Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA11 - Eixo 10 - Produção de Conhecimento em Política, Planejamento e Gestão no Contexto da Saúde Coletiva (TODOS OS DIAS)

35116 - EMPODERAMENTO SOCIAL NO ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA DA COVID-19 NA CIDADE ESTRUTURAL/DF – UMA EXPERIÊNCIA DE INTEGRAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E APLICAÇÃO
LARA CRISTINA BORGES LELES - FIOCRUZ, WAGNER DE JESUS MARTINS - FIOCRUZ, FLORA FONSECA - FIOCRUZ, DEUZANI CANDIDO NOLETO - IFB, CANDACE COSTA CUNHA - IFB, JOELMA SIVA - IFB


Resumo
Esta experiência visa contribuir para a importância da mobilização social para a gestão participativa, para o desenvolvimento local e para a saúde coletiva a partir da inter-relação entre escola e uma rede sociotécnica que culminou na articulação de diversos atores na busca por ampliação das capacidades e da resiliência para o enfrentamento da Pandemia da COVID-19 na Cidade Estrutural do Distrito Federal (DF).
A Fiocruz/Brasília, Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal de Brasília (IFB) promoveram em 2019 o curso de Governança Territorial para o Desenvolvimento Saudável e Sustentável (GTDSS) nas modalidades de Especialização e Curso Livre, baseado em metodologias ativas que promovem a integração de ensino, pesquisa e extensão visando uma prática intersetorial considerando as relações de produção local e a formação de pesquisadores sociais - Agentes de Governança Territorial (AGT). A maioria dos alunos fazia parte da Rede Social Local ou eram líderes comunitários e a metodologia aplicada permitiu o desenvolvimento do empoderamento social por meio da inteligência cooperativa e da governança territorial.
O advento da Pandemia da COVID-19 potencializa os impactos sanitários e sociais nesse território onde estão presentes inúmeras vulnerabilidades, alertando para efeitos ainda mais perversos sobre os Determinantes Sociais da Saúde.


Introdução
O curso de Governança Territorial para o Desenvolvimento Saudável e Sustentáve (GTDSS) foi desenvolvido na Cidade Estrutural após a identificação de fatores nos condicionantes da população e os desafios da promoção da saúde à uma população vulnerabilizada durante décadas. O Brasil é o segundo país mais desigual do mundo e a Cidade Estrutural registra os piores índices socioeconômicos do DF.

Após a declaração de emergência internacional de saúde pública devido à pandemia da COVID-19, preocupados com os efeitos da pandemia em um território marcado pela desigualdade, os alunos do curso de GTDSS – que em sua maioria são parte da rede social local ou líderes comunitários – resolveram aplicar a metodologia de ciência aberta aprendida para o desenvolvimento de capacidades e ações efetivas para o empoderamento social por meio da inteligência cooperativa e da governança local.
Na integração ensino-pesquisa-extensão a interdisciplinaridade e as trocas de saberes entre diversos atores e a comunidade possibilitou discussões e o engajamento para a construção de um Território Saudável e Sustentável.


Objetivos
Discorrer como o curso de GTDSS e sua prática considerando as relações de produção local, as tecnologias sociais e a integração EPA possibilitaram a inserção de diferentes atores nas ações de mitigação dos impactos da pandemia no território da Cidade Estrutural. A organização comunitária em um espaço de colaboração que permite a mobilização para as decisões nos espaços de governança local e o direcionamento das ações de acordo com a dinâmica social, tal como é sentida pela própria Comunidade.

Metodologia
A experiência se utiliza da Pesquisa-Ação e da Ecologia de Saberes. Ações coordenadas foram articuladas: 1) os alunos do curso GTDSS montaram um Comitê Local com Instituições locais e a comunidade acadêmica das 3 instituições em uma integração EPA; 2) As capacidades sociais do território e seus arranjos locais de produção foram artefatos para a inclusão produtiva solidária gerando trabalho e renda aos artesãos que participam do processo de produção e distribuição de produtos de proteção individual, higiene pessoal e coletiva; 3) Em uma integração APS/Comunidade é possível o compartilhamento de informações científicas que direcionam as ações de acordo com a necessidade em saúde no território; 4) A Comunicação Social foi feita a partir de uma plataforma de inteligência cooperativa para a estratégia de compartilhamento de informações e campanhas virtuais com base no diálogo e cultura da própria Comunidade; 5) Criação de um fundo social para a ampliação das ações no pós-surto.

Resultados e Discussão
Em uma integração sociedade-universidade, o curso habilitou atores sociais a lidar com dados e conhecimento de forma científica e em conjunto com o saber territorial existente.
Após a notícia da pandemia e seus impactos, os alunos se articularam em um comitê integrando diferentes atores em ações solidárias no território. A Tecnologia Social que se desenvolve perpassa pelo diálogo entre os saberes populares e científicos, pelo agir comunicativo e pela participação popular na mobilização de recursos e capacidades que são empregados nas ações de mitigação dos impactos da COVID-19.
Com o aprendizado e a apropriação do conhecimento, os alunos em uma vigilância popular puderam se mobilizar numa construção coletiva e com a interação de saberes implementaram um projeto de intervenção local, fortalecendo o empoderamento social e a rede sociotécnica, tendo como resultado o desenvolvimento de um processo participativo, a ampliação da capacidade de resposta e a resiliência da comunidade contra os efeitos da Pandemia e suas consequências.


Conclusões / Considerações finais
A história da Cidade é marcada pela participação política da comunidade desde o início. Neste momento em que os territórios vulnerabilizados enfrentam impactos diretos nos condicionantes e determinantes da saúde, o curso e experiência de extensão são estratégicos para a construção coletiva, o empoderamento social e a mobilização para a construção de um território saudável. As ações comunitárias quando interagem com as políticas públicas se materializam em desenvolvimento, em suas dimensões ambientais, culturais, econômicas, políticas e sociais. (Huet et al. 2017)
Os alunos em uma vigilância popular identificam os desafios, demandas e necessidades e partir de suas capacidades contribuem ativamente para a superação dos dilemas sociais e das desigualdades em saúde. A ciência cidadã foi fundamental para o incremento de competências técnicas e conversacionais e amplia o diálogo e a mobilização dos atores nos espaços de governança e de planejamento das políticas públicas em saúde.



Referências
ALMEIDA FILHO. O que é saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2011.
BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. Saúde e seus Determinantes Sociais. PHYSIS: Rev.
Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 17(1): 77-93, 2007. Disponível:
MACHADO et al. Territórios saudáveis e sustentáveis: contribuição para saúde coletiva, desenvolvimento sustentável e governança territorial. Comun. ciênc. saúde, n. 28.
MARTINS, J. W. Redes Sociotécnicas e Integração de Políticas Públicas no Distrito Federal.
Rev. Brasília em destaque n. 17: Informação, planejamento e gestão pública em saúde: a
importância da atenção primária. Brasília, Codeplan, Setembro, 2017, p.28-31. Matus C.
Política, planejamento e governo.
Plano Pedagógico do curso de especialização em Governança Territorial para o Desenvolvimento Saudável e Sustentável. 2019.
SANTOS, C.S. ÁREA DE RISCO OU ÁREA DE RISCO: Teorias sobre política, direito e
respeito na Cidade Estrutural. UnB, Brasília, 2013.

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