Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA41 - Eixo 5 - Gestão e DCNT (TODOS OS DIAS)

34664 - ANÁLISE DE CUSTO-UTILIDADE DA MEMANTINA PARA A DOENÇA DE ALZHEIMER GRAVE NA PERSPECTIVA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
IONE AYALA GUALANDI DE OLIVEIRA - IMS-UERJ, ROSÂNGELA CAETANO - IMS-UERJ, ALINE NAVEGA BIZ - IMS-UERJ, RICARDO EWBANK STEFFEN - IMS-UERJ


Resumo
O objetivo do estudo foi realizar uma análise de custo-utilidade acerca do uso da memantina no estágio grave da Doença de Alzheimer (DA) no Brasil em comparação a nenhum tratamento farmacológico específico, na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS). Um modelo de Markov foi elaborado para simular a progressão da doença de Alzheimer através de cinco estágios finitos de saúde que consideraram a função cognitiva e um horizonte temporal de cinco anos. As probabilidades de progressão foram derivadas de ensaios clínicos e estudos de base populacionais. Os custos incluíram a hospitalização, consulta médica, uso de medicamentos adicionais, além de testes laboratoriais. As medidas de QALY (Quality Adjusted Life Year) foram derivadas da literatura internacional. Custos e benefícios foram descontados em 5%. O uso da memantina, comparada a nenhum tratamento farmacológico específico foi associada a ganhos em QALY e a custos adicionais. O modelo mostrou que a memantina foi associada a um ganho de 0,00308 QALY e um aumento dos custos de R$ 351,50 por paciente, resultando numa Razão de Custo-Efetividade Incremental de R$ 114.205,75 por QALY. O custo e o efeito da memantina na progressão da DA foram as variáveis sob maior incerteza. Apesar da memantina apresentar ganhos em QALY, sua RCEI é elevada para a realidade brasileira, considerando seus custos elevados e seu benefício marginal

Introdução
A DA representa a causa mais comum de demência, sendo uma doença progressiva e incurável, caraterizada por diferentes sintomas neuropsiquiátricos. É a principal responsável pela mortalidade e dependência funcional de idosos, constituindo significativo impacto econômico para os sistemas de saúde e para as famílias. Países de renda média e baixa apresentam números mais preocupantes no que se refere à DA, pois o índice de analfabetismo e a baixa escolaridade associam-se a um maior declínio cognitivo em idosos. O tratamento específico é realizado com inibidores da acetilcolinesterase e com memantina. Apesar da literatura mostrar divergência quanto a relação de custo-efetividade deste fármaco, ele foi incorporado no SUS em 2017 para uso na doença de Alzheimer grave. No entanto, ao contrário do previsto na legislação acerca da incorporação de tecnologias no SUS, uma avaliação econômica completa não foi realizada para demonstrar a custo-efetividade deste medicamento.

Objetivos
Realizar um estudo de custo-utilidade do uso da memantina em comparação a nenhum tratamento específico para a DA grave, considerando o SUS como financiador da assistência.

Metodologia
Para simular a progressão da DA, um modelo de Markov foi desenvolvido, considerando quatro estágios de saúde finitos definidos pela função cognitiva: estágio leve, moderado, grave e morto. O horizonte temporal adotado foi de cinco anos, considerando a DA uma enfermidade grave e de baixa expectativa de vida. As probabilidades de progressão da DA foram extraídas de ensaios clínicos e de estudos de base populacional. A hospitalização, uso de medicamentos adicionais para tratamento dos sintomas neuropsiquiátricos comumente apresentados na DA (ansiolíticos, antidepressivos e neurolépticos), consulta médica e testes laboratoriais foram contabilizados nos custos das estratégias em comparação. As medidas de utilidade foram derivadas da literatura internacional, dada a carência de dados locais. Custos e benefícios foram descontados em 5%.

Resultados e Discussão
No caso de referência, a memantina foi associada a ganhos em termos de QALY e a custos adicionais, quando comparada ao tratamento padrão (nenhum tratamento farmacológico específico). Seu uso foi associado a um ganho de 0,00308 QALY e a um custo adicional de R$ 351,50, levando a uma RCEI de R$114.205,75 por QALY. Análise de sensibilidade determinística mostrou que o custo da memantina e o efeito deste fármaco na progressão da DA representam as variáveis que mais impactam na RCEI. Estes efeitos resultam do fato do fármaco não alterar a evolução natural da doença e possuir um efeito limitado na progressão da DA e ainda delimitados ao tempo. A literatura é controversa com relação aos ganhos obtidos com o uso da memantina. Nossos resultados encontrados divergem da maioria das avaliações econômicas que consideraram este nicho, pois na maioria delas, a perspectiva adotada é a da sociedade, na qual os custos totais são considerados, incluindo o da institucionalização dos pacientes, a perda de produtividade dos doentes e o cuidado informal dos cuidadores. Ademais, os modelos usados nesses estudos agregam outros domínios, o local de residência e a dependência funcional dos doentes.

Conclusões / Considerações finais
Os resultados encontrados neste estudo apontam que a memantina usada na DA grave, quando comparada a nenhum tratamento específico e considerando a perspectiva do SUS, apresenta uma RCEI elevada, em função de custos elevados e ganhos relativamente pequenos em termos de QALY. Considerando as limitações existentes na análise, acredita-se que este trabalho poderia ter contribuído no processo de incorporação deste medicamento, apontando que sua incorporação não seria justificada no contexto brasileiro.

Referências
1. Nitrini, R. et al. Diagnóstico de Doença de Alzheimer no Brasil. Arq Neuropsiquiatr, v.63 (3-A), p.720-727, 2005.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE). Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Relatório de recomendação: memantina para doença de Alzheimer. 2017.
3. Matsunaga S, Kishi T, Iwata N. Memantine monotherapy for Alzheimer's disease: a systematic review and meta-analysis. PLoS One. 2015;10(4): e0123289
4. Howard, R. Donepezil and Memantine for Moderate-to-Severe Alzheimer’s Disease. N Engl J Med, v.366, p. 893-903, 2012.
5. Ebrahem, AS; Oremus, M. A pharmacoeconomic evaluation of cholinesterase inhibitors and memantine for the treatment of Alzheimer's disease. Expert Opin Pharmacother, v. 19, n.11, p. 1245-1259, 2018.

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