN DE OLIVEIRA CARNEIRO - GHC, CÍNTIA MARQUES DA ROSA - UFRGS, THÉO STORCHI DA ROCHA - UFRGS, CARLA FÉLIX DOS SANTOS - UFRGS, CAROLINA SANTOS - UFRGS, FRANCIELE VILLAGE MARTINS - PSR, PALOMA CRISTINA DA ROSA - PSR, DARCY GULART VIEIRA - PSR, ALEX SANDRO FREITAS DA SILVA - PSR, ALEXANDRE FLORES DA ROCHA - PSR, JAQUELINE JUNKER FUQUES - EPA, VERIDIANA FARIAS MACHADO - MNPR, LETÍCIA QUARTI SOARES - SMS, GABRIELLE DE SOUZA NETTO - UFRGS, MARINA DAL MAGRO MEDEIROS - UFRGS, JESSE RODRIGUEZ CARDOSO - UFRGS, JULIANO FIGUEIRA DA SILVA - UFRGS, TAINÁ MEDEIROS PIRES - UFRGS, NATANIELLE ALMADA TOMASI ANTUNES - UFRGS, ANA CAROLINE DE DAVID - UFRGS, ANA PAULA PARODI EBERHARDT - UFRGS, HENRIQUE PASQUAL SANTOS - UFRGS, MAYURA ANTUNES DE MATOS - UFRGS, PÂMELA CASSIELE DA LUZ BRATZ - UFRGS, SUZANE RODRIGUES CARDOSO - UFRGS, DIÓGENES SOUZA PAULA - PSR, FERNANDO FAGUNDES SOARES - PSR, SUZANA DEVES NOGUEIRA RIBEIRO - PSR


Resumo
Este projeto, realizado em Porto Alegre/RS de março de 2018 a julho de 2019, desenvolveu ações de educação permanente sobre a saúde da população em situação de rua (PSR) para trabalhadores municipais de saúde, assistência social e educação e realizou ações de promoção da saúde da PSR envolvendo-a como protagonista nos processos educativos e de cuidado. A visibilização da PSR pela sua potência estabelece relações dialógicas mais simétricas reduzindo estigmas, o que possibilita experimentar novas formas de sensibilização dos trabalhadores de saúde para o cuidado de populações vulneráveis.

Introdução
O trabalho em saúde com populações vulneráveis como a PSR apresenta especificidades que devem considerar a acessibilidade e o acolhimento dos serviços, além dos maiores riscos de adoecimento e morte destas pessoas em relação à população geral. Tomando como fundamentação o fortalecimento da equidade, da participação e da cidadania da PSR, foram realizados cursos para trabalhadores de saúde, assistência social e educação abordando temáticas identificadas como importantes pelos mesmos e pela PSR, contando com o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR/POA) como entidade colaboradora do processo.
Uma segunda etapa do projeto deu-se com a formação e atuação no território de pessoas em situação de rua como Agentes Promotores da Saúde da PSR, constituindo-se equipes mistas de acadêmicos e agentes apoiados por trabalhadores de diversos serviços, participantes dos cursos de educação permanente ofertados. Concomitantemente, foram realizadas oficinas de promoção e educação em saúde que também contaram com equipe mista de oficineiros: acadêmicos e pessoas em situação de rua com habilidades artístico-expressivas.


Objetivos
Desenvolver ações de educação permanente e realizar ações de promoção e educação em saúde da População em Situação de Rua (PSR), envolvendo-a como protagonista.

Metodologia
1. Cursos para trabalhadores: 10 encontros com atividades grupais (discussão de casos, elaboração de projetos terapêuticos comuns, intercâmbio de informações) e aulas incluindo pessoas em situação de rua entre os professores. Esta inclusão inspirou-se na valorização da ruaologia¹, a ciência de quem vive na rua, e na ilness narrative². As atividades grupais entre os trabalhadores se embasaram no primeiro passo da Formação Cruzada ̛̛³̛̛̛ ⁴ voltada para o fortalecimento da articulação intersetorial.
2. Formação dos agentes promotores de saúde da PSR: 10 encontros alternados com a atuação no território de equipes mistas de agentes e acadêmicos. Fundamentou-se nos círculos de cultura⁵ e na educação entre pares⁶.
3. Oficinas de promoção e educação em saúde: 25 encontros em diversos espaços públicos com oficineiros da PSR e acadêmicos apresentando sambas-enredo educativos, teatro fórum (tuberculose), grafite, capoeira, cuidado de si, fundamentados na Educação Popular em Saúde⁷.


Resultados e Discussão
Os cursos para os trabalhadores possibilitaram maior sensibilização e articulação intersetorial; elaboração de planos comuns de cuidado; elaboração de cartografias coletivas com identificação da rede formal e informal, os agrupamentos da PSR e os fluxos entre esta e os serviços.
O curso dos agentes promotores da saúde da PSR fortaleceu o cuidado de si, a auto-estima, a maior organização do processo de vida dos participantes e a circulação da PSR na universidade como estudante.
A atuação das equipes mistas nos territórios estimulou o intercâmbio de experiências entre seus componentes: PSR e acadêmicos. Isso possibilitou construir novos cenários de práticas da universidade, com a realização conjunta de visitas e articulação com serviços de saúde, assistência social e outros, bem como atividades de abordagem, acompanhamento, encaminhamento e busca ativa da PSR.
As oficinas permitiram identificar desafios por lidar com um público volátil em espaços públicos com ruídos e interferências climáticas, levando a adaptações como: apresentações curtas e repetidas; linguagem acessível; uso de poucos objetos cênicos. A utilização da arte possibilitou novas formas de interação com a PSR.


Conclusões / Considerações finais
Entre os desafios encontrados, destacam-se quesitos burocráticos que dificultam a inclusão da PSR em projetos deste tipo na academia; e as limitações de ações transitórias com a PSR, cujas necessidades precisam ser atendidas por políticas de maior duração e alcance.
Entre as perspectivas do tipo de experiência apresentada, que articula diferentes atores envolvendo trabalhadores, pessoas em situação de rua e acadêmicos, está o estímulo à experimentação de novos tipos de produção de cuidado e sociabilidade junto com a PSR; o fortalecimento do protagonismo de sujeitos e de coletivos organizados com a visibilização da PSR pela sua potência; a participação da população-alvo na elaboração e execução das ações com a valorização dos saberes da rua (ruaologia); e a constituição de espaços inter/transdisciplinares com orientação emancipatória e decolonização epistêmica possibilitando novas formas de ocupação da universidade e da cidade por segmentos historicamente excluídos, como a PSR.


Referências
Referências
¹ BOCA DE RUA. Pequeno Dicionário de Ruaologia. Porto Alegre, ano XVII, nº66, 2018, p.4.
² Kleinman A. The illness narratives. Suffering, healing and the human condition. New York: Basic Book, 1988.
³ Volpe, C. E., J. A. Cannon-Bowers, E. Salas, and P. E. Spector. (1996). ‘‘The Impact of Cross Training on Team Functioning: An Empirical Investigation.’’ Human Factors 38: 87–100.
⁴ Baker, D. P., Day, R., & Salas, E. (2006). Teamwork as an essential component of high-reliability organizations. Health services research, 41(4 Pt 2), 1576–1598.

⁵ BRASIL. Ministério da Saúde. Metodologia de Educação entre Pares. Série Manuais nº 69. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

⁶ FREIRE, P. Educação como prática de liberdade. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.

⁷ BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Caderno de educação popular e saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2007.

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