Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA74 - Eixo 8 - POLÍTICAS DE SAÚDE E GESTÃO DO CUIDADO EM REDES (TODOS OS DIAS)

35142 - PREVENÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA NA REDE CEGONHA EM TEMPOS DE COVID19
ANA MARIA OTONI MESQUITA - SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO, LEILA ADESSE - SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO, MARGARETH MAGALHÃES - SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO


Resumo

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)/OMS tem como meta a eliminação da Sífilis Congênita nas Américas definida como a ocorrência de menos de 0,5 casos para cada mil nascidos vivos (NV), meta adotada pelo Ministério da Saúde (MS). Atualmente a taxa do Brasil é de 9,0 por mil NV e o Boletim Epidemiológico Estadual/2019 Rio de Janeiro, aponta para uma taxa de 18,6 por mil NV. Assim, temos um longo caminho a percorrer para cumprir a Agenda de Saúde Sustentável, de 2018 à 2030. (1) Embora a Sífilis seja uma doença para a qual existem recursos diagnósticos e terapêuticos simples e de baixo custo, ela continua sendo um desafio para os profissionais de saúde. Destaca-se: a descentralização de testagem rápida; a descentralização do tratamento da gestante e seus parceiros; o desenvolvimento de estratégias de educação continuada dos profissionais para a prática dos protocolos existentes. Construir linguagens de acolhimento que minimizem barreiras culturais, pois a prevalência da sífilis na gestação é de mulheres de baixa condição econômica, com antecedentes obstétricos de risco, pior acesso a serviços de saúde e maior vulnerabilidade social e reprodutiva. Portanto, o enfrentamento da Sífilis na gestação e da Sífilis Congênita, no âmbito do Rede Cegonha, é fortalecer os objetivos de humanização dos cuidados das gestantes, no caminho para alcançar a meta de erradicação da doença.


Introdução

De 2014 a 2018, foram notificados 18.245 casos de Sífilis Congênita, no estado do Rio de Janeiro, 73,2 % na região Metropolitana I; 15,4% na Metropolitana II; 2,9% na Serrana; 3,1% no Médio Paraíba; 2,2% na Baixada Litorânea; 1,7% Norte Fluminense; 0,7 Baía da Ilha Grande; 0,5 Centro-Sul Fluminense e 0,3 Noroeste Fluminense. Desde 2011, ao lançamento do Programa Rede Cegonha. a área técnica da mulher da Secretaria Estadual de Saúde, coordena o programa, junto aos 92 municípios do Rio de Janeiro. O programa é bem avaliado pela maioria dos pesquisadores voltado para a humanização das ações de pré-natal, parto e puerpério. Metas foram pactuadas para realização de exames e de tratamento das gestantes, e das 7 consultas de pré-natal. Mas, os resultados ficam muito aquém da meta a ser alcançada, apontando para dificuldades culturais para abordarem assuntos referentes à sexualidade com a gestante e seu parceiro. (2) Para falhas na assistência como: início tardio do pré-natal; quebra na continuidade da assistência; dificuldade de diagnóstico e tratamento. Dada a importância da temática, o Ministério da Saúde disponibilizou programa de apoiadores que trabalham em parceria com a Rede Cegonha.


Objetivos

1. Atingir a meta de 0,5% de casos de recém-nascidos infectados com SC;
2. Implicar os profissionais da rede Cegonha no estado, na ação de identificar as dificuldades de abordagem das gestantes, parceiros e familiares, no sentido de elaborar um conjunto de conhecimentos que contribua para a consolidação de um modelo que possa ser replicado;
3. Primeiro passo: Delinear um mapa das dificuldades introduzindo as novas tecnologias de comunicação como google forms e rodas de conversa online.


Metodologia

Estudo piloto com profissionais que compõem a rede de atenção da rede cegonha junto às secretarias municipais e/ou Unidades Básicas de Saúde, em que estes serão protagonistas na articulação da equipe multiprofissional utilizando a metodologia de pesquisa-intervenção, que rompe com os pressupostos da separação entre teoria e prática e entre sujeito e objeto. A palavre INTERVENÇÂO substitui a idéia de ação, denotando outra relação entre teoria e prática, entre sujeito e objeto e recolocando as noções de subjetividade e poder. A pesquisa intervenção se propõe interrogar os jogos de poder encontrados no campo da pesquisa, entendendo INSTITUIÇÃO como uma forma geral que produz e reproduz as relações sociais. Na confrontação permanente entre instituído e instituinte onde se encontram as possibilidades de produzir os deslocamentos necessários para transformação. Implicar os profissionais de saúde na produção de vínculo nas práticas de saúde. (3)

Resultados e Discussão

Na medida que trata-se de um estudo piloto em construção em conjunto com a equipes da rede cegonha, o resultado primordial é alcançar a implicação desses profissionais de saúde com a prevenção, tratamento e cura das gestantes no período de abrangência da rede cegonha, e que possa fortalecer vínculos de cuidados consigo mesmo, seu corpo sua mente que sejam fortes e perenes, para atingir os três objetivos enumerados acima. O vínculo em prática de saúde tem um efeito benéfico na saúde como um todo, um sistema que vai se interconectando, fortalecendo as redes de cuidados nos territórios mais distantes. (4) Outro desdobramento do trabalho seria construir um conjunto de conhecimentos a partir do diálogo entre profissionais e gestante, que contribua para a consolidação de um modelo que possa ser replicado.

Conclusões / Considerações finais

A Sífilis Congênita é um agravo de notificação compulsória, classificada como doença infecto-contagiosa sistêmica crônica, resultante da disseminação hematogênica do Treponema Pallidum, por via transplacentária, em qualquer momento da gestação ou estagio clínico da doença na gestante. Causa sequelas graves estão a ceratite intersticial com cegueira, surdez neurológica, hidrocefalia e retardo mental. A exposição durante o período gestacional, pode trazer sérias consequências para a mulher e seu bebê como grande morbidade intrauterina, abortamento, neo-mortalidade e complicações precoces e tardias em NV. (5). Apesar da doença dispor das ferramentas de diagnóstico e tratamento gratuito na rede de saúde, enfrenta preconceito social, subnotificação, a não priorização dos gestores para a melhoria dos cuidados da gestantes e dos parceiros sexuais. Intervenções nas equipes de atenção à saúde da gestantes e parceiros são necessárias para melhoria na abordagem.

Referências

1. Boletim Epidemiológico Gerência Estadual de IST/AIDS e Hepatites Virais - Rio de janeiro/2019;
2. Montalvão, A S - Desafios da Redução da Sífilis Congênita: avaliação de implantação de ações de pré-natal no âmbito da Rede Cegonha na Atenção Baásica de Palmas/TO -Dissertação de Mestrado pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia;
3. Mendes, R; Pezzato, LM; Sacardo, DP - Pesquisa-Intervenção em promoção de saúde: desafios metodológicos de pesquisar "com" -Ciência e Saúde Coletiva vol.21 no 6 Janeiro a Junho 2016;
4. Seixas, CT; Baduy, RS; Cruz, KT; Bortoletto, MSS; Slomp Junior H; Merhy, EE. Interface (Botucatu) 2019;
5. Domingues, RMS; Saraceni, V; Hartz, ZMA; Leal, MC - Sífilis Congênita: evento sentinela da qualidade da assistência pré-natal, Fiocruz - 2012 disponível em www.scielo.br/rsp

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