Comunicação Oral

25/03/2021 - 16:30 - 18:00
CC50 - Eixo 7 - Educação e planejamento em saúde

34778 - OS EFEITOS DA PANDEMIA DA COVID-19 NA VIDA DE MULHERES PROFISSIONAIS E ESTUDANTES DA ÁREA DA SAÚDE EM SÃO PAULO: É MAIS DIFÍCIL PARA ELAS?
JULIA RABELLO GUERRA VIEIRA - FCMSCSP, ISABELA GAGO ANIDO - FCMSCSP, KARINA BARROS CALIFE BATISTA - FCMSCSP


Resumo
A COVID-19 impactou relações pessoais, sociais e familiares devido alteração da dinâmica social. A conduta brasileira no combate à pandemia trouxe inúmeras dificuldades, dentre elas a constante preocupação dos envolvidos na área da saúde.
Levando em conta o papel social da mulher e as implicações da pandemia para elas, o estudo aponta para a sobrecarga que a pandemia gera e, principalmente, seu impacto para as mulheres profissionais e estudantes da área da saúde.
A análise partiu da aplicação de questionário online, com amostra de conveniência e banco com 373 respostas. 91,7% dos participantes relataram sobrecarga em meio à pandemia de COVID-19, sendo apontada em 83,53% nos homens e 93,77% nas mulheres entrevistados. Os resultados reforçam a necessidade do olhar de gênero para o enfrentamento da pandemia e recuperação da sociedade no pós-pandemia.

Introdução
Declarada em 11 de março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde(1), a pandemia da COVID-19 afeta a esfera pública de diversas maneiras. Aparecendo em 2019 na China, o SARS-CoV-2 chegou ao Brasil no dia 25 de fevereiro de 2020, país no qual não se utilizou a experiência preliminar dos outros países para organização adequada no enfrentamento da pandemia(2). Soma-se a isso a nova realidade ditada pela presença da COVID-19, com alteração das relações profissionais, familiares e sociais pelo distanciamento social decorrente da presença do vírus(3).
Sendo a linha de frente do combate à pandemia feminina(4) e a área da saúde composta majoritariamente de mulheres(5), esta as afeta desigualmente. Para mulheres atuantes e estudantes de profissões da saúde, a pandemia tem peso maior, levando à exaustão física, mental e variadas consequências nas diferentes profissões.
Ainda não há como saber o impacto da pandemia na vida delas visto que é um cenário sem precedentes. O estudo se propõe a analisar a sobrecarga da pandemia nas mulheres trabalhadoras e estudantes da saúde no intuito de compreender a carga mental e o excesso de trabalho à qual são submetidas em relação ao público masculino.

Objetivos
Analisar os efeitos da pandemia da COVID-19 na vida das mulheres profissionais e estudantes da área da saúde de São Paulo.
Comparar os efeitos decorrentes da pandemia de COVID-19 em mulheres e homens trabalhadores e estudantes de diferentes áreas da saúde.

Metodologia
Estudo transversal, realizado a partir da aplicação do questionário estruturado em Google Forms, com Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, (32682720.8.0000.5479).
O questionário foi adaptado de outros já validados e utilizados em pesquisas sobre comportamento no Brasil, como da saúde mental no IMIP e o do último congresso da Abrasco. Foi divulgado em redes sociais pelas pesquisadoras responsáveis. Foram coletadas respostas de 22/06/2020 a 07/08/2020, que foram gravadas em base de dado gerada automaticamente e transferidas para banco de dado virtual.
Trabalhamos com amostra de conveniência composta por profissionais e estudantes da área da saúde que se dispuseram a responder o questionário.
Se trata de um estudo descritivo, avaliando as variáveis em números absolutos e relativos. O banco foi analisado a partir de planilhas do Excel e serão rodados nos programas STATA e/ou SPSS.

Resultados e Discussão
Foram obtidas 373 respostas, 77,5% do sexo feminino e 22,5% do sexo masculino; 60,1% de estudantes e 39,9% de profissionais da área da saúde.
Na avaliação sobre sobrecarga na pandemia, 91,7% dos entrevistados se sentiram sobrecarregados. Fica claro que a sobrecarga durante a pandemia é maior nas mulheres, visto que 83,53% dos homens apontam sobrecarga e 93,77% das mulheres relatam o mesmo.
Nos chama atenção que, entre os homens, 78,85% dos estudantes e 93,75% dos profissionais responderam afirmativamente para sobrecarga enquanto, nas mulheres, 95,93% das estudantes e 90,60% das profissionais da saúde.
A sobrecarga decorrente de trabalho/estudos somado ao ambiente domiciliar foi a mais prevalente (48,5% dos casos). Quanto a prevalência dos motivos da sobrecarga, não houve diferença significativa entre os gêneros, entretanto ressalta-se que, dentre as mulheres, 9% apontaram trabalho doméstico não dividido igualmente como principal fator de cansaço em meio a pandemia, enquanto apenas 4% dos homens apontaram o mesmo. Também, 2% das mulheres apontaram cuidado das crianças como principal fator de cansaço em meio a pandemia enquanto dentre os homens essa alternativa não foi selecionada.

Conclusões / Considerações finais
A partir do cenário brasileiro no combate à pandemia, compreendemos que fatores descritos como estressores se mostram cotidianos para população geral(2) e também para estudantes e profissionais da saúde: incerteza da duração do isolamento social, medo de infecção, frustração de permanecer grandes períodos afastados da sociedade, falta e contradição de informações fornecidas pelos líderes de Governo(5).
Considerando o papel social da mulher e a divisão não igualitária do trabalho doméstico nas famílias historicamente sobrecarregando as mulheres(6), soma-se o momento atual de sobrecarga generalizada na saúde(7).
Esse estudo revela que gênero é fator relevante na sobrecarga em contexto pandêmico para atores da saúde visto que seus motivos, para as mulheres, nem sempre estão presentes na esfera masculina.
Ainda não é possível saber as repercussões futuras, vide a importância do olhar de gênero para estratégias de intervenção e recuperação saudável da sociedade em um futuro pós-pandêmico.

Referências
(1)WHO Director-General's opening remarks at the media briefing on COVID-19-11 March 2020. WHO.int, 2020.
(2)Editorial. COVID-19 in Brazil: “So what? www.thelancet.com v.395 May 9,2020
(3)ORNELL, Felipe et al. “Pandemic fear” and COVID-19: mental health burden and strategies. Braz. J. Psychiatry, São Paulo , v.42, n.3, p.232-235,June 2020.
(4)Boniol M, McIsaac M, Xu L, Wuliji T, Diallo K, Campbell J. Gender equity in the health workforce: analysis of 104 countries. Working paper 1. Geneva: World Health Organization;2019.
(5)SK Brooks, RK Webster, LE Smith, et al. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence Lancet, 395(2020), pp.912-920.
(6)Collins C, Landivar LC, Ruppanner L, Scarborough WJ. COVID-19 and the gender gap in work hours. Gender Work Organ.2020;1–12.
(7)Krystal JH, McNeil RL. Responding to the hidden pandemic for healthcare workers: stress. Nature Medicine.2020 May;26(5):639-.

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