Comunicação Oral

23/03/2021 - 14:15 - 15:45
CC09 - Eixo 8 - Gestão do cuidado e desigualdades na atenção primária à saúde

35021 - PRÁTICAS DE GESTÃO NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: ESTUDO COM PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA DA PERIFERIA DE CUIABÁ – MT
LUCAS RODRIGO BATISTA LEITE - ISC - UFMT, CÁSSIA MARIA CARRACO PALOS - ISC - UFMT


Resumo
A Atenção Básica (AB) foca suas ações na promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos; e entre as suas modalidades esta a Estratégia de Saúde da Família, cujo foco é acompanhar um número definido de família, em área geográfica delimitada. Este trabalho busca compreender como se efetua a gestão em Unidades Básicas de Saúde – Estratégia de Saúde da Família (UBS-ESF), na periferia de Cuiabá – MT. Trata-se de pesquisa qualitativa, produzida com enfermeiras da ESF do bairro Pedra 90, Cuiabá – MT. Foram realizadas cinco entrevistas semiestruturadas que, posteriormente, foram transcritas e analisadas à luz da Análise de Discurso de Michel Pêcheux e Eni Orlandi. Constata-se uma pluralidade nas formas de gestão da ESF, que são influenciadas ora pelo vínculo da profissional com a unidade, ora por acontecimentos no processo de trabalho, seja no tocante a saúde, seja em relação a identificação do profissional com seu fazer. E as formas de gestão tem relação também com as relações de poder, de uma ordem maior com o profissional gestor; do profissional gestor com os outros profissionais; do profissional gestor com a própria função de gestão.



Introdução
Compreende-se como Atenção Básica (AB) o conjunto de ações de saúde, seja de cunho individual, coletivo ou familiar, que englobam a promoção, prevenção, proteção, diagnostico, tratamento e, entre outros, a vigilância em saúde, através de equipe multidisciplinar, em território especifico, sobre o qual a equipe assume responsabilidade sanitária. Entre as modalidades de AB reconhecidas no Brasil, está a Estratégia de Saúde da Família (ESF), tomada como prioritária e reorganizadora do Sistema Único de Saúde, que é composta, no mínimo, por médico (preferencialmente, de família e comunidade), enfermeiro (preferencialmente, especialista em saúde da família), auxiliar e/ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde (ACS); podendo ainda contar com agente de combate às endemias (ACE), cirurgião-dentista (preferencialmente, com especialização em saúde da família) e auxiliar ou técnico em saúde bucal. Embora a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB, 2017) recomende a inclusão de um gerente de AB, na prática, essa função é exercida pelos enfermeiros.

Objetivos
Compreender como se efetua a gestão em Unidades Básicas de Saúde – Estratégia de Saúde da Família (UBS-ESF), na periferia de Cuiabá – MT.

Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, produzida com enfermeiras da ESF do bairro Pedra 90, Cuiabá – MT. Foram realizadas cinco entrevistas semiestruturadas com essas profissionais que, posteriormente, foram transcritas e analisadas à luz da Análise de Discurso de Michel Pêcheux e Eni Orlandi. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa – área de Ciências Humanas e Sociais (CEP – Humanidades), da Universidade Federal de Mato Grosso. Por uma questão de anonimato, as entrevistadas receberam nomes fictícios, sendo eles: Onix, Quartzo Rosa, Esmeralda, Calcita e Ametista.

Resultados e Discussão
A gestão das unidades se organizam em três categorias. Na gestão centralizada, o enfermeiro responde única e exclusivamente por todo o processo gerencial da equipe e é o que ocorre na estratégias geridas por Calcita e Esmeralda: “Eu tô aqui já tem 2 anos e ainda eu não consegui colocar nos eixos ainda a unidade (...)” (Calcita); “A gestão, tá bem… negativa (...), porque eu acho que tô em outros focos” (Esmeralda). O pronome coloca Calcita e Esmeralda como centro da gestão. A gestão quase-colegiada é aquela onde parcela dos profissionais participam das deliberações, como na equipe de Quartzo Rosa: “A gente administra assim, a gente busca com as agentes, pra elas construir junto conosco aquilo que vai ser trabalhado”. Já na gestão colegiada todos os trabalhadores da equipe, participam das decisões; que é o que vigora na estratégia conduzida por Onix: “A gente sempre se reúne (...) e sempre pergunta ‘alguém tem alguma opinião pra dar?’ ai a gente vota, quase tudo é em votação”. A adoção de uma ou de outra forma de gestão, como observado, está relacionado com alguns acontecimentos, como o advento de problema de saúde, Novas perspectivas profissionais ou vínculo trabalhista.

Conclusões / Considerações finais
Constata-se uma pluralidade nas formas de gestão da ESF, que são influenciadas ora pelo vínculo da profissional com a unidade, ora por acontecimentos no processo de trabalho, seja no tocante a saúde, seja em relação a identificação do profissional com seu fazer. E as formas de gestão tem relação também com as relações de poder, de uma ordem maior com o profissional gestor; do profissional gestor com os outros profissionais; do profissional gestor com a própria função de gestão.

Referências
BATISTA LEITE, L. R. Saúde e Violência: Sujeito e Memória nos Dizeres de Profissionais de Saúde do Bairro Pedra Noventa, Cuiabá, Mato Grosso. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Saúde Coletiva), Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal de Mato Grosso, 2019.

BRASIL, Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html;Acessado em 30 set 2020

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