Comunicação Oral

25/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC42 - Eixo 3 - Comunicação e Construção de Redes

34891 - MAPA DA REDE NACIONAL DE COMUNIDADES SAUDÁVEIS –RNCS, NO ENFRENTAMENTO À PANDEMIA DA COVID-19
JULIANA REICHE - CEDAPS, WANDA GUIMARAES - CEDAPS, KATIA EDMUNDO - CEDAPS/UNESA, ISABELLE AGUIAR - CEDAPS, RAPHAELA ALMEIDA - CEDAPS


Resumo
A Rede Nacional de Comunidades Saudáveis - RNCS - é um movimento composta por 216 iniciativas, institucionalizadas ou não atuantes em favelas, periferias, e demais espaços populares. Implementam desde 2005 ações voltadas à promoção da saúde e prevenção das IST/HIV/Hepatites Virais e Tuberculose, baseada na cultura local. “Comunidades Saudáveis” consideram a saúde como uma construção social (e pessoal) pautada pelo enfrentamento das determinantes sociais da saúde assumindo um papel ativo na solução dos desafios cotidianos e na conquista dos direitos sociais. O Centro de Promoção da Saúde - CEDAPS como parceiro técnico da RNCS, realizou em abril e maio de 2020 o mapeamento das iniciativas voltadas ao enfrentamento da Covid-19, por meio da metodologia Construção Compartilhada de Soluções Locais. Foram inseridos 58 grupos e iniciativas dos territórios populares, que se mobilizam no enfrentamento dos desafios presentes a vida cotidiana diante da pandemia da doença do coronavírus – a COVID-19. O “Mapa da Rede Nacional de Comunidades Saudáveis – RNCS, no enfrentamento à pandemia da Covid-19” pode ser acesso online. A mobilização social pautada pela solidariedade, disseminação de informações e articulação por direitos sociais mostrou-se um caminho efetivo para a construção da resposta social frente a COVID-19, em especial em contextos com direitos violados.

Introdução
O “Mapa da Rede Nacional de Comunidades Saudáveis – RNCS, no enfrentamento à pandemia da Covid-19” - caminha na direção de identificar e dar visibilidade a grupos e coletivos da RNCS que diante da urgência da pandemia, incorpora o tema Covid-19 as ações locais, fazendo chegar ao maior número de pessoas informações corretas e de fácil entendimento sobre Covid-19, assim como insumos de sobrevivência humana.
Segundo o Manual de Prevenção das DST/HIV/Aids em Comunidades Populares, existe um conjunto de pessoas que saem dos seus espaços privados (da família, da vida pessoal), para enfrentar os problemas coletivos e no entanto, permanecem na invisibilidade de seus territórios. “Estar no mapa” pressupõe estar visível e disponível a articulações e parcerias. Mapear os grupos, instituições e iniciativas que diante da falta de ações governamentais históricas para esses territórios, criam alternativas solidárias para o enfrentamento dos problemas cotidianos constitui-se uma ferramenta potente de fortalecimento da democracia e participação social.


Objetivos
Mapear iniciativas e estratégias localizadas em favelas, periferias, quilombos, aldeias e florestas para o enfrentamento aos desafios já existentes que se acentuaram devido a pandemia do Covid-19.

Metodologia
Desde 1996 o CEDAPS atua junto a comunidades populares na perspectiva da prevenção das IST/HIV e Tuberculose e da promoção da saúde. Entre abril e maio de 2020, aplicou um instrumento para a composição do “Mapa da Rede Nacional de Comunidades Saudáveis no enfrentamento à pandemia da Covid-19”. O mapeamento digital auxilia no diagnóstico participativo do território, através de um processo de coleta e registro de informações e percepções sobre a comunidade. O processo permite a construção compartilhada do conhecimento e da ação registrada e qualificada. Dessa forma, o mapa serve para dar visibilidade as informações necessárias, discutir os problemas e recursos disponíveis, orientar a priorização de problemas que se pretende enfrentar e garantir a visualização articulada e interativa a seus fluxos. Uma ferramenta que possibilita o reconhecimento dos desafios por um lado, mas dos recursos existentes por outro, o que fortalece o movimento social presente nas favelas e periferias.

Resultados e Discussão
A pandemia de Covid-19, chegou ao Brasil em 26 de fevereiro de 2020, diante disso, o CEDAPS como parceiro técnico da RNCS, realizou o mapeamento de 58 grupos e iniciativas, que se apresentam como referências de atuação nos territórios onde moram, conhecem a realidade local e são reconhecidas pelos moradores de seus territórios. No processo, foram registradas violações históricas de direitos básicos como: acesso inadequado à água, esgoto e moradia. Fatores como falta de ventilação nas moradias, alta concentração de pessoas em apenas um cômodo, violências urbanas, domésticas e desafios econômicos dentre outros aspectos que influenciam nos determinantes sociais da saúde do indivíduo.
Diante da falta de ações governamentais para esses territórios, grupos e iniciativas se organizam e criam alternativas solidárias de enfrentamento à Covid-19.Ações essas que se baseiam em recolhimento de doações e repasse de (cestas básicas, roupas, kits de higiene e materiais de limpeza, roupas, livros, máscaras e etc); reconhecidos também como multiplicadores de informações sobre prevenção e cuidados com o novo coronavírus, acesso ao auxílio emergencial, canais de denúncias e serviços públicos.


Conclusões / Considerações finais
Plano Nacional de Enfrentamento à Pandemia da COVID-19 afirma as necessidades imediatas de mudanças para enfrentar as questões relacionadas a pandemia, o Estado brasileiro precisa coordenar ações emergenciais para controlá-la, superá-la e reduzir impactos econômicos e sociais. Diante da falta de ações efetivas e emergências nos territórios por parte do governo, a sociedade civil produz respostas aos inúmeros desafios impostos pela pandemia, a Rede Nacional de Comunidades Saudáveis incorporou o tema Covid-19 as ações locais, como já possuem uma capilaridade e experiências em ações humanitárias e no trabalho de prevenção e cuidado.
Com a experiência podemos validar e dar visibilidade a iniciativas e boas práticas desenvolvidas em territórios populares, reconhecendo as capacidades, potências, protagonismo e saberes populares dos moradores desses territórios, que atuam e conhecem as verdadeiras necessidades e prioridades da comunidade.


Referências
GOLDSTEIN, Roberta Argento et al . A experiência de mapeamento participativo para a construção de uma alternativa cartográfica para a ESF. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 18, n. 1, p. 45-56, Jan. 2013 .

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