Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA20 - Eixo 1 - Política Ambiental e Saúde na Amazônia (TODOS OS DIAS)

35121 - CARTOGRAFIA SOCIOAMBIENTAL DE BARRA LONGA E MARIANA ATINGIDAS POR BARRAGEM DA SAMARCO/VALE/ BHP/BILLITON : PERDAS ECOSSISTÊMICAS
DULCE MARIA DULCE MARIA PEREIRA - UFOP, VINICIUS SANTILLI - UFOP, ALINE SILVA - AEDAS, LINEU VIANA DE OLIVEIRA RIBEIRO - AEDAS, TANIELE DA SILVA BRITO - UEG


Resumo
Após a ruptura da Barragem de Fundão, a equipe do Laboratório de Educação Ambiental e Pesquisa da UFOP (LEA :AUEPAS) iniciou contatos com as pessoas atingidas de Barra Longa, objetivando organizar um projeto de apoio a escolas..Em contato com o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), identificou-se a impactante vulnerabilidade das pessoas no território, que descreviam sintomas que poderiam ser causados por elementos contaminantes.Testes laborais identificaram no ambiente presença de metais e metalóides acima do valor tolerável. Processos de biocontaminação foram foram constatados. Em 2017, constituídas assessorias dos atingidos, as mesmas aportaram recursos para que, de forma estruturada, fosse possível produzir um estudo interdisciplinar, com abordagens transdisciplinares, fenomenológico, destinado a desenhar uma cartografia de Mariana e Barra Longa, identificando riscos e vulnerabilidades. Cáritas e Aedas foram as instituições que definiram a dinâmica dos trabalhos. A escuta dos grupos de atingidos, de integrantes do judiciário, de pesquisadores e outras instituições, orientou o rumos das pesquisas. O suporte às equipes, por parte das assessorias e de pessoas nativas dos municípios, facilitou a penetração das equipes em todas as localidades impactadas. O trabalho destina-se a garantir reparação integral aos atingidos e a ancorar a tomada de decisão pelos poderes.


Introdução
O rompimento da barragem de rejeitos da mineração de Fundão, no subdistrito de Bento Rodrigues do município de Mariana, Minas Gerais, propriedade da Samarco Mineração,Vale e BHP Billiton, em 5 de novembro de 2015 resultou no maior desastre ambiental da história brasileira, e do mundo na área da mineração. O desastre tecnológico provocou o vazamento dos rejeitos que, atingindo a Barragem de água de Santarém galgaram, afetando 230 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, que integram a Bacia do Rio Doce . Cerca de 55 bilhões de metros cúbicos de lama carrearam rejeitos, revolveram solos e atingiram recursos hídricos. Este artigo sintetiza pesquisas realizadas de 2015 a 2019, em Mariana e Barra Longa, que identificam, em forma de cartografia socioambiental, perdas ecossistêmicas, danos aos atingidos e riscos à saúde humana causados por práticas de necroengeharia e descaso com os resultados de análises científicas que identificam presença de metais e metalóides no ambiente, em quantidade superior à permitida. Encontraram-se patógenos onde há metais e esgoto domiciliar. Identifica danos sistêmicos após 5 anos sem reparação integral aos atingidos, que continuam expostos a riscos.


Objetivos
O objetivo do artigo é compartilhar processos, metodologias e resultados de pesquisa transdisciplinar que identifica perdas ecossistêmicas resultantes do colapso da barragem de Fundão. Foram devastados cerca de 1469 hectares de terra ao longo de 77 quilômetros do rios Gualaxo do Norte e do Carmo. O texto traz dados e riscos aos quais as comunidades continuam submetidas, devido à desqualificação de avaliações científicas e dos relatos dos habitantes nas tomadas de decisão.


Metodologia
As pesquisas apresentadas neste artigo associam métodos e processos qualitativos e quantitativos para identificar perdas ecossistêmicas, danos morais, materiais, imateriais,riscos e a vulnerabilização por deslocamentos forçados. Para estudo das redes das comunidades, ademais as formadas pós-rompimento, utilizou-se o MetaboAnalystR. Análises físico-químicas foram realizadas segundo os protocolos, parâmetros e normas técnicas vigentes para verificar a qualidade da água, do ar, do solo e de alimentos. Mapas ambientais foram produzidos por sistemas SIG.. Diagnóstico Participativo foi o método para a escuta aos atingidos, também entrevistadas em rodas de conversa e por meio de áudio-questionários. Pesquisas bibliográficas de campo ancoraram a sistematização de perdas ecossistêmicas. A comunicação de riscos e devolutiva dos resultados foi realizada sob a coordenação das assessorias dos atingidos, Cáritas e Aedas, incluindo a produção de e-books e cartilhas em linguagem acessível.


Resultados e Discussão
O desastre ocorrido o complexo minerário de Fundão,então controlado pela Samarco Mineração S.A, propriedade da Vale S.A. foi uma tragédia anunciada (MILANEZ e LOSEKANN, 2016). Os riscos decorrentes tornaram-se sistêmicos, conforme identificado na pesquisa que ancora este artigo. Os estudos realizados apontam perdas ecossistêmicas como contaminação do solo, da água e do ar por metais e metalóides nocivos à saúde humana. Demonstram aumento da temperatura do solo onde há rejeitos da mineração concentrados e acúmulo de resíduos em curvas do rio, que se movimentam principalmente em decorrência de chuvas. Identificou-se a presença de metais e esgoto humano em pontos coincidentes aos estudados por Daise dos Reis, que informa sobre a correlação positiva entre a existência de adenovírus e lançamento de esgoto humano na presença de arsênio, bário, ferro, chumbo, manganês e níquel (REIS et al, 2019). As perdas ecossistêmicas, as exposições a contaminantes e patógenos,a ruptura de vínculos e os embates com as empresas mineradoras por reparação, impactaram a vida dos atingidos, reduzindo a oferta de alimentos, empobrecendo as famílias e causando adoecimentos físicos e sofrimento mental.


Conclusões / Considerações finais
As comunidades atingidas tornaram-se dependentes de decisões de Fundação criada pelas empresas com a finalidade de operar a reparação na Bacia do Rio Doce. O conflito de interesses é desigual. A minero dependência assegura superpoderes às mineradoras. Identificam-se práticas de epistemicídio eecocídio para fragilização comunitária,sendo as áreas dos atingidos transformadas em territórios de sacrifício, privilegiados para a extração de minérios. Desde a primeira pesquisa publicada (VORMITTAG, 2018), que identificou o aumento de Arsênio e Níquel no sangue de pessoas atingidas, até as realizadas pelas assessorias do Ministério Público, as empresas contestam resultados.Operações nos territórios expandem riscos, com frequência. Em Barra Longa a movimentação de rejeitos em caminhões descobertos distribuiu poeira. Doenças respiratórias aumentaram na localidade. As comunidades valorizam as pesquisas científicas para exercerem direitos e para disputar as narrativas sobre suas realidades.








Referências
REIS, D.A., et al. The Relationship Between Human Adenovirus and Metals and Semimetals in the Waters of the Rio Doce, Brazil. Arch Environ Contam Toxicol 77, 2019. p. 144–153.
AGÊNCIA BRASIL. Análise da anvisa sobre consumo de peixes do Rio Doce gera divergência. 2019. Disponível em: . Acesso em: 30 de out. 2020.
VORMITTAG, Evangelina. Município de Barra Longa - MG: Resultado dos exames toxicológicos. 2018. Disponível em: Acesso em: 30 de out. 2020.
MILANEZ, Bruno, and LOSEKANN, Cristiana. Desastre no Vale do Rio Doce: antecedentes, impactos e ações sobre a destruição. Letra e Imagem Editora e Produções LTDA, 2016.

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