Comunicação Oral

24/03/2021 - 16:30 - 18:00
CC32 - Eixo 7 - Educação para o trabalho em saúde

34503 - A UTILIZAÇÃO DA WEB COMO FONTE DE INFORMAÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO DE UM MODELO DE AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELESSAÚDE NO BRASIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
DANIELA LACERDA SANTOS - CENTRO UNIVERSITÁRIO ARTHUR SÁ EARP NETO (UNIFASE), GIZELE DA ROCHA RIBEIRO - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ), CARLA CARDI NEPOMUCENO PAIVA - INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (IMS/UERJ), ANA CRISTINA CARNEIRO MENEZES GUEDES - HOSPITAL FEDERAL DOS SERVIDORES DO ESTADO (HFSE), ROSÂNGELA CAETANO - INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (IMS/UERJ), ANGÉLICA BAPTISTA SILVA - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SERGIO AROUCA - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (ENSP/FIOCRUZ), RONDINELI MENDES SILVA - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SERGIO AROUCA - FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (ENSP/FIOCRUZ), IONE AYALA GUALANDI DE OLIVEIRA - INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL-UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (IMS/UERJ), VANESSA DE LIMA SOUZA - INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL-UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (IMS/UERJ)


Resumo
Relato de experiência sobre uso da web como fonte de informação sobre as aplicações de telessaúde no contexto nacional, como parte do projeto de pesquisa “Modelo de avaliação de serviços de Telessaúde (MAST): adaptação e validação para o contexto brasileiro”, ainda em curso. Apresenta-se o caminho metodológico utilizado para mapear os serviços e as aplicações de Telessaúde nele ofertado através da web. A coleta foi realizada em seis etapas por quatro pesquisadores de forma independente, orientada por um instrumento eletrônico padronizado de coleta. Através das informações obtidas, foi possível identificar 243 núcleos de telessaúde ligados ao Sistema Único de Saúde, partindo-se do uso combinado de três fontes complementares: Secretaria de Atenção Primária à Saúde (utilizando-se dados do antigo Departamento de Atenção Básica), Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e Rede Universitária de Telemedicina. Concluiu-se que a web se revela como uma importante ferramenta para obter informações sobre os núcleos de Telessaúde, a despeito de algumas limitações identificadas. Espera-se que a vivência relatada seja construtiva para fortalecer a reflexão sobre o uso da web no âmbito da Telessaúde, considerando a transparência, divulgação, democratização e acesso às informações e serviços de saúde, como uma estratégia da pesquisa, planejamento e gestão no SUS.

Introdução
A Telemedicina utiliza recursos tecnológicos de informação e de comunicação, objetivando garantir acesso às ações de cuidados em saúde, por meio do atendimento a distância entre prestadores de serviço de saúde e os usuários1. As ações de Telemedicina tiveram início no país nos anos 90, acompanhando tendência mundial de atendimento médico e geração de laudos à distância. Dentre as iniciativas implementadas na agenda pública destaca-se a Rede Universitária de Telemedicina, coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, cujo objetivo principal é aprimorar a infraestrutura de comunicação e colaboração interinstitucional entre hospitais universitários e instituições de saúde; e o Programa Nacional Brasil Redes Telessaúde, que visa melhorar a qualidade do atendimento da Atenção Primária, através das atividades de educação permanente e da oferta de apoio assistencial através dos Núcleos de Telessaúde2. O estudo faz parte do projeto de pesquisa “Modelo de avaliação de serviços de Telessaúde (MAST): adaptação e validação para o contexto brasileiro”, cuja proposta é um modelo de avaliação que auxilie na institucionalização das ações de Telessaúde no Sistema Único de Saúde.

Objetivos
Compartilhar o processo e a experiência vivenciada por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores do campo da saúde coletiva, na utilização da web como fonte de informação para o mapeamento e elaboração de um perfil dos núcleos de telessaúde (NT) no contexto brasileiro.

Metodologia
Relato de experiência de docentes e pós-graduandos envolvidos na coleta de informações na web sobre os serviços e aplicações da Telessaúde no Brasil, desenvolvida entre dez/2018 e início/2020. Os NT foram levantados em: (i) página eletrônica da Rede RUTE; (ii) página do Departamento de Atenção Básica; e (iii) cadastro do CNES. O trabalho foi realizado em seis etapas: (1) Construção do formulário eletrônico de coleta, subsidiada por revisão de escopo sobre serviços e aplicações de Telessaúde no país; (2) Elaboração de instrutivo para sistematização e padronização da coleta; (3) Seleção das fontes de informação, contemplando páginas eletrônicas dos núcleos, redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, YouTube) e busca no Google; (4) Pré-teste para avaliar aplicabilidade do formulário; (5) Coleta dos dados por quatro pesquisadores, de forma independente; (6) Sistematização e análise dos dados obtidos. Dúvidas e questionamentos foram compartilhados em reuniões presenciais e à distância.

Resultados e Discussão
Identificou-se 243 NT e grande diversidade de fontes de informação relacionadas à Telessaúde. Os Núcleos Técnico-Científicos estão cadastrados no Programa Brasil Tele Redes e possuem Pontos de Telessaúde (13.516) correspondentes às unidades de recepção dos serviços especializados, identificados no CNES. As Unidades de Telessaúde envolvem estabelecimentos não vinculados ao Programa, que realizam Teleconsultoria e Apoio ao Diagnóstico através de distâncias geográficas e temporais. A RUTE possui 139 unidades, oito das quais presentes no CNES, e 55 Grupos de Interesse Especial, onde profissionais de saúde debatem temas específicos, a partir de vídeo/web conferências voltadas ao ensino, pesquisa ou atendimento à distância. Grande parte dos núcleos estaduais possuem páginas específicas e redes sociais. Há pouco detalhamento disponível na web sobre as ações de teleconsultoria e de telediagnóstico oferecidas pelos NT3. Apesar de alguns NT terem plataformas digitais com acesso restrito, foi possível obter informações no Facebook e YouTube, utilizados para divulgar as atividades educativas. As mídias sociais possuem um potencial didático e pedagógico no que diz respeito à educação em saúde4.

Conclusões / Considerações finais
A experiência possibilitou a troca de conhecimentos no âmbito da pesquisa avaliativa, desenvolvimento de habilidades na utilização de recursos digitais, conhecimento sobre fontes de informação de qualidade, confiáveis e susceptíveis à consulta on line. Os sites dos NT funcionam como recursos de divulgação de seus serviços. Contudo, dados incompletos ou desatualizados, mudanças da informação ao longo do tempo, difícil recuperação dos dados foram algumas das limitações identificadas na utilização da web como fonte de informação sobre aplicações da Telessaúde. Ampliar o uso da web como fontes interativas de informação e de consultas para os usuários é um dos desafios para a gestão e planejamento dos serviços de telessaúde. Investimento em ferramentas de informação para atender às demandas crescentes por democratização da informação, transparência, confiabilidade e consistência dos dados são fundamentais para o fortalecimento dos serviços de Telessaúde no SUS.

Referências
1. World Health Organization. A health telematics policy in support of WHO’s Health-for-all strategy for global health development: report of the WHO Group Consultation on Health Telematics. Geneva; 1997 p. 39. Report No. WHO/DGO/98.1.
2. BERNARDES ACF, et al. Utilização do Programa Telessaúde no Maranhão como ferramenta para apoiar a Educação Permanente em Saúde. Revista Panamericana de Salud Pública 2018;42: e134. doi.org/10.26633/RPSP.2018.134
3. DALMASO MS, BONAMIGO AW. A pesquisa on-line sobre amamentação: entre o senso comum e a OMS na era digital. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde, 2019; 13(4):911-21.
4. MALDONADO JMSV, et al. Telemedicina: desafios à sua difusão no Brasil. Cad. Saúde Pública 2016, 32 (suppl.2):e00155615.

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