Comunicação Oral

24/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC23 - Eixo 2 - Relações federativas, assistência à saúde e desigualdades

35037 - REDE DE SERVIÇOS DE SAÚDE PARA MULHERES COM C NCER DE COLO DE ÚTERO: EVIDÊNCIAS A PARTIR DA COMISSÃO INTERGESTORES REGIONAL DE JUAZEIRO - BAHIA
DANIELA GOMES DOS SANTOS BISCARDE - UFBA, DÉBORA RAMOS FIGUEREDO - UFBA, CÉLIA COUTO LOMANTO - UFBA, ANGELA DE OLIVEIRA CARNEIRO - UNIVASF, ADRIANO MAIA DOS SANTOS - UFBA


Resumo
A integração assistencial e o acesso aos serviços de saúde influenciam a situação de saúde e a qualidade de vida de uma população. Nesse sentido, este estudo tem como objetivo analisar como a integração assistencial e o acesso aos serviços da linha de cuidado das mulheres com câncer de colo de útero são pautados nas discussões e deliberações entre os gestores da Comissão Intergestores Regional de Juazeiro. Trata-se de uma análise documental das atas das reuniões da Comissão Intergestores Regional de Juazeiro - Bahia dos anos de 2015 a 2018. Os resultados demonstram a fragilidade da CIR enquanto espaço de gestão regional e a necessidade de discussão entre os gestores sobre problemas locais, soluções e estratégias para qualificar e fortalecer o acesso e a integração assistencial entre diferentes serviços da região de saúde, voltados para a atenção às mulheres com câncer de cólo do útero.


PALAVRAS-CHAVE: Rede de Serviços de Saúde; Regionalização do SUS; Comissão Intergestores Regional


Introdução
O câncer de colo de útero (CCU) compreende um problema de saúde pública que transforma o estilo de vida das mulheres em sua totalidade. O CCU, quando diagnosticado nas fases iniciais - através do exame de Papanicolau - e tratado de forma eficaz, possui chances de cura que correspondem a 100% (BRASIL, 2020).

A dificuldade da usuária de encontrar um trânsito livre no fluxo assistencial, que compreende os diversos níveis de atenção, é o principal entrave na garantia da integração assistencial preconizada pelo SUS (BOUSQUAT et. al, 2017), e prejudica o tratamento das diversas doenças, inclusive a supracitada. Nesse sentido, é imprescindível que o cuidado integral e resolutivo à mulher seja ofertado de forma acessível e equitativa.

A organização de redes regionais de serviços de saúde requer a descentralização da gestão, permitindo que os serviços disponibilizados contemplem necessidades epidemiológicas e problemas locais. Desse modo, a análise das deliberações da Comissão Intergestores Regional possibilita identificar como a linha de cuidado à mulheres com Câncer de Colo de útero são pautados neste importante espaço de gestão regional.


Objetivos

O presente trabalho de pesquisa apresenta como objetivo analisar como a integração assistencial e o acesso aos serviços da linha de cuidado das mulheres com câncer de colo de útero são pautadas nas discussões e deliberações entre os gestores da Comissão Intergestores Regional de Juazeiro.


Metodologia
Trata-se de pesquisa com metodologia qualitativa cuja técnica de produção de dados foi a análise documental. Foram analisadas atas da Comissão Intergestores Regional (CIR) de Juazeiro correspondentes ao período de março de 2015 a novembro de 2018, disponíveis ao público. A coleta de dados aconteceu entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020, através do site do Observatório Baiano de Regionalização. Após a leitura das atas houve a sistematização dos dados através de matrizes para posterior análise dos dados. Em uma das matrizes houve sistematização da periodicidade das reuniões, do caráter extraordinário ou ordinário e da frequência dos gestores por município da região de saúde. A segunda matriz sistematizou os temas mais frequentes abordados nas reuniões e a narrativa dos gestores associada aos respectivos temas, sobretudo à integração assistencial e acesso aos serviços de saúde pelas mulheres com câncer de colo de útero.

Resultados e Discussão
Identificou-se menor assiduidade dos gestores de municípios com maiores populações e maiores valores de PIB da região. O conteúdo das atas aponta a invisibilidade do câncer de colo de útero nas pautas das reuniões da CIR, ocorridas entre 2015 e 2018. Não houve discussão sobre a magnitude do problema epidemiológico na região, nem sobre os problemas relativos ao acesso e às fragilidades da rede de serviços para a atenção à saúde das mulheres.

A CIR, como importante centro de deliberações para a gestão dos serviços de saúde da população, mostrou-se frágil no que se refere ao planejamento e gestão regional. O problema relativo ao acesso das mulheres com câncer de colo de útero aos serviços de saúde é invisibilizado. O tema não foi pautado nas reuniões da CIR, no período analisado. A negligência relacionada à atenção às mulheres com câncer de colo de útero influencia diretamente na insatisfação com o sistema de saúde e com a mortalidade por CCU, além de reforçar a fragilidade dos serviços de saúde (FERNANDES et al. 2019).



Conclusões / Considerações finais

Embora exista alta mortalidade por câncer de colo de útero no Brasil, destaca-se a invisibilidade deste problema de saúde pública. A organização dos serviços voltados para a atenção às mulheres, com objetivo de focar na detecção precoce, acompanhamento e tratamento de mulheres com o câncer do colo do útero não foram pautados nas reuniões da Comissão Intergestores Regional, no período analisado.

As evidências apontam a necessidade de fortalecimento da CIR, como instância gestora regional, cujas discussões e deliberações sejam direcionadas pela análise de situação de saúde, a partir da identificação de problemas epidemiológicos e necessidades locais de saúde, no sentido de fortalecer o planejamento e a organização da rede de serviços regional.

Referências
BOUSQUAT, Aylene et al. Atenção primária à saúde e coordenação do cuidado nas regiões de saúde: perspectiva de gestores e usuários. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2017, v. 22, n. 4 [Acessado 30 Setembro 2020] , pp. 1141-1154. Disponível em: .

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Câncer do colo do útero. In: Câncer do colo do útero. Brasil, 4 fev. 2020. Disponível em: https://www.inca.gov.br. Acesso em: 1 abr. 2020.

FERNANDES, Noêmia Fernanda Santos et al . Acesso ao exame citológico do colo do útero em região de saúde: mulheres invisíveis e corpos vulneráveis. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 35, n. 10, e00234618, 2019 . Available from . access on 29 Apr. 2020.

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