Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA41 - Eixo 5 - Gestão e DCNT (TODOS OS DIAS)

34735 - ANÁLISE DE CUSTO-EFETIVIDADE DO USO DA TOMOGRAFIA DE EMISSÃO DE PÓSITRONS NO ESTADIAMENTO INICIAL DO CÂNCER DE ESÔFAGO
ALINE NAVEGA BIZ - THE UNIVERSITY OF SHEFFIELD, ROSÂNGELA CAETANO - INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (IMS-UERJ)


Resumo
Este trabalho analisou a custo-efetividade do uso da tomografia de pósitrons associada à tomografia computadorizada (PET-TC) no estadiamento inicial de pacientes com câncer de esôfago. Desenvolveu-se modelo analítico de decisão para comparar estratégias de adição da PET-TC em relação à estratégia convencional baseada em tomografia computadorizada (TC) e ultrassonografia endoscópica (USE). Utilizou-se anos de vida como medida de efetividade, como horizonte temporal todo o período de vida dos indivíduos e perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas custos médicos diretos relacionados com a assistência médica foram incluídos. Resultados foram descontados em 5%. Foram realizadas análises de sensibilidade determinística univariada e probabilística. A oferta restrita da PET-TC geraria 10,6 anos de vida e custos de R$11.689.056 adicionais em relação à estratégia convencional, resultando em razão de custo efetividade incremental (RCEI) de R$1.103.953 por ano de vida ganho. Estadiamento baseado na oferta da PET-TC para todos os pacientes foi considerada dominada em relação à oferta restrita. Os parâmetros de maior incerteza sobre os resultados foram as estimativas de sobrevida dos pacientes, de acurácia das tecnologias, e mortalidade pós-cirúrgica. Dado pequeno benefício e elevado custo adicionais gerados, não se justifica a incorporação da PET-TC ao SUS para esta indicação.

Introdução
O uso da tomografia de emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada (PET-TC) tem sido proposto de maneira substitutiva ou complementar às técnicas convencionais de imagem em diversas indicações oncológicas, incluindo no estadiamento inicial do câncer de esôfago. Esta neoplasia possui elevada incidência e mortalidade no Brasil, com aproximadamente metade dos pacientes apresentando doença localmente avançada ou metastática já ao diagnóstico e baixas taxas de sobrevida, de 15 a 25% em 5 anos.1, 2 O estadiamento inicial acurado da doença é fundamental para a definição da estratégia terapêutica a ser adotada, e das chances de seu sucesso. Embora evidências científicas apontem para uma maior acurácia da tecnologia em relação às estratégias diagnósticas usualmente empregadas nesta indicação, sobretudo na detecção de doença metastática sistêmica e em linfonodos distantes,3 sua incorporação aos sistemas de saúde pode ter impacto significativo nos gastos. Ainda há escassez de estudos de avaliação econômica disponíveis na literatura sobre a tecnologia nesta indicação.4, 5

Objetivos
Este trabalho realizou uma análise de custo-efetividade comparando estratégias com uso adicional da PET-TC no estadiamento de pacientes com câncer de esôfago recém-diagnosticados em relação à estratégia diagnóstica atualmente disponível no SUS, baseada na tomografia computadorizada (TC) e ultrassonografia endoscópica (USE), na perspectiva do Sistema Único de Saúde como financiador da assistência em saúde.

Metodologia
Foi utilizado um modelo de árvore de decisão, onde a estratégia diagnóstica convencional foi comparada com duas estratégias de adição da PET-TC: restrita a pacientes sem evidências de metástases à distância pela TC, e oferta de modo substitutivo à TC a todos os pacientes. A população de referência incluiu pacientes com câncer de esôfago de tipo histológico carcinoma de células escamosas e características clínico-epidemiológicas baseadas em evidências nacionais. Utilizou-se como medida de efetividade anos de vida, e perspectiva do Sistema Único de Saúde como financiador da assistência. O horizonte temporal da análise correspondeu a todo o período de vida dos indivíduos. Apenas custos médicos diretos relacionados com a assistência médica foram incluídos. Parâmetros de acurácia e clínicos foram baseados em revisão sistemática realizada e dados da literatura.6 Resultados foram descontados em 5%. Foram realizadas análises de sensibilidade determinística univariada e probabilística.

Resultados e Discussão
A introdução da PET-TC ao arsenal diagnóstico disponível resultaria em aumento na efetividade e nos custos, independente da estratégia adotada. A adição da PET-TC de maneira mais restrita, apenas para pacientes sem evidência de metástases à distância a partir de TC geraria 10,6 anos de vida adicionais em relação à estratégia convencional de estadiamento a um custo adicional de R$11.689.056, resultando em razão de custo efetividade incremental (RCEI) descontada de R$1.103.953 por ano de vida ganho. Já a estratégia de estadiamento baseado na oferta da PET-TC para todos os pacientes geraria 7,55 anos de vida adicionais, a um custo de R$13.467.972, sendo considerada dominada em relação à estratégia de oferta restrita. Análises de sensibilidade determinísticas apontaram para as estimativas de sobrevida dos pacientes, de sensibilidades e/ou especificidades da biópsia, PET-TC e TC, e mortalidade pós-cirúrgica como os parâmetros de maior impacto nos resultados. Análises de sensibilidade probabilísticas apontam para a estratégia de oferta restrita ter maior probabilidade de ser a mais custo-efetiva apenas com limiares de aceitabilidade acima de R$1,2 milhões.

Conclusões / Considerações finais
Ainda que avaliações econômicas em saúde não sejam capazes de prover uma resposta definitiva para a melhor forma de alocação dos recursos para o sistema de saúde, elas são uma importante ferramenta para a tomada de decisão, por identificarem possíveis consequências de diferentes estratégias de utilização dos recursos, na tentativa de se buscar a mais eficiente. A inclusão da tecnologia PET-TC de forma combinada a outras modalidades de imagem no algoritmo diagnóstico, apenas para pacientes com resultados negativos para a detecção de metástases à distância pela TC, parece ser a melhor alternativa dentre as três examinadas, por ter gerado maior número de anos de vida em relação às demais estratégias. Entretanto, os elevados custos estimados e benefícios comparativamente pequenos, gerando um alto valor de RCEI, não justificam sua incorporação ao sistema de saúde nacional para a indicação avaliada.

Referências
1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Cancer Today. Estimated cancer incidence, mortality and prevalence worldwide in 2018. Lyon: IARC. 2018.
2. BRASIL. Estimativa 2016: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro; 2015.
3. Godoy M, et al. Multimodality imaging evaluation of esophageal cancer: staging, therapy assessment, and complications. Abdom Imaging 2013;38:974-93.
4. Annunziata S, Calderella C, Treglia G. Cost-effectiveness of Fluorine-18-Fluorodeoxyglucose positron emission tomography in tumours other than lung cancer: A systematic review. World J Radiol 2014;6:48-55.
5. Facey K, et al. Overview of the clinical effectiveness of positron emission tomography imaging in selected cancers. Health Technol Assess 2007;11:304.
6. Biz AN. Custo-efetividade do uso da Tomografia de Emissão de Pósitrons (PET scan) no estadiamento inicial do câncer de esôfago. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); 2019.

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