Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA52 - Eixo 7 - CAPACITAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO EM SAÚDE (GRUPO III) (TODOS OS DIAS)

35093 - O APRIMORAMENTO DE ENFERMEIRAS OBSTETRAS NA MUDANÇA DO MODELO DE ASSISTÊNCIA AO PARTO E NASCIMENTO: A EXPERIÊNCIA DO PROJETO APICEON EM SÃO PAULO
CÍNTIA ERBERT - PARTO DO PRINCÍPIO - MULHERES EM REDE PELA MATERNIDADE ATIVA E PACTO SOCIAL MUNICIPAL PELA HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA AO PARTO DE RIBEIRÃO PRETO, ANA PAULA PINHO CARVALHEIRA - CENTRO UNIVERSITÁRIO SUDOESTE PAULISTA - UNIFSP/AVARÉ, FABIANA SWAIN MÜLLER - REDE INTERNACIONAL EM DEFESA DO DIREITO DE AMAMENTAR -IBFAN BRASIL, LÍDIA MARIA BELONI SILVA - PARTEIRA URBANA, SANDRA FERREIRA SILVA DE ALMEIDA - ACSC - HOSPITAL AMPARO MATERNAL, DENISE YOSHIE NIY - PARTO DO PRINCÍPIO - MULHERES EM REDE PELA MATERNIDADE ATIVA E GRUPO DE ESTUDOS GÊNERO, EVIDÊNCIAS, MATERNIDADE E SAÚDE - GEMAS/FSP/USP


Resumo
O Projeto ApiceON foi uma parceria entre o Ministério da Saúde e instâncias locorregionais do SUS com condução da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Seu principal objetivo foi promover a mudança de modelo de assistência à saúde reprodutiva da mulher, intervindo diretamente no campo de práticas dos profissionais em formação. Neste relato, abordaremos a experiência trazida pelo Curso de Aprimoramento para Enfermeiras Obstetras com foco na Atenção ao Parto e Nascimento (CAEO/PN) em serviços do estado de São Paulo aderidos ao Projeto pela perspectiva das autoras, que atuaram como mediadoras dentro dos serviços. Participaram do Aprimoramento 27 profissionais pertencentes a 12 diferentes hospitais ApiceON paulistas, em processo que que envolveu atividades teórico-práticas desenvolvidas no Hospital Sofia Feldman (HSF), em Belo Horizonte/MG. São relatadas as dificuldades percebidas e os resultados positivos e promissores ao final do processo. Também são feitas sugestões para futuras iniciativas.

Introdução
O Projeto ApiceON – Aprimoramento e Inovação no Cuidado e Ensino em Obstetrícia e Neonatologia foi uma iniciativa desenvolvida entre 2017 e 2020 em diversos serviços do país. Foi fruto de parceria entre o Ministério da Saúde (MS) e instâncias locorregionais do SUS, sendo conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Seu principal propósito foi promover a mudança de modelo de assistência à saúde reprodutiva da mulher, intervindo diretamente no campo de práticas dos profissionais em formação (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2017). Dentro dessa proposta, o Curso de Aprimoramento para Enfermeiras Obstetras com foco na Atenção ao Parto e Nascimento: qualificação dos processos de atenção e gestão (CAEO/PN), realizado desde 2013 pela estratégia Rede Cegonha, ressurgiu para dentro do Projeto ApiceON com o objetivo de suprir as demandas dos serviços aderidos ao projeto e alavancar, pela “força” das repercussões, movimentos de mudança nos modelos assistenciais.

Objetivos
Somos mulheres com distintas formações, contextos de atuação, experiências pessoais e profissionais. Assumimos a função de mediadoras dentro da estrutura do Projeto ApiceON, com execução das atividades e ações de intervenção e indução de mudanças nos serviços participantes, tendo como orientadora a Política Nacional de Humanização. Neste relato, abordamos a experiência trazida pelo CAEO/PN em serviços do estado de São Paulo aderidos ao Projeto, na perspectiva do apoio institucional.

Metodologia
O CAEO/PN é uma modalidade de formação dos Programas de Aperfeiçoamento do SUS e tem entre os objetivos “fomentar o protagonismo da Enfermagem na qualificação dos processos de cuidado e gestão e articulação de equipes multiprofissionais e integradas, desenvolvendo competências que instrumentalizem a enfermeira no resgate e fortalecimento de sua prática” (SOUZA; SANTOS-FILHO, 2020). No ApiceON, o aprimoramento ocorreu em Belo Horizonte (MG), oferecida pela Escola de Enfermagem da UFMG em parceria com o Hospital Sofia Feldman (HSF).Foram oferecidas 10 turmas e 6 vagas em cada. Entre os 20 serviços paulistas aderidos ao Projeto, 12 participaram e enviaram 27 profissionais. As participantes passaram 15 dias em Belo Horizonte. Foram 132 horas, sendo 96 de atividades práticas (distribuídas em plantões de 12 horas) e 36 de atividades teóricas. Gastos de deslocamento e permanência foram custeados pelo projeto.

Resultados e Discussão
Enxergamos o aprimoramento como vivência de assistência qualificada e ferramenta de mudança dos rumos do projeto dentro dos serviços, mas alguns não participaram por não enxergarem a oportunidade. Outros não tinham EOs em seus quadros. Entre os participantes, não foi fácil selecionar profissional com registro ativo de EO, perfil de iniciativa para trazer o movimento esperado e disponibilidade de permanecer 15 dias longe, além da viabilidade da liberação pelo serviço. Observamos profissionais que não compreenderam o valor do aprendizado, que não conseguiram vivenciá-lo integralmente, ou que tiveram um choque por virem de serviços com realidades de recursos e processos distintas. Os desfechos foram diversos: em alguns serviços, a experiência de autonomia das EOs dificultou a discussão pela inflexibilidade de alguns profissionais; em outros se tornou apenas um relato, sem força para mudanças. Mas para muitos, foi mola propulsora de movimentos que deram voz e visão ao trabalho das EOs. Passaram a atuar com maior autonomia, ampliando o uso de tecnologias leves e capacitando as equipes a qualificar sua assistência, em alguns casos atuando junto aos residentes de medicina.


Conclusões / Considerações finais
De maneira geral, avaliamos a estratégia do CAEO para dentro do ApiceON de maneira bastante positiva, inclusive gerando produções (SANFELICE et al., 2020). Para alguns serviços, foi a oportunidade de fazer a maternidade se destacar diante da própria gestão, que passou a enxergar o Centro Obstétrico com outros olhos. Como sugestões para as próximas oportunidades, salientamos a necessidade de pactuar com as aprimorandas, antes de seu deslocamento para o curso, um termo de compromisso que implique sua permanência no serviço por um período determinado após o curso, de maneira que seu aprimoramento em campo possa reverberar no serviço de origem. Da mesma maneira que o gestor se compromete a manter as aprimoradas na assistência ao trabalho de parto e parto (expediente que muito nos auxiliou), as profissionais também precisam assumir tal responsabilidade.

Referências
MINISTÉRIO DA SAÚDE. ApiceON – Aprimoramento e Inovação no Cuidado e Ensino em Obstetrícia e Neonatologia. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017.
SANFELICE, C.F.O.; TIBURCIO, C.A.; ANASTÁCIO, J.V.; BARROS, G.M. Curso de aprimoramento para enfermeiras obstétricas do Projeto ApiceON: relato de experiência. Esc. Anna Nery {on-line] vol.24, n,2, 2020.
SOUZA, K.V.; SANTOS-FILHO, S.B. Cursos de qualificação profissional no desafio da formação-intervenção: foco na enfermagem obstétrica. In: Souza, K.V.; Santos-Filho, S.B. (orgs.) Educação Profissional em Saúde: metodologia e experiências de formação-intervenção-avaliação. Moriá Editora: Porto Alegre, p. 65-78, 2020.

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