Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA41 - Eixo 5 - Gestão e DCNT (TODOS OS DIAS)

34570 - QUAL A RELEVÂNCIA DOS ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE SOBRE BRAQUITERAPIA GUIADA POR IMAGEM 3D EM PACIENTES COM CÂNCER DE COLO UTERINO?
ERICA ARANHA SUZUMURA - FMUSP, LAYSE MARTINS GAMA - FMUSP, HELOISA DE ANDRADE CARVALHO - FMUSP, PATRÍCIA COELHO DE SOÁREZ - FMUSP


Resumo
A braquiterapia (BT) faz parte do tratamento clínico padrão do câncer do colo uterino. A BT planejada por imagem tridimensional (3D) pode apresentar melhores desfechos clínicos em relação à BT convencional (2D), e maiores custos, em contrapartida. Apesar da incerteza relacionada a sua superioridade clínica e da ausência de estudos de custo-efetividade, alguns serviços de saúde incorporaram BT 3D na prática clínica.
Propomos a condução de uma revisão sistemática com meta-análises comparando os efeitos da BT 3D versus BT 2D sobre desfechos clinicamente relevantes e uma revisão sistemática de avaliações econômicas parciais e completas sobre BT 3D e BT 2D em pacientes com câncer do colo uterino. Ademais, propomos a construção de modelos para avaliação da custo-efetividade e custo-utilidade da BT 3D versus BT 2D em pacientes com câncer do colo uterino na perspectiva do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mesmo em contextos em que a BT 3D já foi incorporada, ainda há espaço para a realização de estudos de avaliação econômica para informar o processo de tomada de decisão em relação à incorporação, ratificando o uso da tecnologia vigente, ou à desincorporação da tecnologia e melhor alocação de recursos, além do desenvolvimento de diretrizes assistenciais e políticas de saúde nacionais.

Introdução
O câncer do colo uterino é a segunda neoplasia mais prevalente na população feminina. Em 2018 aproximadamente 311.000 mulheres no mundo morreram e em 2020 estima-se que 16.590 novos casos serão diagnosticados no Brasil.
O tratamento clínico do câncer do colo uterino envolve radioterapia externa da pelve seguida de braquiterapia (BT) intracavitária. Na BT convencional utiliza-se imagem bidimensional (BT 2D) com radiografia para visualização das estruturas pélvicas. As técnicas de imagem tridimensional (BT 3D) permitem a reconstrução do volume do tumor e dos órgãos adjacentes, possibilitando irradiação mais focalizada com maior proteção dos tecidos contíguos sadios.
Estudos prévios objetivando comparar os efeitos clínicos da BT 3D versus BT 2D são, em sua maioria, observacionais e retrospectivos, permanecendo, portanto, incerteza da efetividade em desfechos clinicamente relevantes. A despeito dessa incerteza e da ausência de processos de tomada de decisão mais formais, como estudos de avaliação econômica, a BT 3D tem sido incorporada na prática clínica em países desenvolvidos e em alguns serviços de referência no Brasil, a exemplo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

Objetivos
• Desenvolver modelos para avaliação da custo-efetividade e custo-utilidade da BT 3D versus BT 2D em pacientes com câncer do colo uterino na perspectiva do ICESP e do SUS.
• Informar o processo de tomada de decisão em relação à incorporação (ou desincorporação) da BT 3D nos programas de tratamento do câncer, desenvolvimento de diretrizes assistenciais e políticas de saúde nacionais.

Metodologia
Será conduzida uma revisão sistemática com meta-análises comparando os efeitos da BT 3D versus BT 2D sobre desfechos clinicamente relevantes. Também será conduzida uma revisão sistemática de avaliações econômicas parciais e completas sobre BT 3D e BT 2D em pacientes com câncer do colo uterino.
Por fim, serão conduzidos um estudo de decisão analítica, incluindo uma análise da relação benefício-dano, e uma avaliação econômica completa com análises de custo-efetividade e custo-utilidade da BT 3D versus BT 2D no tratamento de pacientes com câncer do colo uterino na perspectiva do ICESP e do SUS. A revisão sistemática de estudos de avaliação econômica identificará os valores dos parâmetros que poderão auxiliar na construção dos modelos de avaliação econômica, enquanto a revisão sistemática de estudos clínicos fornecerá as estimativas de risco para imputar as probabilidades de transição de estados de saúde nos modelos.

Resultados e Discussão
No ICESP, caracterizado como instituição de referência no diagnóstico e manejo de pacientes oncológicos, a adoção da BT 3D foi facilitada pela disponibilidade dos equipamentos para aquisição das imagens 3D (ressonância magnética e tomografia computadorizada) nas dependências do departamento de radiologia. Apesar da BT 3D apresentar superioridade técnica em relação à BT 2D, o que poderia conferir superioridade clínicas, nem todos os radioterapeutas utilizam imagens 3D para planejar a BT no tratamento de pacientes com câncer de colo uterino. Se a BT 3D for superior à 2D, e ambas as tecnologias estão disponíveis, todas as pacientes poderiam e deveriam se beneficiar da BT 3D. A adoção da BT 3D diante da insuficiência de dados de efetividade e segurança confiáveis no ICESP e em outros serviços de saúde do SUS que utilizam recursos públicos, acrescido à ausência de processos de tomada de decisão mais formais, como estudos de avaliação econômica ou análises de decisão multicritérios, é fato preocupante. Foram conduzidas as revisões sistemáticas e a construção dos modelos de custo efetividade e custo-utilidade estão em andamento para embasar a tomada de decisão nesse contexto.

Conclusões / Considerações finais
A avaliação da efetividade e segurança de uma intervenção deve ser a primeira dimensão avaliada no processo de decisão relativo às políticas de incorporação de tecnologias em saúde. Porém, os recursos financeiros são finitos e o emprego de recursos em uma nova tecnologia determina a realocação de outra área. Desta forma, não só os benefícios esperados, mas também os custos são itens importantes na decisão. Têm-se adotado cada vez mais estudos de custo-efetividade neste processo, como forma de racionalizar os recursos existentes.
Mesmo em contextos em que a BT 3D já foi incorporada, ainda há espaço para a realização de estudos de custo-efetividade e custo-utilidade para ratificar seu uso e contribuir para o desenvolvimento de diretrizes e protocolos assistenciais e políticas de saúde no âmbito nacional, ou ainda, promover a desincorporação da tecnologia e melhor alocação de recursos.

Referências
• Brasil. Ministério da Saúde. INCA. Incidência de Câncer no Brasil. Estimativas 2020. https://www.inca.gov.br/estimativa. Acesso em 28 Setembro 2020.
• Brasil. Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Ministério da Saúde. Diretrizes Metodológicas: Avaliação Econômica. 2014.
• Dutta S et al. Image-Guided Radiotherapy and Brachytherapy for Cervical Cancer. Front Oncol. 2015;5:1-6.
• Pötter R et al. The EMBRACE II study: The outcome and prospect of two decades of evolution within the GEC-ESTRO GYN working group and the EMBRACE studies. Clin Transl Radiat Oncol. 2018;9:48-60.
• Siebert U. When should decision-analytic modeling be used in the economic evaluation of health care? Eur J Heal Econ. 2003;4(3):143-150.
• Suzumura EA et al. Do we need cost-effectiveness analysis of brachytherapy for cervical cancer in the 3D image-guided era? Cancer Rep Rev. 2020. doi: 10.15761/CRR.1000202.

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