Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA41 - Eixo 5 - Gestão e DCNT (TODOS OS DIAS)

34592 - FATORES ASSOCIADOS À SUSPEITA DO CÂNCER DE MAMA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM QUATRO METRÓPOLES BRASILEIRAS
DANILA CRISTINA PAQUIER SALA - FSP/USP, CRISTIANE PEREIRA DE CASTRO - FSP/USP, MARILIA CRISTINA PRADO LOUVISON - FSP/USP, TEREZA ETSUKO DA COSTA ROSA - INSTITUTO DE SAÚDE, SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE. SÃO PAULO., OSWALDO YOSHIMI TANAKA - FSP/USP


Resumo
Objetivo: Determinar fatores associados à realização da primeira suspeita do câncer de mama na Atenção Primária à Saúde (APS) em quatro metrópoles brasileiras. Método: Estudo multicêntrico, transversal analítico desenvolvido por meio de entrevistas estruturadas com mulheres com câncer de mama em centros oncológicos de Fortaleza, Campinas, São Paulo e Porto Alegre, entre os meses de março a junho de 2016. Foi utilizada a regressão logística multivariada para determinar associação de variáveis socioeconômicas e de atenção à saúde com o desfecho. Resultados: Foram entrevistadas 1.344 mulheres. Aquelas que tiveram as mamas examinadas na APS e primeira mamografia solicitada e realizada na rede pública tinham chance significativamente maior de obter a primeira suspeita do câncer na APS. Idade, escolaridade, raça/cor e posse de plano de saúde não influenciaram de forma determinante na suspeita de câncer de mama pela APS. Considerações finais: Apesar da grande heterogeneidade existente entre os municípios, pôde-se constatar que as recomendações ligadas à detecção precoce por meio da suspeição do câncer de mama, seja por meio do exame clínico das mamas, seja pela solicitação de mamografia, estão incorporadas na APS. Garantir essa etapa de cuidado à população com mais de 50 anos de idade e menores condições socioeconômicas mostra-se como um desafio.

Introdução
O cuidado ao câncer evoluiu muito fortemente centrado na lógica da atenção prescritiva, terapêutica e especializada. Nos últimos anos, tem se evidenciado a importância do papel da Atenção Primária à Saúde (APS), como forma de ampliar cenários de cuidado e o escopo de ações(1). No Brasil, a rede de atenção ao câncer evidencia o papel central da APS na coordenação do cuidado, embora ainda incipiente(2,3). Autores ressaltam que a organização, a oferta e a utilização de serviços configuram fatores que impactam diretamente sobre a qualidade de acesso da população brasileira(4). Conhecer fatores relacionados com a oferta e a utilização de serviços que determinam o acesso das mulheres à primeira suspeita do câncer de mama na APS, torna-se fundamental para a melhoria da detecção precoce e organização da rede de atenção. Este estudo buscou aprofundar essa análise a partir da experiência de mulheres diagnosticadas com câncer de mama que percorreram a rede de atenção entre a APS à Atenção Especializada (AE), em quatro metrópoles brasileiras.

Objetivos
Determinar fatores associados à realização da primeira suspeita do câncer de mama na Atenção Primária em quatro metrópoles brasileiras.

Metodologia
Trata-se de recorte da pesquisa “Análise Multifacetada sobre o Acesso a partir da Atenção Primária à Saúde, o funcionamento e a utilização da Atenção Especializada para quatro condições traçadoras em quatro grandes cidades brasileiras”. Entrevistaram-se mulheres em serviços de AE de Fortaleza, Campinas, São Paulo e Porto Alegre, por meio de questionário estruturado, entre os meses de março a junho de 2016. Foi critério de inclusão ser encaminhada da APS à AE e ter diagnóstico de câncer de mama. A associação entre as variáveis e o desfecho foi analisada primeiramente utilizando os testes qui-quadrado. Posteriormente, por meio da regressão logística multivariada introduziram-se as covariáveis em ordem de significância estatística (selecionadas a partir de p<0,20 na análise univariada), sendo apresentadas no modelo final de cada município as variáveis que apresentaram p<0,05. O estudo seguiu as normas éticas de pesquisa com seres humanos e teve aprovação no CEP sob o nº1.100.984/2015.

Resultados e Discussão
Foram entrevistadas 1344 mulheres com câncer de mama, sendo em Campinas n=311, Fortaleza n=325, Porto Alegre n=355, São Paulo n=353. Predominaram mulheres com 50 anos ou mais, até 12 anos de estudo e sem plano de saúde. Somente em Fortaleza a maioria das mulheres referiu cor/raça negra. Até 35,2% das entrevistadas referiu ter pago por atendimento médico ao câncer de mama. Nesse aspecto em Porto Alegre foi observado o maior percentual. Na análise multivariada receber a primeira suspeita do câncer na APS foi associado significativamente a ter mama examinada (OR=1,78; IC95%=1,34–2,36) e mamografia solicitada por profissionais na APS (OR=2,37; IC95%=1,77–3,18). A chance da primeira suspeita ocorrer na APS aumenta quando a mamografia é realizada pelo SUS (OR=1,42; IC95%= 1,0 – 2,0) e reduz entre mulheres residentes em Porto Alegre (OR=0,56; IC95%=0,39–0,80), Campinas (OR=0,42; IC95%=0,29-0,61) e Fortaleza (OR=0,31; IC95%=0,21-0,47) comparadas às paulistanas. Idade, escolaridade, cor/raça, ter plano de saúde e pagar por atendimento particular, não foram variáveis que influenciaram de forma significativa na suspeita do câncer de mama pela APS na análise multivariada.

Conclusões / Considerações finais
Este estudo multicêntrico, em quatro metrópoles brasileiras, revelou que existem diferenças entre os municípios, sendo que Fortaleza, Porto Alegre e Campinas têm significativamente menores chances de suspeita de câncer de mama em relação a São Paulo. Apesar dessa heterogeneidade entre os municípios, as recomendações ligadas à detecção precoce por meio da suspeição do câncer de mama, seja por meio do exame clínico das mamas, seja pela solicitação de mamografia, estão incorporadas na APS. Garantir esta etapa de cuidado com preocupação com relação a faixa etária e acesso às mulheres com menores condições socioeconômicas, considerando a relevância dos determinantes sociais do processo saúde-doença, mostra-se como um desafio à APS.

Referências
1. Rubin G, Berendsen A, Crawford SM, Dommett R, Earle C, Emery J, et al. The expanding role of primary care in cancer control. Lancet Oncol. 2015;16(12):1231–72. DOI 10.1016/S1470-2045(15)00205-3
2. Oliveira SB, Soares DA. Acesso ao cuidado do câncer de mama em um município baiano: perspectiva de usuárias, trabalhadores e gestores. Saúde em Debate. 2020;44(124):169–81. https://doi.org/10.1590/0103-1104202012412
3. Barros ÂF, de Araújo JM, Murta-Nascimento C, Dias A, Araújo JM de, Murta-Nascimento C, et al. Clinical pathways of breast cancer patients treated in the Federal District, Brazil. Rev Saude Publica. 2019;53(1):14. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2019053000406
4. Viacava F, Oliveira RAD de, Carvalho C de C, Laguardia J, Bellido JG. SUS: oferta, acesso e utilização de serviços de saúde nos últimos 30 anos. Cien Saude Colet. 2018;23(6):1751–62. https://doi.org/10.1590/1413-81232018236.06022018.

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