Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA55 - Eixo 7 - EDUCAÇÃO EM SAÚDE (TODOS OS DIAS)

35010 - TEORIA DO COMPORTAMENTO PLANEJADO E HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS POR CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA FAVELA JARDIM SÃO REMO, SÃO PAULO, BRASIL.
LIGIA NEVES SCUARCIALUPI - FMVZ-USP, BEATRIZ GAGETE VERÍSSIMO DE MELLO - FMVZ-USP, GISELLA STEPHANIE DE OLIVEIRA DIAS DA SILVA - FMVZ-USP, JULIANA TOZZI DE ALMEIDA - FMVZ-USP, MAYARA BERTANHE - FMVZ-USP, STEFANIE SUSSAI - FMVZ-USP, YASMIN DA SILVA ALEXANDRE - FMVZ-USP, ANA CLARA KOHARA ROMAN - FMVZ-USP, LEONARDO ROSSATO TAVARES - FMVZ-USP, JULIANA DE CASSIA GILDO - FMVZ-USP, FRANCISCA EVELINE DOS SANTOS - FMVZ-USP, LUIZ FELIPE NORONHA DE MAGALHÃES VENOZA - FMVZ-USP, ADNA RIBEIRO CAVALCANTE COSTA - FMVZ-USP, GIOVANNA NALIN PARMEGIANI - FMVZ-USP, BRUNA CAMILLO BARBOSA - FMVZ-USP, EVELISE OLIVEIRA TELLES - FMVZ-USP, OSWALDO SANTOS BAQUERO - FMVZ-USP


Resumo
A incidência de várias doenças infecciosas é maior em favelas, onde há excesso de riscos e os comportamentos preventivos são muitas vezes insuficientes ou impraticáveis. A identificação de fatores limitantes e facilitadores de práticas de higiene auxilia no direcionamento de estratégias de incentivo. A partir de um questionário embasado na Teoria do Comportamento Planejado, este estudo avaliou o efeito das atitudes, normas subjetivas descritivas e injuntivas, e controle percebido no comportamento-alvo lavagem das mãos. A população de estudo foi composta por crianças e adolescentes do Circo Escola Bom Jesus, uma organização do terceiro setor localizada na favela Jardim São Remo. A modelagem de equações estruturais revelou que todos os construtos estudados tiveram correlação positiva com o comportamento-alvo, porém apenas as atitudes e as normas subjetivas descritivas tiveram um efeito estatisticamente significativo. As favelas fazem parte da cartografia da Saúde Única em Periferias e demandam ações diferenciadas de promoção da saúde. Embora as deficiências de saneamento básico sejam o principal problema a ser resolvido para prevenir a ocorrência de doenças infecciosas, a higienização das mãos contribui a essa prevenção e os resultados deste trabalho indicam possibilidades e limitações para promover esse comportamento.

Introdução
A alta incidência de enfermidades infecciosas potencialmente evitáveis ainda compõe a realidade das favelas brasileiras. Comportamentos de higiene pessoal, com destaque à higienização das mãos, atuam na prevenção de inúmeras doenças de importância em saúde pública1,2, sobretudo à saúde infantil3. No entanto, a adoção destes comportamentos nas favelas é prejudicada ou inviabilizada4 por problemas estruturais, como escassez de água e saneamento básico.
A fim de auxiliar o estabelecimento de estratégias de educação e políticas públicas em saúde direcionadas a esse contexto, torna-se necessário entender as percepções e hábitos preventivos da população. Há uma lacuna do conhecimento científico sobre a higienização das mãos como hábito comportamental em comunidades periféricas.
A Teoria do Comportamento Planejado (TCP)5 propõe uma metodologia para o estudo de determinantes de comportamentos, e já foi empregada para análise da higienização das mãos por profissionais de saúde em ambientes hospitalares6. O presente trabalho utiliza a TCP para avaliação do comportamento de higienização das mãos por crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.



Objetivos
O objetivo do presente estudo foi identificar fatores limitantes e facilitadores da adoção do comportamento de higienização das mãos por crianças e adolescentes atendidos pela instituição Circo Escola Bom Jesus, localizada na favela Jardim São Remo, na Zona Oeste do município de São Paulo (SP), a fim de auxiliar no direcionamento de estratégias de incentivo e promoção da saúde única.

Metodologia
O estudo foi realizado por meio da aplicação de um questionário composto por 15 questões sobre higienização das mãos, em setembro de 2019, a 104 crianças e adolescentes (6 a 18 anos) da instituição Circo-Escola Bom Jesus, localizada na favela Jardim São Remo, no município de São Paulo (SP). Os questionários foram embasados nos fundamentos da TCP, tendo como referência medidas diretas e indiretas e escalas de medição recomendada para cada um dos construtos. Para a análise estatística, as questões foram classificadas como avaliativas de um dos construtos da TCP (atitude, normas subjetivas descritivas, normas subjetivas injuntivas, ou controle percebido) e para cada construto foi calculada a média e o desvio padrão com base nos escores das respectivas questões. O coeficiente de correlação de Pearson foi calculado entre as médias dos construtos e a frequência relatada de lavagem de mãos. Para avaliar o efeito dos construtos no desfecho foi utilizado um modelo de equações estruturais.

Resultados e Discussão
Das 104 respostas consideradas, 57% relataram sempre lavar as mãos ao utilizar o sanitário, 46% relataram sempre usar sabonete e 50% relataram sempre secar as mãos. A execução dos seis passos recomendados para a correta higienização foi descrita por apenas 7% das crianças, sendo que a maior porcentagem delas (33%) relatou realizar três passos. O espaço para ações educativas sobre esta temática torna-se, deste modo, evidente.
Apesar de todos os construtos se correlacionarem positivamente com o comportamento-alvo, as atitudes e as normas subjetivas descritivas foram as que apresentaram maior correlação e as únicas que apresentaram significância estatística. Estes resultados mostram a importância de que as crianças sejam convencidas sobre os benefícios da prática. Ademais, as atividades educativas devem ser extrapoladas a outros membros da comunidade, já que os referentes sociais influenciam substancialmente a tomada de decisão pelos entrevistados.
No contexto das favelas, o acesso insuficiente a informações sobre prevenção de doenças e a precariedade das instalações são variáveis que provavelmente afetam negativamente a frequência de execução da prática em questão.


Conclusões / Considerações finais
A TCP mostrou-se uma ferramenta de grande valia para a construção do questionário e posterior análise dos resultados, ainda que algumas adaptações tenham sido necessárias por se tratar de um público em sua maioria infantil.
Este estudo contribui para o conhecimento acerca da higienização das mãos pela população jovem em situação de vulnerabilidade social. Auxilia-se, assim, o delineamento de futuras práticas educativas para promoção de saúde que abranjam, não só o comportamento estudado, mas também outros comportamentos relacionados com prevenção de doenças. No entanto, as periferias exigem a adoção de políticas públicas diferenciadas, que levem em conta aspectos ambientais, culturais e econômicos específicos. Medidas educativas, se combinadas com intervenções sanitárias e sociais, podem ser eficazes na redução da incidência de doenças infecciosas.


Referências
1. Luby SP et al. Efeito da lavagem das mãos na saúde infantil: um ensaio clínico randomizado. Ext Lancet 2005;366 (9481): 225-33
2. Organização Mundial da Saúde. Water, sanitation, hygiene and waste management for SARS-CoV-2, the virus that causes COVID-19. WHO;2020.
3. Organização Mundial da Saúde. Diarrhoea: Why children are still dying and what can be done.WHO;2018.
4. Luby SP et al. Dificuldades em manter um melhor comportamento de lavagem das mãos, Karachi, Paquistão. Ext Am J Trop Med Hyg 2009;81(1): 140–45
5. Montaño DE, Kasprzyk D. Theory of reasoned action, theory of planned behavior and the integrated behavioral model. In: Glanz K, Rimer KB, Viswanath K. Health behavior and health education: Theory, Research, and Practice. 4th ed. São Francisco: Jossey-Bass; 2008. p. 67-92
6. Pittet D et al. Involving the patient to ask about hospital hand hygiene: a National Patient Safety Agency feasibility study. J Hosp Infect 2011;77:299–303

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