Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA55 - Eixo 7 - EDUCAÇÃO EM SAÚDE (TODOS OS DIAS)

35099 - A EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE COMO FERRAMENTA DE PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO
MARCELO THOMAS AQUINO - UFMG, SAYURI HIASMYN GUIMARÃES PEREIRA DOS SANTOS - UFMG, ALZIRA DE OLIVEIRA JORGE - UFMG


Resumo
Apesar dos avanços do Brasil em relação ao incentivo ao Aleitamento Materno (AM) alcançados por meio de políticas públicas, o país permanece muito distante das metas propostas pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde. Logo, destaca-se a necessidade de se investir em novas estratégias de incentivo ao AM. O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de discentes na utilização da Educação Popular em Saúde (EPS) como ferramenta de promoção do AM, por meio de um projeto de extensão universitário realizado em uma maternidade pública. A metodologia trata-se de um relato de experiência de intervenção utilizando-se da ferramenta da EPS, acerca da temática do AM; as ações foram efetuadas a partir de uma dinâmica de grupo em que estudantes e usuários compartilharam saberes acerca do AM. No total das 48 abordagens de puérperas, observou-se uma forte influência das crenças, mitos e tradições acerca da amamentação. Enquanto estudantes, os autores tiveram a oportunidade de compreender, diante da atividade realizada à luz da EPS, a lactação sob as perspectivas da nutriz. Conclui-se, portanto, que a EPS pode constituir uma importante ferramenta no incentivo ao AM, visto que atua junto às puérperas, dialogando e conhecendo suas necessidades, diversidades, saberes e realidades, bem como compartilhando orientações personalizadas e aplicáveis à realidade de cada lactante.

Introdução
Os vários benefícios gerados pela amamentação às crianças, às mulheres, às famílias, aos sistemas de saúde e à sociedade, em curto e longo prazos, são amplamente conhecidos e defendidos por toda a comunidade médico-científica. Nesse sentido, o Brasil, desde a década de 1980, desenvolve ações de incentivo ao Aleitamento Materno (AM), como a criação do Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (Pniam) em 1981, da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil em 2013 e da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança em 2015. Entretanto, apesar dos significativos avanços, o país permanece distante das metas propostas pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde de AM exclusivo até o 6º mês de vida e manutenção da amamentação até o 2º ano de vida ou mais. Logo, destaca-se a necessidade de se investir em novas estratégias de incentivo ao AM. Nesse sentido, a ferramenta da Educação Popular em Saúde (EPS) apresenta-se como possível aliada para contribuir com os avanços necessários à promoção, à proteção e ao apoio ao AM no país.

Objetivos
Entendendo a relevância da promoção da EPS como possível estratégia de incentivo ao AM, este trabalho tem por objetivo relatar a experiência de discentes no desenvolvimento de competências, difusão do conhecimento e incentivo à mobilização social a respeito do AM, por meio de um projeto de extensão universitário realizado em uma maternidade pública de Belo Horizonte/MG.

Metodologia
Trata-se de um relato de experiência de discentes em uma intervenção prática, utilizando-se da ferramenta da EPS acerca da temática do AM, de um projeto de extensão universitário em uma maternidade pública de Belo Horizonte/MG. As intervenções tiveram duração de quatro horas e foram realizadas em seis dias nas enfermarias da maternidade, alcançando um total de 48 puérperas. As ações foram conduzidas a partir de uma dinâmica de “mitos e verdades”, em que os discentes distribuíram fichas às mães, contendo proposições a respeito do AM. Após a entrega das fichas, as puérperas eram convidadas a relatar suas vivências, experiências e conhecimento acerca das afirmativas e a classificá-las, ao final, como mito ou verdade. Após ouvir atentamente os relatos das participantes, os discentes traziam para a discussão referências e dados científicos a respeito da proposição em questão. Assim, a atividade teve como fundamento a comunicação horizontal e a troca de experiências entre os acadêmicos e as mães.

Resultados e Discussão
No total das 48 abordagens, foram observadas importantes interações e trocas por meio da dinâmica, que possibilitou um aprendizado tanto para os estudantes quanto para as mães. Em uma análise geral dos relatos das puérperas, observou-se forte influência das crenças, mitos e tradições acerca da amamentação. Pode-se refletir, diante disso, sobre o papel vital das crenças, visto que elas são capazes de revelar o significado de um determinado assunto para a sociedade e de agir sob os humanos como um estímulo forte que conduz pensamentos e ações diante da realidade existencial, ao longo de várias gerações. Assim, diante dessas condições, os discentes interferiram de modo a não desconsiderar, em hipótese alguma, as crenças, mitos e tradições trazidos pelas mães. Além disso, os alunos apresentaram, após os relatos, dados, informações e orientações científicas a respeito do tema abordado, servindo-se de uma disposição didática e lógica de um novo ponto de vista para as lactantes, para que elas, por si mesmas, refletissem sobre suas crenças e comportamentos, e avaliassem os benefícios das orientações para si e para seus filhos.


Conclusões / Considerações finais
Enquanto estudantes, os autores tiveram a oportunidade de compreender, diante da atividade realizada à luz da EPS, a lactação sob as perspectivas da nutriz, compreendendo seus mitos e crenças adquiridas através da cultura. Com isso, espera-se que a iniciativa, criada a partir de um projeto de extensão universitária, contribua com a formação de profissionais mais sensíveis às condições de vida da população e comprometidos com um cuidado que envolva escuta atenta e conexões de saberes que trazem ações que realmente atendem às necessidades de saúde dos usuários. Conclui-se, portanto, que a EPS, já orientada pela Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde, pode configurar-se com uma ferramenta no incentivo ao AM, visto que atua junto às puérperas, dialogando e conhecendo suas necessidades, diversidades, saberes e realidades, bem como compartilhando orientações personalizadas e aplicáveis à realidade de cada lactante.

Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília : Ministério da Saúde, 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável no Sistema Único de Saúde: manual de implementação. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.

RODRIGUES, Andréia Lilian Lima et al. Contribuições da extensão universitária na sociedade. Caderno de Graduação - Ciências Humanas e Sociais - UNIT - SERGIPE, v. 1, n. 2, p. 141–148, 25 fev. 2013.

SILVA, Débora Stéffanie Sant’Anna da et al. Promoção do aleitamento materno: políticas públicas e atuação do enfermeiro. Cadernos UniFOA, Volta Redonda, n. 35, p. 135-140, dez. 2017.

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