Comunicação Oral

26/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC57 - Eixo 8 - Gestão do cuidado hospitalar e pré-hospitalar

35153 - SERVIÇO DE EMBARCAÇÕES DO SAMU-192: ESTUDO DESCRITIVO DO ACESSO A REDE DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA PELA POPULAÇÃO RIBEIRINHA E COSTEIRA
BÁRBARA BULHÕES - FIOCRUZ, RODRIGO ARCURI - FIOCRUZ, HUGO CERSAR BELLAS - FIOCRUZ, DENISE FERREIRA - FIOCRUZ, LETICIA MASSON - FIOCRUZ, MARIO CESAR R. VIDAL - GENTE / COPPE / UFRJ, PAULO VICTOR RODRIGUES DE CARVALHO - IEN / CNEN, ALESSANDRO JATOBÁ - FIOCRUZ


Resumo
O SAMU 192 atua para prestar suporte as condições de vida do acidentado até a chegada a um serviço de saúde especializado. Presente em todo território nacional tem cobertura de 80% da população brasileira em serviço disponível 24h ( O’DWYER, G. et al, 2017). O componente embarcação é o responsável pelos atendimentos de urgência e emergência à população de regiões ribeirinhas e costeiras.
Desta forma, o presente estudo procurou descrever as principais dificuldades e desafios no serviço de atendimento móvel de urgência fluvial - SAMU 192 em municípios que já possuem essa modalidade de atendimento habilitada pelo Ministério da Saúde em território nacional. A pesquisa qualitativa contou com observação participante, entrevista semiestruturada, análise documental e revisão narrativa da literatura para identificação das especificidades no serviço de atendimento móvel de urgência fluvial - SAMU 192. Ao todo 101 profissionais das Secretarias Municipais de Saúde e do SAMU dos estados do Rio de Janeiro (9), Bahia (25) e Amazonas (67) foram entrevistados.
Com a disponibilização de evidências empíricas a respeito do funcionamento do serviço de atendimento móvel de urgência fluvial - SAMU 192, espera-se contribuir para a tomada de decisão de ações para a melhoria do acesso à assistência de urgência e emergência em saúde para populações ribeirinhas e costeiras .


Introdução
O SAMU 192, principal componente móvel do atendimento pré-hospitalar (APH) brasileiro, tem como objetivo manter as condições de vida do paciente até a chegada a um serviço de saúde especializado, tendo como premissa atender imediatamente as vítimas de agravos urgentes à saúde, mantendo a vida e prevenindo sequelas significativas. Atua pela central de regulação médica, acionada via ligação gratuita, pelo telefone 192. A partir da chamada, esta central determina a modalidade de atendimento apropriada e mobiliza a equipe de intervenção mais próxima ao local da ocorrência. A cobertura do SAMU 192 alcança cerca de 80% da população brasileira, o serviço está disponível 24h e é habilitado a realizar atendimentos de urgência em qualquer lugar onde venham a ser necessários ( O’DWYER, G. et al, 2017).
Para atendimento da população de regiões ribeirinhas e costeiras, o SAMU 192 opera um componente de embarcação, também chamado de serviço de “ambulanchas”. Em comparação com a modalidade terrestre, as particularidades do ambiente de atuação do serviço aumentam a complexidade para provimento de um serviço efetivo e seguro (LANÇA, 2017).


Objetivos
Descrever as principais dificuldades e desafios no serviço de atendimento móvel de urgência fluvial - SAMU 192 em municípios que já possuem essa modalidade de atendimento habilitada pelo Ministério da Saúde em território nacional, visando contribuir com a implantação, manutenção e melhoria da qualidade do serviço de "ambulancha".


Metodologia
Pesquisa qualitativa por meio de observação participante, entrevista semiestruturada, análise documental e revisão narrativa da literatura. Desta forma, realizou-se a identificação das principais dificuldades e desafios no serviço de atendimento móvel de urgência fluvial - SAMU 192.
A coleta e análise inicial do funcionamento do serviço ocorreu nas bases, embarcações, centrais de regulação e unidades de saúde envolvidas na rede de assistência à saúde em municípios que já possuem essa modalidade de atendimento habilitada pelo Ministério da Saúde em território nacional. Entre os participantes da pesquisa estão secretários municipais de saúde, gestores e profissionais do SAMU 192 e das equipes das embarcações.
A análise dos resultados perpassa a formulação de mapas de atuação, caracterização técnica das embarcações e análise de conteúdo, com a finalidade de subsidiar a elaboração de diretrizes de implantação e manutenção do serviço de "ambulancha" nos municípios ( MINAYO et al.,1994).

Resultados e Discussão
Ao final da pesquisa foram entrevistados 101 profissionais das Secretarias Municipais de Saúde e do SAMU dos estados do Rio de Janeiro (9), Bahia (25) e Amazonas (67). Os resultados da pesquisa apontam que as comunidades ribeirinhas e costeiras dependem desse serviço de pronto atendimento em todas as regiões visitadas. Dentre os atendimentos de emergências realizados estão: parto, picada de animais peçonhentos, mordida de insetos, reações alérgicas, quedas com fraturas, acidentes de trabalho, ferimentos por arma branca e, menos frequente acidentes vasculares cerebrais, infartos e enforcamento em comunidades indígenas .
Dentre os desafios encontrados para o fortalecimento do serviço de “ambulanchas” do SAMU incluem-se: Cobertura escassa de sinal de telefonia e rádio nas regiões assistidas; Dificuldades na comunicação entre os usuários e a Central de regulação do SAMU 192; Condições adversas de navegação, atracação e embarque de usuários; Carência de equipes de suporte avançado de vida nas "ambulanchas" em regiões afastadas das grandes capitais e ausência de um programa de divulgação do serviço junto às comunidades ribeirinhas e costeiras.


Conclusões / Considerações finais
Apesar da existência de protocolos de atendimento específicos para as equipes de intervenção básica e avançada, foi constatada a falta de padronização e apoio no desenvolvimento, aquisição ou fretagem das embarcações do SAMU 192, a dificuldade de acionar o serviço, a ausência de um programa de divulgação do serviço gerando pouca aderência ao serviço e dificuldade em fortalecer ações de especificidades regionais. Outro fator é a ausência de equipes dedicadas que exige da gestão municipal a adequação das equipes de atendimento terrestre para as equipes de atendimento aquático, perpassando desde adequação de uniformes da equipe, itens tripulados, protocolos assistenciais entre outras questões apresentadas no estudo. Com isso, o estudo busca contribuir com a disponibilização de evidências empíricas a respeito do funcionamento do serviço de atendimento móvel de urgência fluvial - SAMU 192 ao acesso à assistência de urgência e emergência em saúde .


Referências
O’DWYER, G. et al. O processo de implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência no Brasil: estratégias de ação e dimensões estruturais. Cadernos de Saúde Pública, v. 33, n. 7, 7 ago. 2017.
LANÇA, E. DE F. C. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Fluvial de Manaus: perfil dos atendimentos, usuários e fatores relacionados ao agravamento dos atendidos. text—[s.l.] Universidade de São Paulo, 16 ago. 2017.
MINAYO, M. C. DE S. et al. Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade. 21. ed. [s.l.] Vozes, 1994.

Trabalhos Aprovados

Veja as orientações sobre a apresentação dos trabalhos.

SAIBA MAIS
Programação Científica

Consulte a programação completa das palestras e cursos disponíveis.

SAIBA MAIS
Informações Importantes

Informe-se!
Veja as últimas notícias!

SAIBA MAIS