Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA72 - Eixo 8 - DIREITOS HUMANOS E CUIDADO A GRUPOS EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE/DISCRIMINAÇÃO (TODOS OS DIAS)

34863 - PROCESSOS DE SAÚDE E GÊNERO: UM OLHAR DA SAÚDE COLETIVA PARA A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
BRUNO MATHEUS DANI - URI, ELIANE CADONÁ - URI


Resumo
A Base Nacional Comum Curricular é, atualmente, no Brasil, o documento que firma as bases e norteia as ações no campo da Educação Formal. Nela, estão contidas práticas discursivas e produção de sentidos que alicerçarão o exercício diário de professores em todo o território nacional. A análise crítica dessa importante política pública torna-se fundamental, na ideia de que a ciência possa contribuir para evidenciar aspectos a serem discutidos, em meio à concretização das práticas ali impressas. Problematizar discursos de Gênero, Saúde e Educação nesse cenário implica em articular temáticas que devem ser vistas em sua integralidade, em meio a um exercício político que denuncia a invisibilidade de tais articulações, e que forja práticas discursivas que atrelam Gênero, Saúde e Educação a posições muitas vezes ingênuas, carregadas de preconceito e com exercícios moralistas e biologicistas. Nossas formações de base (Psicologia e Ciências Biológicas), por outro lado, chamam-nos, da condição de autora e autor, para uma prática de pesquisa que nos coloca na obrigação de discutir tais aspectos, com fins de articular os Estu-dos de Gênero, da Saúde Coletiva, da Psicologia Social e da Educação de Paulo Freire, lançando um olhar sobre materiais de domínio público tão importantes para a formação humana.

Introdução
Os aportes teóricos que norteiam nossas práticas dizem do modo como enxergamos e nos posicionamos no cotidiano, compreendendo que, a todo o momento, estamos impli-cados/as no campo em análise (BAREMBLITT, 2002), dando sentido a ele a partir de nossas vivências e modos de compreender o mundo e as pessoas. A ciência assume, para nós, um estatuto político, produzindo regimes de verdade que, aderidos pelas pessoas, passam a demarcar territórios de (in)tolerância às diferenças, às diversidades. As escolhas teóricas, metodológicas e temáticas são assumidas pelo/a pesquisador/a em função de seus desejos, não havendo descrição desinteressada do que se estuda. O modo como compreendemos e damos sentido a essa inter-relação, na perspectiva construcionista, se dá por intermédio da linguagem, vista aqui enquanto artefato cultural. Dependendo do lugar assumido por quem fala, bem como o que e de que modo fala, atribuem-se valores e autorizam-se ações que poderiam ser exercidas de outro modo, mudadas as circunstâncias de quem faz uso dela (GERGEN; GERGEN, 2010).


Objetivos
Problematizar, junto às práticas discursivas presentes na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e em peças publicitárias a ela relacionadas, discursos de Gênero, Saúde e Educação.

Metodologia
A referida pesquisa constitui-se enquanto qualitativa, de caráter transversal e documental. O material em análise será a BNCC (BRASIL, 2017), em sua integralidade, tendo como bases epistemológicas que transversalizarão a leitura analítica os Estudos de Gênero, a Saúde Cole-tiva, a Psicologia Social e os Estudos em Educação na perspectiva de Paulo Freire. Nessa mesma linha, analisaremos também as peças publicitárias relacionadas à BNCC, por intermédio da ferramenta de pesquisa Google. O termo de busca será “Base Nacional Cur-ricular Comum”, e serão incluídos na análise aqueles materiais, produzidos por intermédio de folders e vídeos, que realizam a disseminação das ideias da BNCC, cujas autorias são Governo Federal, Estaduais ou Municipais. Os dados serão analisados por intermédio da Análise de Discurso (SPINK, 2000).


Resultados e Discussão
Os Estudos de Gênero impelem a discussão política, problematizando a produção histórica de conceitos e a possibilidade de mudança da realidade em meio ao exercício de evidenciar práticas cristalizadas não como naturais, mas como construções sociais (BUTLER, 2008; STREY, 2012). Colocar em análise conceitos como Gênero, Saúde e Educação em meio ao espaço de Educação Formal possibilita trazer à tona o modo como se articulam esses conceitos nas vivências cotidianas de crianças e adolescentes, e os possíveis processos de subjetivação ali encenados (GUATTARI; ROLNIK, 1996). A Educação é compreendida aqui como uma instituição que atravessa os corpos e, por intermédio de suas práticas discursivas, (des)forma, e “deforma” as pessoas. Para que ela cumpra com seu papel emancipador (FREIRE, 1996), urge a necessidade de trazer para as discussões cotidianas a articulação entre temas como os aqui propostos, saindo da lógica conteudista da Escola Moderna, caminhando para a promoção de autonomia (CAMPOS et al., 2012).



Conclusões / Considerações finais
Com esta pesquisa, ainda em processo de construção, pretendemos aprofundar o estu-do da linguagem em materiais de domínio público destinados à Educação e, com isso, intro-duzir nas discussões junto À Rede de Educação Básica tais problematizações, na ideia de for-talecer e contribuir com a formação de professores e professoras.
A inspiração na Saúde Coletiva reconhece, aqui, o olhar interdisciplinar despendido ao tema em questão, e a complexidade inerente ao processos e vivências humanas.

Referências
BRASIL. Ministério da Educação. BNCC. Brasília: Ministério da Educação, 2017. BU-TLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2008. CAMPOS, G.W. et al. (orgs). Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec, 2012. COLLING, A.M. O corpo que os gregos inventaram. In: STREY, M.N; CABEDA, Sônia T. L. (orgs). Corpos e subjetividades em exercício interdisciplinar. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. GERGEN, M M.; GERGEN, K J. Construcionismo social: um convite ao diálogo. Rio de Janeiro: Instituto Noos, 2010. GUATTARI, F; ROLNIK, S. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópo-lis: Vozes, 1996. SPINK, M J. (org.). Práticas discursivas e produção de sentidos no coti-diano. São Paulo: Cortez, 2000.

Trabalhos Aprovados

Veja as orientações sobre a apresentação dos trabalhos.

SAIBA MAIS
Programação Científica

Consulte a programação completa das palestras e cursos disponíveis.

SAIBA MAIS
Informações Importantes

Informe-se!
Veja as últimas notícias!

SAIBA MAIS