Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA72 - Eixo 8 - DIREITOS HUMANOS E CUIDADO A GRUPOS EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE/DISCRIMINAÇÃO (TODOS OS DIAS)

35006 - DIÁLOGOS SOBRE A HUMANIZAÇÃO NA PRODUÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE, SOB RETÓRICA DA CRÍTICA FOUCAULTIANA
MARCOS VINÍCIUS SANTOS SILVA - UNEB, CRISTIANE PATRÍCIA DE SOUZA CORREIA - CEREST - ALAGOINHAS/BA


Resumo
A Humanização na Saúde, passada mais de uma década, tem se consolidado como uma alternativa estratégica e um campo político, substancial ao cotidiano das ações e dos serviços de saúde, seja na esfera da atenção ou da gestão. Esse debate ancora-se e justifica-se, através dos relevantes desafios que cotidianizam os espaços de produção da saúde. Resgatar e substanciar essas discussões, sob evidências epistêmicas, a exemplo de Foucault e sua doutrina, a partir da crítica ao humanismo, é de uma relevância notável. Assim sendo, esse estudo busca propor diálogos críticos e analíticos sobre a Humanização do cuidado em Saúde, a partir desses postulados foucaultianos. Utiliza-se como direção metodológica, os pressupostos da Pesquisa Qualitativa, por meio de uma revisão bibliográfica do tipo crítico-analítica.

Introdução
O debate sobre a humanização, no contexto dos serviços e ações de saúde, tem ganhado evidência, à medida que, há uma eminente agudização dos problemas e desafios no tocante à atenção e gestão; e, investimentos estatais que coligem uma desconstrução da saúde, como política pública e direito social. Ainda assim, não se pode desconsiderar os avanços da Política Nacional de Humanização, como relevante instrumento que, sob direcionamento transversal, busca substancialmente, potencializar o próprio Sistema Único de Saúde, seus princípios e diretrizes. O paradigma de humanizar as relações, os processos e práticas de trabalho, tem se tornado ávido, ao passo que são, rotineiramente, vivenciadas realidades que divergem dos ideais e princípios de uma saúde igualitária, integral, democrática, que reforce a diretiva da emancipação humana, e a promoção, preservação e manutenção da vida. Nesse aspecto, consideradas as presunções elementares no universo do cuidado, utiliza-se como estratégia de acirramento epistemológico, os postulados da teoria foucaultiana, precipuamente, sobre o campo do biopoder, em contraposição à lógica da humanização na saúde.

Objetivos
Propor diálogos críticos e analíticos sobre a Humanização do cuidado em Saúde, a partir dos postulados foucaultianos

Metodologia
O estudo configura-se a partir de uma pesquisa qualitativa, vista como uma das formas da Pesquisa Social que tem maior preocupação e detalhamento com os dados, para além da dimensão quantitativa É resultado de uma pesquisa bibliográfica do tipo crítico-analítica. À sua elaboração desenvolveu-se uma revisão de literatura, sistemática, sobre a categoria central do estudo, humanização na produção do cuidado em saúde, em bases de processamento de dados indexadas, com destaque LILACS e SCIELO. E, como estratégia ao robustecimento epistêmico e análise, algumas obras do acervo foucaultiano foram utilizadas, a partir de um intercruzamento fundamental ao processo analítico.

Resultados e Discussão
A PNH no engendramento de novas experiências, no ato de prover saúde, pressupõe, significativamente, o rompimento de algumas determinações casuísticas, a destacar o discurso articulado na condição de politicismo, não ponderado na teleologia de protagonizar sujeitos, forjar práticas de empoderamento, dinamizar a natureza humana dos processos relacionais, nos quais destaca a saúde. Às discussões sobre a humanização na saúde oportunizam uma crítica ao sentido redundante que lhe é posto. Como debater sobre humanização na saúde, em meio a uma temporalidade que forja um sujeito que se autocontrola, autovigia e autogoverna? Nesse espaço do biopoder, onde o corpo é palco de uma guerra deflagrada entre ciência e subjetividade, onde a própria subjetividade é uma construção, deveras, estabelecida ao protótipo de inutilidade, emergem atributos políticos-ideológicos-estratégicos, como a PNH e a PNHOSP, como consoantes à reestruturação de um sistema de saúde, optando pelo caminho da valoração ao caráter ético e humano relacional.

Conclusões / Considerações finais
A humanização da saúde, numa vertente transversal, presume romper fronteiras, quebrar paradigmas. Seu objetivo é, senão, consolidar transformações, mudanças estruturantes e estruturadas. É proporcionar o incentivo ao diálogo, é construir a troca de saberes multilateral, na qual envolva os vários sujeitos, nos variados processos. É, em princípio, superar e ultrapassar certa tendência de conceito-sintoma. Mais ainda, é oportunizar, nos espaços de saúde, uma ambiência propícia à construção e reforço dos direitos sociais. É, portanto, maximizar todo aporte humanístico na conjuntura da produção de saúde.

Referências
AAYRES, J. R. C. M. Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas/ Org. por Suely Ferreira Deslandes. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização: a Humanização como eixo norteador das práticas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
FOUCAULT, M. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Trad. Salma Tannus Muchail. 9 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
_______. Aula de 17 de março de 1976. In Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
ORTEGA, F. Biopolíticas de saúde: reflexões a partir de Michel Foucault, Agnes Heller e Hannah Arendt. In Interface Comunicação, Saúde, Educação. São Paulo, v. 8, n.v14, p. 9-20, 2004.

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