Comunicação Oral

25/03/2021 - 16:30 - 18:00
CC52 - Eixo 5 - COVID (2)

34669 - RESILIÊNCIA DO SISTEMA DE SAÚDE: IMPLEMENTANDO A RESPOSTA À PANDEMIA COVID-19 EM PERNAMBUCO
SYDIA ROSANA DE ARAUJO OLIVEIRA - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, AMANDA CORREIA PAES ZACARIAS - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, ANDRÉA CARLA REIS ANDRADE - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, KARLA MYRELLE PAZ DE SOUSA - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, BRUNA LINS RAMOS - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, FRANCISCLEIDE LAURIANO DA SILVA - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, ALETHEIA SOARES SAMPAIO - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, BETISE MERY ALENCAR SOUSA MACAU FURTADO - UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO, GISELE CAZARIN - FIOCRUZ- PERNAMBUCO, ANA LÚCIA RIBEIRO DE VASCONCELOS - FIOCRUZ- PERNAMBUCO


Resumo
A pandemia de Covid-19 impulsionou o sistema de saúde brasileiro a se reorganizar para acomodar o crescimento acelerado de usuários afetados pela doença. Este estudo tem como objetivo descrever a implementação da resposta à pandemia, com base no conceito de resiliência do sistema de saúde. Foram realizadas análises documentais e entrevistas com gestores do sistema público de saúde, buscando analisar as principais medidas governamentais adotadas e a gestão da resiliência do sistema de saúde. Dentre as repercussões da pandemia na capacidade do sistema de saúde de absorver / adaptar / transformar suas funções, foram descritos aspectos relacionados à governança regional, mudanças na dinâmica de trabalho e efeitos nos profissionais de saúde. Observou-se como estratégias organizadas de manutenção do sistema de saúde a adoção de mecanismos inovadores, a oferta de formação profissional, o estabelecimento de colaborações e parcerias, o apoio técnico e social, bem como o aprimoramento das rotinas organizacionais. Entende-se a importância da liderança no gerenciamento desses desafios e na melhoria da conduta do sistema, com lições que devem ser aprendidas para enfrentar novas situações adversas.

Introdução
Epidemias como SARS, Ebola, Zika geraram desafios para a implementação rápida e eficiente de medidas de enfrentamento destas doenças. Sistemas de saúde capazes de responder, baseados em evidências coordenadas e colaborativas, são críticos para uma resposta bem sucedida com manutenção de seu funcionamento1-3.
A pandemia de Covid-19 impulsionou o sistema de saúde brasileiro a se reorganizar para acomodar o crescimento acelerado de usuários afetados pela doença. Contudo, as incógnitas do COVID-19 mobilizaram esforços de respostas difíceis, apesar da orientação rápida e ampla da OMS4.
No Fórum Global de Pesquisa da COVID-19 foi declarada a necessidade urgente de observar como sistemas de saúde estão adaptando medidas de resposta, para compreender a resiliência dos sistemas de saúde, no contexto de planejamento e respostas pandêmicas4.
Por se tratar de epidemia de elevada magnitude e transcendência, onde há diversas lacunas, justifica-se esse trabalho pela oportunidade de avaliar uma situação epidêmica inusitada, com a realização de pesquisas avaliativas na área, com compartilhamento de conhecimento sobre as ações de enfrentamento empregadas até o momento.


Objetivos
Este estudo objetiva avaliar a implementação da resposta à pandemia, com base no conceito de resiliência do sistema de saúde.
Objetivos específicos
Analisar as principais medidas governamentais implementadas no enfrentamento à Covid-19.
Identificar as mudanças no sistema de saúde em decorrência do enfrentamento à Covid-19;
Examinar as estratégias de adaptação no sistema de saúde no enfrentamento à Covid-19.


Metodologia
Estudo qualitativo de caso único que utilizou como referencial conceitual a análise da resiliência do sistema de saúde5, através de categorias conceituais da implementação de rotinas organizacionais, no que diz respeito a análise das principais medidas governamentais implementadas, e das mudanças e estratégias de adaptação, buscando extrair o ponto de vista das partes interessadas sobre a resiliência do sistema de saúde. A abordagem foi qualitativa através de pesquisa documental e entrevistas semiestruturadas. Foram incluídos 16 profissionais de saúde, de nível superior atuantes na resposta à Covid19 e que atuaram em uma unidade hospitalar de referência para o tratamento da Covid-19 em Recife-PE, além de 12 gestores do nível estadual (Pernambuco) e municipal (Caruaru e Jaboatão dos Guararapes). Os dados foram coletados entre os meses de março e setembro de 2020. A análise dos dados ocorreu através da técnica de análise de conteúdo5. Todas as recomendações éticas foram seguidas.

Resultados e Discussão
Este estudo forneceu uma avaliação da implementação da resposta à COVID- 19, no sistema de saúde em Pernambuco. Dentre as repercussões da pandemia percebe-se aspectos relacionados à governança regional, mudanças na dinâmica de trabalho e efeitos nos profissionais de saúde. Observou-se adoção de mecanismos inovadores, oferta de formação profissional, o estabelecimento de colaborações e parcerias, o apoio técnico e social, bem como o aprimoramento das rotinas organizacionais. Contudo os hospitais reduziram as operações não críticas para fornecer mão-de-obra para a resposta a epidemia, profissionais de saúde foram expostos a pacientes infectados, houve escassez de profissional com cargas horárias excessivas, e problemas na qualidade do cuidado com alta letalidade. Identifica-se priorização da testagem para os profissionais de saúde, entretanto há escassez destas medidas de proteção para outros grupos6,7,8. O propósito foi compreender como melhor se adaptar para a próxima ameaça de saúde pública, no que se refere tanto a implementação de respostas quanto a resiliência do sistema de saúde.

Conclusões / Considerações finais
Pernambuco foi um dos primeiros estados brasileiros afetados pela COVID-19. Sua resiliência no sistema de saúde foi testada à medida que a pandemia continuou a se espalhar após um aumento no número de pessoas infectadas no início de abril. A adoção de medidas de testagem em massa, incluindo principalmente populações em risco, é vital para conter o enfrentamento a pandemia. Entende-se a importância da liderança no gerenciamento desses desafios e na melhoria da conduta do sistema, com lições que devem ser aprendidas para enfrentar novas situações adversas. Nossos resultados ajudarão sistemas de saúde a se beneficiarem da experiência aqui apresentadas e se prepararem para uma possível próxima pandemia.

Referências
1 Kruk ME, et al. What is a resilient health system? Lessons from Ebola. Lancet 2015; 385: 1910–2.
2 Kieny MP, et al. Health-system resilience: reflections on the Ebola crisis in western Africa. Bull World Health Organ 2014; 92: 850–0.
3 McCloskey B. SARS to novel coronavirus - old lessons and new lessons. Epidemiol Infect 2020; 148: e22.
4 WHO. 2019 Novel Coronavirus (2019-nCoV): Strategic Preparedness and Response Plan. Geneva, 2020
5 Turenne CP, et al. Conceptual analysis of health systems resilience: A scoping review. Soc Sci Med 2019; 232: 168–80.
6 Han, E et al. The resilience of Taiwan's health system to address the COVID-19 pandemic. EClinicalMedicine. V 24, July 2020
7 Biddle, L et al. Health system resilience: a literature review of empirical research, Health Policy and Planning, 2020
8 Legido-Quigley, H et al. The resilience of the Spanish health system against the COVID-19 pandemic. The Lancet. V 5 May 2020

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