Comunicação Oral

23/03/2021 - 14:15 - 15:45
CC07 - Eixo 4.1 - A atenção básica na epidemia da Covid 19 (2)

35002 - ENFRENTAMENTO A COVID19: PRODUZIR SAÚDE E DEFENDER A VIDA EM TERRITÓRIOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
DELÂINE CAVALCANTI SANTANA DE MELO - UFPE, MÁRCIA MARIA DANTAS CABRAL DE MELO - UFPE, VANESSA DE LIMA SILVA - UFPE, FÁBIA ALEXANDRA POTTES ALVES - UFPE, CINTHIA KALYNE DE ALMEIDA ALVES - UFPE, LEOPOLDINA AUGUSTA DE SOUZA SEQUEIRA DE ANDRADE - UFPE


Resumo
É num cenário de crise sanitária e de guinada ideológica para a extrema direita que a pandemia da COVID19 se instala no Brasil exigindo medidas com forte orientação da APS. A estratégia inicial, foi reativa e hospitalocêntrica, ocasionando retração do protagonismo da APS que deveria estar sendo preparada como uma das principais respostas. Apresenta-se relato de experiência sobre as ações desenvolvidas pelo Projeto de Extensão “Enfrentamento ao COVID19: produzir Saúde e defender a vida”, sob coordenação Residência em Saúde da Família-UFPE, em territórios dos Distrito Sanitário IV e V da Atenção Básica do Recife, a partir de maio de 2020. A metodologia teve como orientação teórico-metodológica a pesquisa-ação. Elegeu-se 4 eixos de intervenção: comunicação e educação em saúde; cuidado em saúde; apoio à organização comunitária e acesso a direitos; acolhimento à população usuária e às equipes/cuidado ao cuidador. População-alvo: coberta pelas USF (5.000) de atuação dos residentes. Equipe executora (94) foi composta por docentes, residentes, estudantes de graduação e preceptores. A implementação do Projeto permitiu a continuidade da dinâmica dialógica, democrática e coletiva já estabelecida no processo formativo da Residência. Identificou-se a vivência das ações propostas vinculadas aos eixos de intervenção já citados, como indutora de outros modos de assistir e cuidar.

Introdução
Com a pandemia, a importância do SUS foi ainda mais evidenciada. Embora sucateado diante das inúmeras contrarreformas e problemas de desfinanciamento, representa um dos maiores sistemas de saúde universal do mundo, com uma ampla rede de Atenção Primária à Saúde (APS)1.
Estudos apontam a redução no acesso, na cobertura aos serviços de APS e piora nos indicadores de saúde cuja concentração incide com maior força em áreas mais pobres do país2.
É nesse cenário de crise sanitária e de guinada ideológica para a extrema direita que a pandemia da COVID19 se instala no Brasil exigindo medidas com forte orientação da APS. A estratégia inicial, foi reativa e hospitalocêntrica, ocasionando retração do protagonismo da APS que deveria estar sendo preparada como uma das principais respostas1.
Em busca de formar profissionais para atuar no âmbito do modelo de saúde do Recife, o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família da UFPE (PRMSF-UFPE)3 está comprometido com as políticas de APS locorregionais. Nesse contexto da COVID19, o compromisso se mantém vivo. Em tempo crítico, de necessidades prementes, cabe atuar conforme o posicionamento ético-político assumido em defesa da vida.


Objetivos
Apresentar relato de experiência sobre as ações desenvolvidas pelo Projeto de Extensão “Enfrentamento ao COVID19: produzir Saúde e defender a vida”, sob coordenação do PRMSF-UFPE, para potencializar ações promocionais, preventivas e assistenciais com reforço ao acompanhamento longitudinal familiar e comunitário e ao apoio psicossocial da população coberta pela Estratégia de Saúde da Família em territórios dos Distrito Sanitário IV e V da Atenção Básica do Recife, entre maio e setembro de 2020.

Metodologia
A metodologia teve como orientação teórico-metodológica a pesquisa-ação4. Tomou-se como base dessa ação os seus três momentos: investigação; tematização; programação.
Elegeu-se 4 eixos de intervenção: comunicação e educação em saúde; cuidado em saúde; apoio à organização comunitária e acesso a direitos; acolhimento à população usuária e às equipes/cuidado ao cuidador.
A população-alvo foi aquela coberta pelas equipes de saúde das USF (5.000) de atuação dos residentes. A equipe executora (94) foi composta por docentes: 25; residentes: 25; estudantes de graduação:19; e preceptores:25.
A lógica de desenvolvimento das ações foi dialogada, participativa e coletiva. A avaliação foi processual, realizada encontros sistemáticos nos momentos metodológicos da pesquisa-intervenção, e com utilização de instrumentos avaliativos pertinentes.
O Projeto de Extensão foi aprovado pelo Edital 2020-03 de Registro das Ações de Extensão com Movimentação Financeira - Pró Reitoria de Extensão e Cultura - UFPE.


Resultados e Discussão
A implementação do Projeto permitiu a continuidade da dinâmica dialógica, democrática e coletiva já estabelecida no processo formativo da Residência. Foram realizadas 20 reuniões com os envolvidos, para análise de situações, tomada de decisões e trocas teóricas.
No eixo comunicação e educação em saúde, produziu-se 69 materiais educativos diversificados sobre prevenção à COVID 19 e a direitos humanos e sociais e divulgados nas redes sociais comunitárias dos Distritos Sanitários. No eixo apoio à organização comunitária, há um braço de realização de ações formativas com a comunidade – remotas/presenciais. Outra ação coletiva tem sido a confecção e entrega de máscaras de tecido (1400). O eixo de acolhimento e cuidado ao cuidador, foi mais tímido e desenvolveu-se em parceria com proposições advindas do DSIV.
O momento pandêmico mostrou-se desafiador e exigiu a criação de aportes teórico-metodológicos e ético-políticos às relações e processos de trabalho, às formas de comunicação/educação em saúde e à continuidade do cuidado no chão do território. Identificamos a vivência das ações propostas vinculadas aos eixos de intervenção já citados, como indutora de outros modos de assistir e cuidar.


Conclusões / Considerações finais
A APS, baseada no cuidado de proximidade, em nossa compreensão, apareceu como tímida coadjuvante sendo que educação, prevenção e promoção em saúde e acompanhamento de casos suspeitos ou leves, poderiam ter representado rapidamente barreira à disseminação do vírus e ao agravamento de quadros clínicos5.
Contudo, essa experiência aponta que as equipes de APS, com a rotina modificada devido a pandemia, realinham as modalidades de trabalho, mantendo suas atribuições/competências e, respondendo às demandas sociais postas, são interpeladas a manterem-se atentas aos sujeitos em contexto e as condições materiais de existência.
No contexto da Covid19 a aproximação dos/as residentes com a realidade mediada pelas ações do Projeto e atuação integrada ao trabalho das equipes de APS marcam indelevelmente sua formação, habilitando-os/as a produzir e divulgar informações apropriadas ao contexto da APS, como parte de seu compromisso ético em defesa da vida.


Referências
1. SARTI et al. Qual o papel da Atenção Primária à Saúde diante da pandemia provocada pela COVID-19? Epidemiol. Serv. Saúde 29 [internet]. 2020 v.29, n. 2, e2020166, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.5123/S1679-49742020000200024. Acesso em: 14 jun. 2020.

2. CASTRO MC et., al. Brazil's unified health system: the first 30 years and prospects for the future. Lancet , v. 394, n. 10195, p.345-356, 2019.

3. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. Projeto Político-Pedagógico da Residência Multiprofissional em Saúde da Família. 2010.

4. THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez,1985.

5. DAUMAS, RP et al. O papel da atenção primária na rede de atenção à saúde no Brasil: limites e possibilidades no enfrentamento da COVID-19. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.36, n.6, e00104120, 2020.

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