Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA15 - Eixo 1 - Ações e Planejamento dos Cuidados à Saúde 1 (TODOS OS DIAS)

34952 - TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E SAÚDE: IMPLICAÇÕES E IMPACTOS PARA ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS E SISTEMAS DE SAÚDE
LEONARDO CASTRO - ENSP FIOCRUZ, MARCELO FORNAZIN - ENSP FIOCRUZ, BRUNO ELIAS PENTEADO - EFA2030 FIOCRUZ, SANDRO LUÍS FREIRE DE CASTRO SILVA - INCA


Resumo
Mudanças importantes vêm ocorrendo na forma como a computação e as comunicações têm sido utilizadas nas organizações e na vida cotidiana das sociedades avançadas e nos países emergentes, afetando também a área da saúde. Buscou-se discutir as implicações das tecnologias digitais no campo da saúde a partir da literatura internacional sobre “informática médica” nas últimas quatro décadas e articular os impactos potenciais das tecnologias para a organização de serviços e sistemas de saúde. A análise identificou quatro períodos: 1977-1990; 1991-2000; 2001-2010 e 2011-2020, com grande dispersão temática nos três primeiros períodos e forte convergência no período mais recente em torno dos termos “electronic health records”, “mobile health” e “telemedicine”, que demonstra o grande impacto das tecnologias de big data, dispositivos e redes móveis. A pandemia da Covid-19 afetou a atividade econômica, gerando grandes passivos sociais, acelerando mudanças já em curso. As transformações afetam as práticas de cuidado, ao nível clínico-assistencial, mas também os processos de trabalho e a organização das redes de serviços. Entretanto, a literatura não aborda consistentemente os impactos da transformação digital ao nível dos sistemas de saúde, limitando-se aos aspectos regulatórios. Este é, porém, um debate fundamental que pode determinar o futuro da atenção à saúde na próxima década.

Introdução
Mudanças importantes vêm ocorrendo na forma como a computação e as comunicações têm sido utilizadas nas organizações e na vida cotidiana das sociedades avançadas mas também nos países emergentes. A concentração dos parques computacionais na “computação em nuvem” viabilizou o uso desses recursos a baixo custo. A “internet das coisas” possibilita a coleta de dados a partir de uma miríade de dispositivos em diversos formatos. As duas tecnologias permitem o armazenamento e processamento de grandes conjuntos de dados (big data). Os avanços da inteligência artificial, em especial no campo do “aprendizado de máquina” (machine learning), inauguram seu amplo uso comercial, com reflexos em diversos setores da atividade econômica e nas formas de produzir, consumir e interagir. Sob o signo da “transformação digital”, essas tecnologias estão alterando a forma como diversas áreas da sociedade funcionam, e também na área da saúde. O impacto potencial dessas tecnologias no setor saúde é grande e vem sendo apontado na literatura técnica. Por outro lado, os riscos tecnológicos – perda de privacidade, manipulação etc. – apresentam-se de maneira dramática no campo da saúde.

Objetivos
Este trabalho tem por objetivo discutir as implicações das novas tecnologias digitais no campo da saúde a partir de uma análise da literatura internacional de “informática médica” (medical informatics) nas últimas quatro décadas, buscando compreender como essa literatura evoluiu, bem como articular os impactos potenciais das tecnologias para a organização de serviços e sistemas de saúde, considerando também o novo contexto aberto pela pandemia da Covid-19.

Metodologia
Mapeamento bibliográfico da área “medical informatics” para identificação dos trabalhos relevantes no período 1977-2020. Definição de termos de busca com apoio do vocabulário controlado Medical Subject Headings (Mesh – NLM). Elaboração de string de busca para a base Web of Science que retornou 14.802 resultados. Constituição de corpus bibliográfico com metadados dos trabalhos mapeados: autores, ano de publicação, título, periódico, palavras-chave, resumo e referências bibliográficas. Bibliometria do corpus com a ferramenta Cortext (www.cortext.net). Detecção períodos temporais por meio da matriz de distância entre as palavras chave mencionadas em cada ano do corpus. Identificação dos principais tópicos de pesquisa por meio de contagem de palavras-chave, bem como análise gráfica com a rede de co-ocorrência das 100 palavras-chave mais frequentes. Análise das publicações e autores mais citados e análise da literatura de referência e literatura cinza sobre o campo de medical informatics.

Resultados e Discussão
A análise dos dados identificou quatro períodos históricos: 1977-1990; 1991-2000; 2001-2010 e 2011-2020. Verificou-se grande dispersão temática nos três primeiros períodos e forte convergência no período mais recente em torno dos termos “electronic health records”, “mobile health” e “telemedicine, que demonstra o grande impacto das tecnologias de big data, dispositivos e redes móveis. Os resultados corroboram a identificação de uma “virada coletiva” na saúde digital. A literatura de referência aponta para transformações principalmente ao nível assistencial, mas impactos potenciais das tecnologias incluem a organização e prestação de serviços em diversos níveis, incluindo promoção e prevenção, regulação e gestão. Afetam as maneiras como os usuários se relacionam com os serviços e organizações, bem como a produção e circulação de informações relacionadas com saúde. Influenciam percepções e padrões cognitivos que moldam a experiência do processo saúde-doença, adicionando dispositivos de monitoramento do “corpo”. Os riscos associados à expansão dessas tecnologias apresentam-se de maneira dramática no setor e tendem a ser tratados na literatura sob a perspectiva da “regulação”.

Conclusões / Considerações finais
A “transformação digital” constitui um desafio para a Saúde Pública, sendo urgente abrir o debate sobre seus impactos no setor. A emergência da Covid-19 afetou a atividade econômica, gerando grandes passivos sociais, e pode acelerar de forma disruptiva mudanças que já estavam em curso, especialmente no plano das relações de trabalho. Além disso, as recomendações de distanciamento social têm conduzido à utilização ampliada de tecnologias digitais na vida cotidiana, através de plataformas baseadas em inteligência artificial e big data. No setor saúde, as transformações afetam as práticas de cuidado, ao nível clínico-assistencial, mas também os processos de trabalho e a organização das redes de serviços. Entretanto, a literatura especializada ainda não aborda os impactos da transformação digital ao nível dos sistemas de saúde, limitando-se à regulação da adoção das tecnologias. Este é, porém, um debate fundamental que pode determinar o futuro da atenção à saúde na próxima década.

Referências
AGARWAL, Ritu et al. The digital transformation of healthcare: Current status and the road ahead. Information Systems Research, v. 21, n. 4, p. 796-809, 2010.
CAMBROSIO, Alberto et al. Big Data and the Collective Turn in Biomedicine. How Should We Analyze Post-Genomic Practices?. TECNOSCIENZA: Italian Journal of Science & Technology Studies, v. 5, n. 1, p. 11-42, 2014.
COLLEN, Morris F.; BALL, Marion J. (Ed.). The history of medical informatics in the United States. Springer, 2015.
HE, Jianxing et al. The practical implementation of artificial intelligence technologies in medicine. Nature medicine, v. 25, n. 1, p. 30-36, 2019.
MESSNER, Dirk et al. The Digital Revolution and Sustainable Development: Opportunities and Challenges-Report prepared by The World in 2050 initiative. 2019.
TOPOL, Eric J. High-performance medicine: the convergence of human and artificial intelligence. Nature medicine, v. 25, n. 1, p. 44-56, 2019.

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