Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA58 - Eixo 7 - GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO (GRUPO II) (TODOS OS DIAS)

34932 - O PLANEJAMENTO DAS AÇÕES DE SAÚDE MENTAL NAS REDES DE ATENÇÃO EM FORTALEZA NA CONCEPÇÃO DE TRABALHADORES, USUÁRIOS E GESTORES
DINA MARA FORMIGA DA SILVA - UECE, DÉBORA BRENDA CARNEIRO DE SOUZA - UECE, MARIA SALETE BESSA JORGE - UECE


Resumo
A Reforma Psiquiátrica trouxe à tona questões relacionadas a saúde mental, que anteriormente não era discutidas abertamente, como o lugar do sujeito com transtornos mentais, os modos de tratamento a eles oferecidos, dentre outras questões. O passar do tempo traz à tona a necessidade de haver modificações nas ações de saúde prestadas pelos dispositivos de saúde mental, tanto para a manutenção do serviço, como para o atendimento das necessidades do território. Dessa forma, buscamos analisar a estruturação do planejamento das ações de saúde mental nas redes de Atenção em Fortaleza na concepção de trabalhadores, usuários e gestores de unidades da Atenção Primária e Atenção Psicossocial a partir de entrevistas semiestruturadas. Para análise dos dados, utilizamos a técnica de análise temática fundamentada na análise de conteúdo de Bardin. No discurso dos profissionais entrevistados, é possível perceber a utilização do apoio matricial e a territorialização como práticas recorrentes em saúde mental, porém, atrelado a isso, vem a dificuldade em manter essas estratégias funcionando. Diante disso, é importante refletir e repensar a criação ou a intensificação de novas práticas de cuidado com bases territoriais que permitam atender às necessidades de saúde dos usuários e considerem o território como um espaço adequado e potente para estas ações de cuidado.

Introdução
Através do processo da Reforma Psiquiátrica desenvolveram-se ações diversas, capazes de transformar o cuidados, os saberes e as práticas hegemônicas no campo da saúde mental (GULJOR, 2003), de modo a emergir construções que buscassem ações pautadas na territorialização, integralidade do cuidado, corresponsabilização e autonomia do sujeito, visando viabilizar o acesso aos modos de cuidado adequados e a participação dos diversos atores sociais (SOUZA; RIVERA, 2010).
Foi formulado diversos documentos que orientassem, como articular a saúde mental e a atenção primária, sendo o apoio matricial as equipes de saúde da família (ESF), capacitações, formações e ações, ferramentas essenciais de execução para pôr em prática a saúde mental na Atenção Primária e Atenção Psicossocial (BRASIL, 2007).
O território é um importante lócus de cuidado em saúde mental e um poderoso componente para análise e planejamento das ações em saúde. Desse modo o apoio matricial, é uma das estratégias primordiais para pensar ações em saúde mental nos territórios, sendo uma das principais atividades de articulação entre Atenção Psicossocial e Atenção Primária (BRASIL, 2007).


Objetivos
Analisar a estruturação do planejamento das ações de saúde mental nas redes de Atenção em Fortaleza na concepção de trabalhadores, usuários e gestores de unidades da Atenção Primária e Atenção Psicossocial.

Metodologia
Tendo em vista tal conteúdo para investigação realizou-se como técnica a entrevista semiestrutura. Foram entrevistados trabalhadores, usuários e gerentes de unidades da Atenção Primária e Atenção Psicossocial
A análise das informações coletadas tanto no campo empírico quanto na busca nas bases de dados utilizou-se da técnica de análise temática fundamentada na análise de conteúdo de Bardin (2015).


Resultados e Discussão
A realização do apoio matricial pode oferecer subsídios para que os profissionais se tornem capazes de intervir e conduzir os casos mais simples de saúde mental de sua área de cuidado. No discurso dos profissionais entrevistados, é possível perceber a utilização do apoio matricial como prática recorrente em saúde mental, porém, atrelado a isso, vem a dificuldade em manter essa estratégia funcionando. O que é possível apreender das narrativas é que os planejamentos são algo a serem executados a curto prazo, pois a chegada de uma nova equipe pode mudar completamente o direcionamento das ações daquela localidade, caso não haja profissionais mais antigos remanescentes no sistema.
Foi observado em todas as entrevistas que os profissionais concordam com a importância da intervenção no território para melhorar o processo gerencial dos serviços de saúde mental. A equipe deve conhecer o território, as possíveis ações a serem trabalhadas, os parceiros que possam contribuir no desenvolvimento dessas ações, a importância da construção de redes para realização de um cuidado integral, o que ainda é um desafio.


Conclusões / Considerações finais
Os discursos revelam a falta de capacitação da maior parte dos profissionais para assistir com segurança e qualidade os usuários com problemas mentais, devido ao conhecimento superficial sobre essa temática.
Para ressignificar o território como um espaço de cuidado são necessárias condições que permitam o planejamento e a organização dos ser¬viços, porém nos discursos dos trabalhadores, percebe-se a ausência dessas práticas de cuidado no território.
Diante disso, é importante refletir e repensar a criação ou a intensificação de novas práticas de cuidado com bases territoriais que permitam atender às necessidades de saúde dos usuários e considerem o território como um espaço adequado e potente para estas ações de cuidado. Desenvolver estra¬tégias para capacitar a formação de trabalhadores que atuam na transversa-lidade da saúde mental, pode ampliar a resolubilidade dos problemas no CAPS e na atenção básica.


Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde mental e atenção básica: o vínculo e o diálogo necessários. Brasília, 2007.

GULJOR, A. P. F. Os centros de atenção psicossocial: um estudo sobre a transformação do modelo assistencial em saúde mental [dissertação de mestrado]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz; 2003.

SOUZA, A. C.; RIVERA, F. J. U. A inclusão das ações de saúde mental na Atenção Básica: ampliando possibilidades no campo da saúde mental. Rev Tempus Actas Saúde Coletiva, v. 4, n. 1, p. 105 -14, 2010.

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