Comunicação Oral

25/03/2021 - 16:30 - 18:00
CC50 - Eixo 7 - Educação e planejamento em saúde

34616 - EDUCAÇÃO EM SAÚDE E PANDEMIA DE COVID-19: POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES DE ATIVIDADES FORMATIVAS À DISTÂNCIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
JADE CHARTONE EUSTÁQUIO - UFSJ, BIANCA DE ARAÚJO LIBOREIRO - UFSJ, CARMEN MARQUES LOPES - UFSJ, LARISSA ARANTES ROCHA - UFSJ, ALINE LAÍS DE SOUZA SILVA - UFSJ, CASSIA BEATRIZ BATISTA E SILVA - UFSJ, JULIA BRANDI - UFSJ, TATIANA TEIXEIRA DE MIRANDA - UFSJ


Resumo
Visando desenvolver ações interdisciplinares de enfrentamento à pandemia de COVID-19 em São João del Rei (SJDR) e região, criou-se o Observatório de Saúde Coletiva (OBESC), do qual destacou-se aqui a Sala de Formação em Saúde e Acolhimento. Busca-se por meio deste relato, apresentar a experiência de realização de atividades educativas, conduzidas por um grupo de trabalho dessa sala e realizadas de forma remota, junto a profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS). Para isso, foi feita análise qualitativa dos registros das atividades após discussões e apropriação de conceitos da Saúde Coletiva. São apontadas potencialidades (acesso das equipes da APS a orientações bem fundamentadas tecnicamente; estabelecimento de relação de apoio entre ensino e serviço) e limitações (dificuldades de participação de algumas equipes pela falta de internet e/ou computador e pela grande demanda de trabalho no serviço; dificuldades na mediação da atividade grupal por meios virtuais) dessa ação, além dos impactos da mesma na formação de estudantes de cursos da saúde. Foi possível refletir sobre os desafios da integração ensino-serviço e fortalecer essa relação num período em que a mesma se mostra ainda mais essencial, favorecendo a consolidação de um Sistema Único de Saúde fortalecido a partir da construção coletiva e sensibilização de seus diversos atores.

Introdução
Visando desenvolver ações interdisciplinares de enfrentamento à pandemia de COVID-19 em São João del Rei (SJDR) e região, criou-se o Observatório de Saúde Coletiva (OBESC), uma iniciativa consolidada pela parceria entre diversos programas e projetos de extensão e pesquisa da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), além de movimentos sociais organizados. O OBESC vem atuando em múltiplas frentes, algumas ligadas ao campo epidemiológico, sanitário e assistencial, outras voltadas à educação interprofissional e permanente em saúde (Batista, 2012; Ceccim & Feuerwerker,2004), a articulação das redes de saúde e as ações de solidariedade social. As atividades desse grande coletivo são gerenciadas através de quatro "Salas de Ação", destacando-se aqui a Sala de Formação em Saúde e Acolhimento. Esta possui três eixos de trabalho: articulação da rede de serviços de saúde (gestão em saúde), apoio formativo/educativo às equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) (educação permanente) e acolhimento psicológico dos profissionais de saúde, ações relevantes diante do impacto da pandemia de COVID-19 no fazer em saúde. Esse relato versa sobre as ações educativas dessa sala.

Objetivos
Busca-se por meio deste relato, apresentar a experiência de realização de atividades formativas através de meios virtuais, voltadas aos profissionais da APS da microrregião de São João del Rei (MG), durante a pandemia de covid-19, e apontar algumas de suas potencialidades e limitações, considerando os impactos destas tanto no que diz respeito ao processo de educação em saúde dos profissionais, quanto à formação acadêmica de estudantes de cursos da saúde.

Metodologia
Entre março e agosto de 2020, foram realizadas 15 atividades semanais de capacitação, sob a forma de videoconferências pelo Google Meets, tratando de temas ligados aos vários aspectos da Covid-19. Essas eram preparadas por um grupo interdisciplinar, com uma docente e nove estudantes de Medicina e Psicologia da UFSJ e direcionadas às equipes da APS da microrregião de SJDR. Duravam cerca 1h30min e ocorriam durante a jornada de trabalho desses profissionais. O planejamento das atividades se deu em reuniões virtuais semanais e através de grupo no Whatsapp. Os temas abordados incluíram sugestões dos profissionais capacitados e dos gestores da rede de saúde local. Procurou-se utilizar documentos orientadores de instituições de referência em saúde coletiva como principais fontes de informação. O trabalho foi registrado em atas e diários de campo; o presente relato foi feito a partir da análise qualitativa desses documentos, após discussões e apropriação de conceitos da Saúde Coletiva.

Resultados e Discussão
A utilização do ensino mediado por tecnologia possibilitou que diferentes ESF se reunissem num mesmo espaço de debate e troca de experiências, promovendo capacitação técnica para o trabalho num momento permeado por inseguranças e dúvidas. A relação entre universidade e serviços de saúde possibilitou troca mútua de informações, resultando em: (1) acesso das equipes da APS a orientações bem fundamentadas tecnicamente; (2) estabelecimento de uma relação de apoio para superação dos desafios trazidos pela pandemia; (3) contribuições para a práxis cotidiana dos profissionais; (4) formação teórico prática das estudantes envolvidas no projeto. As limitações identificadas foram: (1) dificuldades de participação de algumas equipes pela falta de internet e/ou computador e pela grande demanda de trabalho no serviço; (2) dificuldades na mediação da atividade grupal por meios virtuais, devido à distância e frieza desses, da novidade da experiência para os participantes da mesma e da própria dinâmica da pandemia. Na relação ensino-serviço foi possível observar certo descompasso entre a realidade das equipes de saúde e o que é preconizado nos protocolos e fluxogramas de enfrentamento da pandemia.

Conclusões / Considerações finais
Durante a pandemia, o OBESC se projeta como cenário de interlocução entre formação e serviço, fomentando reflexões sobre a dicotomia entre teoria e prática (Albuquerque et al., 2008; Kind & Coimbra, 2011). A experiência de trabalho interdisciplinar também possibilitou às discentes uma vivência de diferentes núcleos de saber para além da simples complementaridade. Diante dos limites e das insuficiências de cada núcleo, buscou-se uma práxis colaborativa em saúde voltada à integralidade. Nas capacitações foram escutadas e acolhidas algumas das dificuldades vivenciadas pelos profissionais em seu trabalho, trazendo reflexões sobre os desafios da integração ensino-serviço, mas estimulando o fortalecimento dessa relação ainda mais essencial nesse período. A realização dessas atividades apontam os desafios e potencialidades na consolidação de um Sistema Único de Saúde cada vez mais fortalecido a partir da construção coletiva e da sensibilização dos diversos atores que o formam.

Referências
ALBUQUERQUE, VS. et al. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de mudança na formação superior dos profissionais da saúde. RBEM, v.32, n.3, p.356-62, 2008.
BATISTA, NA. Educação interprofissional em saúde: concepções e práticas. Cad FNEPAS 2012; (2). Disponível em: http://fnepas.org.br/artigos_caderno/v2/educacao_interprofissional.pdf
CECCIM, RB; FEUERWERKER, LCM. O quadrilátero da formação para a área da saúde: ensino, gestão, atenção e controle social. Physis, Rio de Janeiro, v.14, n.1, p.41-65, June, 2004.
KIND, L; COIMBRA, JR. Revezamentos entre Teoria e Prática na Reorientação da Formação em Saúde. In: KIND, L. BATISTA, C. B. e GONÇALVES, L. (org.) Universidade e Serviços de Saúde: Interfaces, desafios e possibilidades na formação profissional em saúde. Belo Horizonte: Ed. PUC Minas, 2011.

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