Comunicação Oral

26/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC56 - Eixo 7 - Ensino e serviço no enfrentamento da pandemia

34779 - REPERCUSSÕES DA PANDEMIA DA COVID-19 SOBRE OS DIFERENTES PERFIS DE PROFISSIONAIS E ESTUDANTES DA ÁREA DA SAÚDE EM SÃO PAULO
ISABELA GAGO ANIDO - FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO, JULIA RABELLO GUERRA VIEIRA - FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO, KARINA BARROS CALIFE BATISTA - FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO


Resumo
A presente pesquisa propõe-se a avaliar as repercussões da pandemia da COVID-19 sobre os diferentes perfis de profissionais e estudantes da área da saúde no estado de São Paulo. No Brasil, à alarmante curva de contágio -que seguiu escalando até Julho(1)- somam-se a escassez de EPIs em diversas instituições(4), uma política de saúde pública instável, carente de embasamento científico e pouco transparente(5) e a baixa rotatividade dos profissionais da linha de frente. Assim, construiu-se aqui um cenário extremamente desgastante para toda a população e, especialmente, para aqueles envolvidos com a área da saúde. A partir das respostas ao questionário no Google Forms, traçou-se um perfil dos respondentes e buscaram-se correlações entre os perfis e a sobrecarga emocional relatada, a fim de buscar possíveis fatores que atuam como vulnerabilidades associadas ao maior desgaste emocional durante este período de crise. Os achados, por hora, corroboram a prevalência de uma importante sobrecarga nos estudantes e profissionais da saúde, manifestada através de alterações no humor, sono, comportamento, cognição, além de desconforto físico, pessimismo excessivo e aumento de pesadelos.

Introdução
Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde classificou a COVID-19 como uma pandemia. O diretor geral da organização, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, salientou, ainda, a importância de se enfrentar a atual adversidade não apenas como uma crise de saúde pública, mas sim uma crise com repercussões em todos os setores. Diante desse cenário, é imprescindível no combate à pandemia, dentre outras medidas, garantir o bem estar dos profissionais da área da saúde(2), que estão especialmente sujeitos a repercussões como níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão(3). Os diversos perfis de profissionais da saúde são acometidos pela pandemia da COVID-19 de formas diferentes: para além das diferentes atuações, devem ser consideradas características como o sexo, a renda familiar, a estrutura da família, a carga horária do trabalho, dentre outras, que podem atuar como possíveis vulnerabilidades. Os dados aqui obtidos são fundamentais no planejamento de estratégias para lidar com possíveis surtos futuros de doenças infectocontagiosas(2), além de poderem direcionar ações de promoção da saúde mental desses profissionais e estudantes.

Objetivos
1) Objetivos gerais: o presente estudo tem como objetivo analisar os efeitos da pandemia da COVID-19 nos profissionais e estudantes da área da saúde de São Paulo.
2) Objetivos específicos: analisar as repercussões do enfrentamento da pandemia da COVID-19 nos profissionais e estudantes da área da saúde e comparar os diferentes perfis, de forma a buscar possíveis vulnerabilidades associadas à maior sobrecarga emocional.


Metodologia
É um estudo transversal, com coleta de dados por meio de entrevistas realizadas em questionário Google Forms, que ficou aberto de 22/06/2020 a 07/08/2020. Utilizamos Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (32682920.9.0000.5479).
O questionário utilizado foi adaptado de questionários de pesquisa sobre comportamento no Brasil (saúde mental no IMIP, e o do último congresso da Abrasco), respondido por 1019 profissionais da saúde coletiva, testado e validado. As respostas foram gravadas em uma base de dados gerada automaticamente e transferidas para um banco de dados virtual. Foi realizado processamento de banco de dados automaticamente gerado pelo Google Forms em relatórios e planilhas do excel. Se trata de um estudo descritivo, avaliando as variáveis em números absolutos e relativos. Os bancos serão rodados nos programas STATA e/ou SPSS.


Resultados e Discussão
Foram obtidas 373 respostas, todas de São Paulo. 60,1% são estudantes da área da saúde e 39,9%, profissionais da saúde. Dos estudantes, 77,7% tiveram todas as aulas modificadas para EAD, sendo que 87,9% acreditam que o aprendizado será prejudicado. Dos profissionais, 36,9% atendem pacientes COVID-19; 50,3%, não COVID-19; 10,7% atuam em pesquisa; 32,9%, em gestão; 20,1% são docentes e 4,7% não estão em atividade no momento.
Alarma que mais de 90% dos entrevistados sentiram-se sobrecarregados durante a pandemia. As principais causas foram o trabalho à distância em excesso, 33% dos participantes, e o consumo constante de informações sobre a pandemia, 43,7%. Ainda que seja desejável manter-se atualizado, notícias cuja valência é excessivamente negativa podem exacerbar pensamentos ansiosos e depressivos(6) e aumentar a sensação de impotência diante da realidade.
Destacam-se as manifestações da sobrecarga nos entrevistados: mais de 80% relataram alterações no humor; 60,6%, alterações de sono; 57,7%, desconforto físico; 54,5%, inquietação e pensamentos acelerados; 46,4%, alterações cognitivas; além de relatos de pessimismo, alterações de apetite e aumento da quantidade de pesadelos.


Conclusões / Considerações finais
Traçar o perfil dos profissionais e estudantes da área da saúde, buscando compreender de que maneira a pandemia da COVID-19 os afeta, é crucial para o enfrentamento da pandemia(2), bem como das possíveis repercussões negativas futuras que o atual momento de crise pode surtir nesses indivíduos(3). Níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão são esperados e já vem sendo observados na população geral e, em especial, nos profissionais da saúde(3)(4). Através das respostas ao questionário desta pesquisa, podem-se buscar as possíveis vulnerabilidades relacionadas à maior sobrecarga emocional dos profissionais e estudantes da saúde, passo fundamental para que o planejamento de intervenções que busquem o bem estar desses indivíduos seja feito de forma adequada e eficiente.

Referências
(1)MINISTÉRIO DA SAÚDE.Coronavírus Brasil, 2020. Painel Coronavírus
(2)Maunder R.The experience of the 2003 SARS outbreak as a traumatic stress among frontline healthcare workers in Toronto: lessons learned. Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2004;359(1447):1117‐1125
(3)El-Hage W, Hingray C. Health professionals facing the coronavirus disease 2019 (COVID-19) pandemic: What are the mental health risks?
(4)Wang C, Pan R, Wan X, Tan Y, Xu L, Ho CS, et al. Immediate psychological responses and associated factors during the initial stage of the 2019 Coronavirus disease (COVID-19) epidemic among the general population in China. Int J Environ Res Public Health 2020; 17:E1729.
(5)Lotta G, Wenham C, Nunes J, Pimenta DN. Community health workers reveal COVID-19 disaster in Brazil. Lancet. 2020 Aug 8;396(10248):365-366.
(6)Johnston WM, Davey GC. The psychological impact of negative TV news bulletins: the catastrophizing of personal worries. Br J Psychol.

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