Comunicação Oral

24/03/2021 - 16:30 - 18:00
CC33 - Eixo 8 - Pandemia COVID-19: Impactos, desafios e estratégias de enfrentamento (1)

34543 - IMPACTOS DA PANDEMIA POR COVID 19 NO ATENDIMENTO ONCOLÓGICO DOS BRASILEIROS: DADOS DESCRITIVOS DA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE
LYCIA TRAMUJAS VASCONCELLOS NEUMANN - INSTITUTO ONCOGUIA/GATEWAY HEALTH, GUSTAVO KNOLL GIACOMETO - INSTITUTO ONCOGUIA, ANNA CAROLINA ARENA SIQUEIRA - INSTITUTO ONCOGUIA/ GRUPOS SIMAS FMUSP, LUCIANA HOLTZ DE CAMARGO BARROS - INSTITUTO ONCOGUIA


Resumo
A pandemia pelo novo coronavírus impactou todos os sistemas de saúde do mundo e no caso brasileiro, maior país da América do Sul em território, população e importância econômica, acarretou em paralisia dos serviços de saúde público e suplementares sob a justificativa da necessidade de reorganização da assistência e prevenção da disseminação da doença. Nesse contexto, a partir de meados do mês de março de 2020, o Instituto Oncoguia começou a receber em seu programa de apoio e orientação (Canal Ligue Câncer) demandas de pacientes com câncer e seus interlocutores sobre a suspensão/adiamento/cancelamento do tratamento do câncer nas cinco regiões do país. Tendo em vista o seu compromisso junto à sociedade, desenvolveu pesquisa capaz de captar as percepções desses atores sobre a problemática. A pesquisa foi aplicada por meio de questionário online e aqui é apresentado um recorte da análise preliminar dos resultados. Estes indicaram que a pandemia impactou negativamente o tratamento oncológico de usuários do SUS (60%) e da Saúde Suplementar (31%), na maior parte dos casos (72%) por decisão institucional. Tais resultados foram debatidos no X Fórum Nacional do Instituto Oncoguia (agosto de 2020), vislumbrando denunciar a situação e traçar um plano propositivo de retomada.


Introdução
No contexto da pandemia causada pelo novo coronavírus, o Brasil representa o país da América do Sul com maior número de casos, mortes e taxa de transmissão (1). Todos os sistemas de saúde sofreram pressão e, no caso brasileiro, desvelou a escassez do serviço público e a fragmentação do serviço suplementar, fatores que levaram à uma inicial paralisia dos serviços de saúde brasileiros. Paralisia justificada pelos gestores pela necessidade de reorganização para atendimento prioritário dos acometidos e prevenção da disseminação da doença (2,3,4). A partir da escalada exponencial do número de casos e dos decretos de quarentena que foram se espalhando pelas cinco regiões do país, o Instituto Oncoguia - organização não-governamental que defende e representa a voz dos pacientes com câncer (advocacy ngo) - começou a receber, pelo seu canal de atendimento Ligue Câncer, demandas de pacientes e seus interlocutores (familiares/cuidadores/amigos), relatando a suspensão, adiamento ou cancelamento do tratamento oncológico. Assumindo seu papel junto a esse público e a sociedade, desenvolveu pesquisa nacional para investigar os impactos da pandemia no manejo do tratamento do câncer no Brasil. (5,6).


Objetivos
A pesquisa teve como objetivo geral investigar os impactos da pandemia pelo novo coronavírus no tratamento oncológico no Brasil, a partir da percepção dos portadores de câncer e seus interlocutores. Neste recorte serão apresentados dados preliminares relacionados ao objetivo específico da pesquisa de identificar o impacto da pandemia no tratamento oncológico, por tipo de entrada no serviço de saúde (Sistema Único de Saúde- SUS- e Saúde Suplementar).


Metodologia
Para este estudo quantitativo de desenho observacional transversal, foi empregado como instrumento de coleta de dados questionário online (com 27 questões), disparado para a base de dados e redes sociais do Instituto Oncoguia. O questionário foi aplicado em 2 fases para pacientes com câncer e/ou seus interlocutores. A fase 1, realizada entre final de março e início de maio de 2020, teve 562 questionários respondidos, e a fase 2, realizada na segunda metade de julho/2020, contou com 439 questionários. A fase 2 foi interrompida para que os dados pudessem ser apresentados e debatidos no X Fórum Nacional do Instituto Oncoguia, realizado no início de agosto/2020 (5). Os dados coletados foram organizados em um banco de dados e separados por fase da pesquisa. Os cruzamentos de variáveis e as análises estatísticas descritivas foram realizadas com o programa Tableau Desktop ®.


Resultados e Discussão
Dos 1001 questionários, 84% são de pacientes, 12% de familiares e 3% de profissionais de saúde. De abrangência nacional, a pesquisa alcançou respondentes das cinco regiões, com 48,6% do Sudeste, 10,3% do Nordeste, 9,6% do Sul, 5,3% do Centro-Oeste e 3,3% da região Norte. Os participantes são na maioria do sexo feminino (88%) com idades entre 40 e 59 anos (51%). Nas duas fases, 34% eram usuários do SUS e mais de 50% da Saúde Suplementar. Os dados coletados na fase 1 indicam que para 41% dos pacientes em tratamento (n= 748), a pandemia impactou negativamente, sendo maior para usuários do SUS (60%) que Saúde Suplementar (31%). Impactos relatados: não conseguir marcar consulta, ter o tratamento adiado/suspenso sem previsão de retorno. Para 72%, a razão do adiamento/cancelamento do tratamento deveu-se à decisão institucional; em apenas 7% dos casos foi decisão compartilhada com os pacientes. As respostas da fase 2 indicam que a pandemia ainda impactava 31% dos pacientes, mais para usuários do SUS (47%) que da Saúde Suplementar (24%). Apesar do adiamento/cancelamento do tratamento por decisão compartilhada ter aumentado (24%), na maioria dos casos (63%) a decisão era institucional.


Conclusões / Considerações finais
A análise preliminar dos dados coletados evidencia o impacto que a pandemia pelo novo coronavírus está tendo no tratamento oncológico no Brasil, tanto para os serviços de saúde de gestão pública quanto para os de saúde suplementar. Esses achados foram discutidos durante o X Fórum Nacional do Oncoguia, e foi ponto de consenso do debate que, mesmo que os meios para retomada do tratamento do câncer sejam incertos e os sistemas e profissionais de saúde estejam sobrecarregados com novas demandas trazidas pela pandemia, é imprescindível e urgente a busca por formas de evitar uma futura epidemia de casos avançados de câncer por conta da suspensão/adiamento ou cancelamento de consultas, exames e tratamento, seja por parte das instituições ou dos pacientes. Frente a esse contexto desafiador, a descontinuidade do tratamento do câncer no Brasil acrescenta ônus para a sociedade e para um sistema de saúde que já estava bastante sobrecarregado.


Referências
1. Fernandes L; Ortega F. A Atenção Primária no Rio de Janeiro em tempos de Covid-19. Physis: Revista de Saúde Coletiva.Rio de Janeiro. 202. 30(3), e300309.
2. Gomes et al.Impact of COVID-19 on clinical practice, income, health and lifestyle behavior of Brazilian urologists. Int Braz. J. Urol. 2020; 46 (6): 1042-1071, November - December, 2020
3. Scaife et. al. The urologist’s role in the fight of COVID-19 pandemic: mandatory mindset shift on the frontline. Int Braz. J. Urol. 2020; 46 (5): 879-88.
4. Zhao G. Tomar medidas preventivas inmediatamente: evidencia de China sobre el COVID-19. Gac Sanit. 2020;34(3):217–219.
5. INSTITUTO ONCOGUIA. X Fórum Nacional do Instituto Oncoguia: Relatório descritivo das mesas de debate. agost. 2020.
6. Travassos C. A investigação em serviços de saúde e a pandemia de COVID-19. Cad. Saúde Pública. 2020;36(9):e00243920

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