Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA43 - Eixo 5 - Gestão e saúde bucal (TODOS OS DIAS)

35095 - ANÁLISE DA PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO PERMANENTE NOS CENTROS DE ESPECIALIDADES ODONTOLÓGICAS DO BRASIL
LUCAS RAFAEL BORGES SANTOS - UFPE, THERESA PRISCILLA CALADO DE BARROS GONÇALVES - UFPE, MANUELA DE SOUZA CALADO - UPE, PETRÔNIO JOSÉ DE LIMA MARTELLI - UFPE


Resumo
A Educação Permanente em Saúde (EPS) é aprendizagem no trabalho, onde aprender e ensinar incorporam-se às organizações e processos de trabalho. O objetivo do estudo foi avaliar a partir de padrões específicos do PMAQ-CEO o cumprimento da educação permanente entre os profissionais nos centros de especialidades odontológicas do Brasil e identificar sua relação com variáveis de contexto dos municípios brasileiros. Trata-se de um estudo observacional transversal descritivo, onde foram utilizados dados secundários da avaliação externa do programa de melhoria do acesso e qualidade dos centros de especialidades odontológicas (PMAQ-CEO) 1º ciclo, disponibilizados no DAB/SUS. O número de unidades que não realizam a educação permanente é maior (50,5%) do que as que praticam (49,5%), porém, o teste de comparação de proporção não foi significativo (p-valor = 0,743). Das unidades que promovem ações de educação permanente, a maioria significativa faz a troca de experiência (63,3%) . Nos CEO do Brasil a telessaúde, o telediagnóstico, teleconsultoria, podem ser mais explorados tendo por fim a capacitação dos cirurgiões-dentistas e a formação dentro das diretrizes da política nacional de educação permanente. O processo de ensino e aprendizagem não deve restringir-se a transferência de normas e protocolos, deve-se destacar a experiência profissional e a experiência pessoal deve ser considerada.

Introdução
Na área da saúde a educação deve ser trabalhada de maneira permanente e dinâmica, buscando construir espaços coletivos para a reflexão e avaliação, pondo o cotidiano do trabalho em análise. A Educação Permanente em Saúde (EPS) é aprendizagem no trabalho, onde aprender e ensinar incorporam-se às organizações e processos de trabalho. Na realidade a EPS destaca-se pela valorização do trabalho como fonte do conhecimento, vinculação do cotidiano e do processo de aprendizagem, orientação das ações educativas para a integração do trabalho de maneira inter e multiprofissional. A política nacional de educação permanente reitera que este tipo de educação é transversal a todas as especialidades e no contexto da saúde bucal a participação dos próprios cirurgiões dentistas dos municípios como facilitadores do processo de educação permanente possibilitam uma valorização profissional bem como contribui na construção de uma aprendizagem significativa dentro do serviço.

Objetivos
Avaliar a partir de padrões específicos do PMAQ-CEO o cumprimento da educação permanente entre os profissionais nos centros de especialidades odontológicas do Brasil e identificar sua relação com variáveis de contexto dos municípios brasileiros.

Metodologia
Estudo observacional transversal descritivo, onde foram utilizados dados secundários da avaliação externa do programa de melhoria do acesso e qualidade dos centros de especialidades odontológicas (PMAQ-CEO) 1º ciclo, disponibilizados no DAB/SUS. As variáveis selecionadas são referentes a educação permanente, presentes no módulo entrevista com o gerente e um cirurgião-dentista do CEO, além da verificação documental, foram avaliados 930 CEO do Brasil. Com o intuito de compreender se há disparidades entre as diversas regiões do país quanto à promoção da educação permanente foram investigadas correlações entre os dados do PMAQ-CEO e variáveis contextuais dos municípios: IDHM, GINI, População e densidade demográfica, aplicando o teste qui quadrado de Pearson, teste de Shapiro-Wilk e Mann-Whitney considerando intervalo de confiança de 95%.

Resultados e Discussão
No geral, o número de unidades que não realizam a educação permanente é maior (50,5%) do que as que praticam (49,5%), porém, o teste de comparação de proporção não foi significativo (p-valor = 0,743). Das unidades que promovem ações de educação permanente, a maioria significativa faz a troca de experiência (63,3%), mas não realiza tutoria/preceptoria (85,7%) nem a telesaúde (90,2%). Ainda, observa-se que das unidades que praticam a telesaúde a maioria tem por finalidade segunda opinião formativa (53,3%) e tele-educação (62,2%), mas não para telediagnóstico (60,0%) e teleconsultoria (57,8%). Verifica-se semelhante estatística da distribuição do nível de IDHm. GINI e densidade demográfica entre as unidades que realizam e que não realizam a telessaúde (todos os p-valor foi maior que 0,05). A prática da educação permanente nos CEO do Brasil ainda se apresenta tímida, pouco desenvolvida e explorada. A formação contínua dos profissionais dos serviços odontológicos é importante ferramenta no processo de trabalho desses profissionais. Constitui-se um desafio a incorporação de ferramentas digitais em práticas como a telessaúde em muitos municípios brasileiros.

Conclusões / Considerações finais
O processo de ensino e aprendizagem não deve restringir-se a transferência de normas e protocolos, deve-se destacar a experiência profissional e a experiência pessoal deve ser considerada. A bagagem de conhecimentos que o indivíduo traz deve ser considerada e agregada ao desenvolvimento de um serviço de qualidade. Nos CEO do Brasil a telessaúde, o telediagnóstico, teleconsultoria, podem ser mais explorados tendo por fim a capacitação dos cirurgiões-dentistas e a formação dentro das diretrizes da política nacional de educação permanente.

Referências
1. Cardoso IM. “Rodas de Educação permanente” na Atenção Básica de saúde: analisando contribuições. Saúde São Paulo. 2012; 21:18-28.
2. Mendonça FF, Nunes EFPA. Necessidades e dificuldades de tutores e facilitadores para implementar a política de educação permanente em saúde em um município de grande porte no estado do Paraná, Brasil. Interface (Botucatu). 2011; 15(38):871-82.
3. Noro LRA, Santos BCSF, Souza PHS, Pinheiro IAG, Borges REA, Nunes LMF, Cruz RCS, Silva SM. O professor (ainda) no centro do processo de ensino-aprendizagem em odontologia. Rev ABENO. 2015; 15(1):2-11.
4. Carvalho BG, Turini B, Nunes EFPA, Bandeira IF, Barbosa PFA, Takao TS. Percepção dos médicos sobre o curso Facilitadores de Educação Permanente em Saúde. Rev Brasil de Educação Médica. 2011; 35(1): 132-41.

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