Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA72 - Eixo 8 - DIREITOS HUMANOS E CUIDADO A GRUPOS EM SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE/DISCRIMINAÇÃO (TODOS OS DIAS)

34831 - GRUPO DE APOIO PARA AUTOCUIDADO EM HANSENÍASE: UMA FERRAMENTA DA GESTÃO DO CUIDADO
THAÍS MAÍRA DE MATOS - SES/PB (ATÉ MAIO DE 2020); E UFRN., MICHELINE DA SILVEIRA MENDES - CHCF/SES/PB, ROSANA LÚCIA ALVES DE VILAR - UFRN


Resumo
A Hanseníase é uma doença infecciosa, transmissível de caráter crônico, que nos dias atuais ainda apresenta casos novos detectados no mundo, e no Brasil persiste como problema de saúde pública. No estado da Paraíba o Complexo de Doenças Infectocontagiosas Clementino Fraga (CHCF) é o serviço estadual especializado para diagnóstico e tratamento da Hanseníase. Este relato tem como objetivo Compartilhar experiência do desenvolvimento do grupo de Apoio para autocuidado em Hanseníase, como ferramenta da gestão do cuidado que visa à superação das limitações das pessoas, favorecendo a autonomia e melhoria da qualidade de vida. O Grupo de Apoio para Autocuidado em Hanseníase (GAC) do CHCF funciona embasado na metodologia da problematização e na educação popular em saúde que são fundamentadas no pensamento freireano. Os resultados da experiência apontam que houve a formação de consciência dos riscos para a integridade física e de mudanças de atitudes para a realização do autocuidado; o fortalecimento da autonomia biopsicossocial; a troca de experiência sobre viver e conviver com hanseníase e a melhoria da autoestima e confiança. Espera-se que o GAC continue fortalecendo a superação dos estigmas relacionados a doença favorecendo a reinserção social.
Palavras-Chave: Gestão do cuidado; Hanseníase; Educação em saúde.


Introdução
Nos dias atuais, infere-se a extinção da hanseníase no mundo, ou seja, estudos têm sido realizados, simulando a expressão do Mycobacterium leprae em uma população que identifica os chamados contatos intradomiciliares, estimando-se, portanto, que seja eliminada nos próximos anos (SILVESTRE; LIMA, 2016). Entretanto, mais de 200.000 novos casos de hanseníase ainda são detectados no mundo anualmente. Desses, 30.957 ocorreram na região das Américas e 28.660 (92,6% do total das Américas) foram notificados no Brasil. (BRASIL, 2020). No estado da Paraíba o Complexo de Doenças Infectocontagiosas Clementino Fraga (CHCF) é o serviço estadual especializado para diagnóstico e tratamento da Hanseníase. O CHCF possui equipe especializada e multiprofissional, com oferta de atendimento ambulatorial e hospitalar, e também implantou na gestão do cuidado um Grupo de Apoio direcionado ao autocuidado em Hanseníase, com participação de usuários, familiares e estudantes da área da saúde. Este relato visa compartilhar a experiência do Grupo de Apoio para Autocuidado em Hanseníase do CHCF, ocorrida no município de João Pessoa/PB, socializando os bons resultados.

Objetivos
Compartilhar experiência do desenvolvimento do grupo de Apoio para autocuidado em Hanseníase, como ferramenta da gestão do cuidado que visa à superação das limitações das pessoas, favorecendo a autonomia e melhoria da qualidade de vida.

Metodologia
O Grupo de Apoio para Autocuidado em Hanseníase (GAC) foi implantado para dar suporte a gestão do cuidado, conduzido pela Equipe Multiprofissional do Ambulatório do CHCF, com agenda mensal de atividades. Os participantes são: a) Pessoas acometidas pela hanseníase e familiares; b) Equipe do CHCF; c) Estudantes. O desenvolvimento da experiência utiliza como base a metodologia da problematização e a educação popular em saúde fundamentadas no pensamento freireano. O processo privilegia a troca de saberes e de experiências considerando histórias individuais e coletivas no contexto social, buscando romper com a tradição autoritária e normatizadora dos serviços de saúde. (VASCONCELOS, 2010). As ações no grupo acontecem em roda de conversa com um facilitador que estimula o grupo a identificar os problemas e a busca de soluções. São utilizadas dinâmicas, atividades artísticas e lúdicas, para integração e provocação da discussão, e também para percepção do corpo e sua relação com o autocuidado.

Resultados e Discussão
O desenvolvimento de grupos de autocuidado, estimula a aceitação da doença, adesão ao tratamento, formação de consciência de riscos para a integridade física, realização de autocuidado, estímulo à autonomia e superação psicológica das reações e sequelas hansenícas. (BRASIL, 2010). Tendo como referência as falas dos participantes no grupo, que sempre trazem argumentos que avaliam continuamente os resultados do andamento da experiência, destacam-se como principais resultados: a) Formação de consciência dos riscos para a integridade física e de mudanças de atitudes para a realização do autocuidado; b) Fortalecimento da autonomia biopsicossocial; c) Troca de experiência sobre viver e conviver com hanseníase; d) Melhoria da autoestima e confiança. Contudo percebe-se também, conforme discussão feita por Baialard (2007), que sentimentos e experiências relatadas pelas pessoas que vivem e viveram com hanseníase e suas sequelas, evidenciam dificuldades enfrentadas, desde a busca do diagnóstico, a realização do tratamento e após a cura, uma vez que sua trajetória continua para tratar as incapacidades físicas.

Conclusões / Considerações finais
A experiência evidencia que espaços como GAC/CHCF permitem diálogo com pessoa que vive com Hanseníase e também com a família, além de ser possível trocar experiências que outras pessoas que passam ou passaram por dificuldades iguais ou parecidas. Importante destacar que algumas questões como sinais, sintomas, transmissão, diagnóstico, tratamento, reações, cura, aspectos sociais, estigmas, preconceito, autocuidado e autonomia, devem estar previstas nas rodas de conversa dos Grupos de Apoio para Autocuidado em Hanseníase. Espera-se que o GAC continue fortalecendo a superação dos estigmas relacionados a doença favorecendo a reinserção social.

Referências
BAIALARDI KS. O estigma da hanseníase: relato de experiência em grupo com pessoas portadoras. Hansen Int. 2007;32(1): 27-36
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico Especial. jan. 2020
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de apoio para grupos de autocuidado em hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
SILVESTRE, Maria do Perpétuo Socorro Amador; LIMA, Luana Nepomuceno Gondim Costa. Hanseníase: considerações sobre o desenvolvimento e contribuição (institucional) de instrumento diagnóstico para vigilância epidemiológica. Rev Pan-Amaz Saude, Ananindeua , v. 7, n. esp, p. 93-98, dez. 2016.
VASCONCELOS, EYMAR MOURÃO. Educação Popular e Atenção à Saúde da Família. 5 ed. São Paulo: Hucitec, 2010.

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