Comunicação Oral

25/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC42 - Eixo 3 - Comunicação e Construção de Redes

34753 - “SUS QUE VAI À LUTA” COMO UM DOS SENTIDOS PRODUZIDOS PELA MÍDIA EM TEMPOS DE PANDEMIA: IMPLICAÇÕES PARA DEMOCRACIA E CONSCIENTIZAÇÃO SOCIAL
MARCELE CARNEIRO PAIM - ISC/UFBA, DANIELA DA SILVA BAUMGARTEN - ISC/UFBA, GESSINAYDE SILVA DE QUEIROZ - ISC/UFBA


Resumo
Ao longo dos 30 anos de existência do Sistema Único de Saúde (SUS), estudos dedicados à cobertura jornalística têm apontado a sistemática percepção do SUS como problema. Entretanto, com a pandemia, é possível notar mudanças nesse cenário através do crescimento da visibilidade do SUS, de seus profissionais e de matérias que ressaltam sua importância no combate à COVID-19. Através de um estudo qualitativo, este trabalho analisa os sentidos produzidos pela mídia sobre o SUS nos meses iniciais da pandemia no Brasil, a partir de matérias publicadas em um jornal de grande circulação. A categoria “SUS que vai à luta” abarcou 66 matérias que traziam narrativas sobre o esforço de profissionais e gestores do SUS no combate à pandemia, com informações sobre ações concretas do SUS nos âmbitos da atenção hospitalar e básica, da vigilância em saúde, da criatividade, inovação e cooperação também com a iniciativa privada. A análise dos resultados foi realizada à luz do modelo teórico do mercado simbólico, evidenciando que a circulação de discursos que destacam a importância do esforço realizado pelo SUS, seus profissionais e gestores trazem novos pontos de vista para a disputa simbólica. Conclui-se com reflexões sobre a importância da mídia na circulação de sentidos que despertem a consciência pela aproximação do projeto de sociedade democrática, mais justa e solidária que move o SUS.

Introdução
Ao refletir sobre mídia e políticas de saúde em tempos da pandemia, destacam-se implicações para a discussão sobre democracia, conscientização social e sistema de saúde brasileiro. Acredita-se que para compreender a atuação dos meios de comunicação na disputa de sentidos sobre a saúde, é ainda mais relevante estudar as narrativas e práticas midiáticas em torno da saúde, considerando os sentidos que produzem, argumentos aos quais recorrem, fontes que utilizam, imagens que constroem, ou seja, o entendimento da mediação dos meios de comunicação.
Ao longo dos 30 anos de existência do Sistema Único de Saúde (SUS), estudos dedicados à cobertura jornalística têm apontado a sistemática associação do SUS a falhas, criando e mantendo a percepção do SUS-problema(CARDOSO;ROCHA, 2018). Entretanto, com a pandemia, é possível notar mudanças nesse cenário através de posturas diferentes nas publicações. Considerando o crescimento da visibilidade do SUS, de seus profissionais e de matérias que ressaltam sua importância no combate à COVID-19, o presente trabalho apresenta reflexões sobre a atribuição do sentido “SUS que vai à luta” a um conjunto de matérias publicadas em um jornal de grande circulação.


Objetivos
Analisar publicações de um jornal de grande circulação brasileiro nos meses iniciais da pandemia e identificar os sentidos presentes sobre o SUS;
Apresentar as características do sentido “SUS que vai à luta”, apontando elementos do texto jornalístico que fundamentam a classificação;
Refletir sobre implicações da cobertura jornalística sobre o SUS para democracia e conscientização social.


Metodologia
O Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS), através do eixo Mídia e Saúde, vem desenvolvendo atividades para a pesquisa “SUS na mídia em contexto de pandemia”. A fim de analisar sentidos produzidos pela mídia sobre o SUS nos meses iniciais da pandemia no Brasil (janeiro a maio de 2020), O grupo de 10 pesquisadores realizou a coleta e análise de matérias do jornal Folha de S. Paulo. A metodologia de análise do estudo qualitativo incluía a atribuição do sentido predominante em cada matéria e sua categorização. Em seguida, os pesquisadores foram divididos em duplas para validação e aprofundamento da análise.
A categoria “SUS que vai à luta” abarcou 66 matérias com narrativas sobre o esforço de profissionais e gestores do SUS no combate à pandemia, destacando ações concretas do SUS nos âmbitos da atenção hospitalar e básica, da vigilância em saúde, da criatividade, inovação e cooperação com a iniciativa privada. Ou seja, publicações que retrataram o SUS de modo atuante e combatente.


Resultados e Discussão
Araújo (2007) compreende que a comunicação opera ao modo de um mercado simbólico, onde circula uma heterogeneidade de discursos que disputam o poder de fazer prevalecer determinada visão da realidade. No contexto da pandemia, impulsionada pela aceleração das redes digitais, a mídia assegura a difusão de sentidos sobre os modos da sociedade ver e intervir na realidade sanitária.
Nessa perspectiva de mercado simbólico, os resultados demonstraram a circulação de discursos que destacam o esforço realizado pelo SUS, seus profissionais e gestores, trazendo novos pontos de vista para a disputa simbólica.
Dentre as 66 matérias do eixo “SUS que vai à luta”, foi possível identificar 5 subcategorias. A subcategoria “Vigilância em Saúde” totalizou 8 matérias, destacando ações de análise e monitoramento da situação de saúde. Outros sentidos (“Criatividade e inovação”, “SUS em cooperação com a iniciativa privada” e “SUS centrado no hospital“) abrangeram 7 matérias cada. Esse último diz respeito ao discurso sobre o SUS vinculado ao modelo biomédico de assistência. Apenas 1 matéria compôs o sentido “Atenção Básica” e outras 36 permaneceram com o sentido “SUS que vai à luta”, sem subcategorias.


Conclusões / Considerações finais
As matérias analisadas destacaram a construção de narrativas de ações concretas realizadas pelo SUS no enfrentamento da COVID-19. A construção do discurso abarcou diferentes esferas da vigilância e da assistência. Diferente da construção de um SUS-Problema, polarizado com a saúde privada, as matérias destacaram iniciativas de cooperação entre os setores para superação do cenário pandêmico.
O avanço na difusão de notícias que retratam um SUS atuante em tempos de pandemia reafirma a importância da circulação de sentidos que despertem a consciência pela aproximação do projeto de sociedade democrática, justa e solidária que move o SUS.
Ao promover essa consciência, possibilitar democratizar informações, dar visibilidade aos princípios e defesas da cidadania e do SUS enquanto sistema público, a mídia se configura em um espaço vivo, dinâmico, político e exerce papel crucial, combatendo também a circulação de informações potencialmente iatrogênicas ou “midiatrogênicas”. (PAIM, 2007 p.54)


Referências
ARAÚJO IS, CARDOSO JM. COMUNICAÇÃO E SAÚDE. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2007. 152 p. (Coleção Temas em Saúde)
CARDOSO,J.M.;ROCHA,R.L.Interfaces e desafios comunicacionais do Sistema Único de Saúde. Ciência e Saúde Coletiva. Vol.23 n,6. Rio de Janeiro, 2018 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232018000601871&script=sci_arttext&tlng=pt
PAIM, J. Formulação de políticas de saúde: comunicação em vigilância sanitária. In: COSTA, E.A.; RANGEL-S,M.L. Comunicação em vigilância sanitária: princípios e diretrizes para uma política. Salvador: EDUFBA, 2007 p.41-55.

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