Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA61 - Eixo 7 - RESIDÊNCIAS EM SAÚDE E A FORMAÇÃO PARA O SUS (TODOS OS DIAS)

34467 - PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA GESTÃO DE PROGRAMAS DE RESIDÊNCIA E DA PRECEPTORIA NO SUS: APOIO AOS PROCESSOS DE MUDANÇA NA REALIDADE EDUCACIONAL
EVERTON SOEIRO - IEP-HSL, JOSÉ MAURÍCIO DE OLIVEIRA - IEP-HSL, ROMEU GOMES - IEP-HSL, ADRIANA BARBIERI FELICIANO - UFSCAR, ALTAIR MASSARO - IEP-HSL, EDSON MALVEZZI - IEP/HSL, ROSELI FERREIRA DA SILVA - IEP-HSL, VERA LÚCIA GARCIA - IEP/HSL


Resumo
O investimento na formação por meio das residências em saúde visa à qualificação da atenção à saúde no SUS. Este relato caracteriza propostas de mudança decorrentes dos desafios de programas de residência. Trata-se de experiência PROADI-SUS, parceria IEP-HSL/MS/CONASS/CONASEMS, intitulada Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS, desenvolvida em 40 regiões do País. Uma das atividades desta proposta educacional foi a construção e desenvolvimento de um Projeto de Intervenção (PI). Os PI foram elaborados por preceptores ou gestores de programas, que escolheram um problema prioritário para enfrentamento, em oficinas de trabalho, apoiadas nas concepções do pensamento estratégico, modelo causal, lógico-teórico e lógico-operacional. Esta primeira edição do DGPSUS ofereceu 950 vagas, onde estão sendo desenvolvidos 163 PI. Os problemas escolhidos foram agrupados em seis núcleos temáticos. O tema “integração ensino-serviço” está abordado em 56 PI; “fortalecimento das ações de preceptoria” em 35 PI; “implantação ou reorganização dos PPC” em 24 PI; “formação pedagógica para preceptores”, em 18 PI; “integração entre programas de residência” em 18 PI; e “avaliação em programas de residência” em 12 PI. Esta ação educacional tem se mostrado potente em diálogo, reflexão e transformação. Esta tem sido uma aposta metodológica para a sustentabilidade do SUS.

Introdução
Após 2003, observou-se um incremento nas ações de formação em saúde, especialmente no que tange à qualificação para o cuidado e a gestão no SUS. Isto se traduziu na formulação de políticas públicas1 para cursos na área da saúde, especialmente com a compreensão que o SUS é um grande cenário, onde se dá a produção do cuidado e da gestão, daí o reconhecimento deste, como campo de formação e aprendizagem2. No que se refere à formação em residências em saúde, em 2005 foram criados os programas de residências multiprofissionais em saúde (RMS), sendo equiparados às residências médicas (RM) como padrão ouro de formação, bolsa trabalho e carga horária. O objetivo no fortalecimento da formação em residência é a qualificação da atenção à saúde, na tentativa de superação do modelo biomédico, contribuindo para a inserção de trabalhadores no SUS. No entanto, o processo de continuidade e ou a constituição de novos programas de residência em saúde tem se dado de maneira diversa em todo o País, a depender da condição da rede de atenção em saúde locorregional e da capacidade organizacional das instituições formadoras envolvidas.

Objetivos
Caracterizar as propostas de mudança decorrentes dos desafios presentes no contexto dos programas de residência em saúde, ancoradas em Projetos de Intervenção, durante a realização do Projeto Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS – DGPSUS3- (Projeto PROADI-SUS (triênio 2018-2020, parceria do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa (IEP/HSL), Ministério da Saúde (MS), CONASS e CONASEMS e Instituições de Ensino Superior (IES).

Metodologia
Trata-se de relato de experiência do Projeto DGPSUS, onde desenvolveu-se dois processos educacionais para trabalhadores/gestores vinculados a programas de residências em saúde, um Curso de Especialização em Educação na Saúde para Preceptores no SUS (PSUS) e um Curso de Aperfeiçoamento em Gestão de Programas de Residências em Saúde no SUS (GPRS). Ambos foram desenvolvidos para participantes de 40 regiões do país, se distribuindo em cinco regiões no Centro-Oeste, sete no Norte, seis no Sul, quinze no Nordeste e oito no Sudeste. Os cursos utilizam como abordagem pedagógica, as metodologias ativas de ensino-aprendizagem4, sendo uma das atividades curriculares o desenvolvimento de um projeto de intervenção (PI). Os PI são elaborados por meio de coletivos, que por afinidade, escolhem um problema prioritário para enfrentamento e mudança da realidade. Realizou-se sete oficinas de trabalho, apoiadas nas concepções do pensamento estratégico5 e modelo causal, lógico-teórico e lógico-operacional6.

Resultados e Discussão
Esta primeira edição do Projeto DGPSUS ofereceu 800 vagas para o PSUS e 150 para o GPRS. O coletivo de participantes de ambas as iniciativas estão desenvolvendo 163 projetos de intervenção, sendo 115 na iniciativa PSUS e 48 no GPRS. Os problemas prioritários escolhidos pelos participantes foram agrupados em seis núcleos temáticos destacando os principais temas que se mostram mais desafiadores, tanto para preceptores, como gestores dos programas de residência. O tema “integração ensino-serviço” está abordado em 49 PI(PSUS) e 07 PI(GPRS); “fortalecimento das ações de preceptoria” em 30 PI(PSUS) e 05 PI(GPRS); “implantação ou reorganização dos PPC” em 09 PI(PSUS) e 15 PI(GPRS); “formação pedagógica para preceptores”, em 14 PI(PSUS) e 04 PI(GPRS); “integração entre programas de residência” em 09 PI(PSUS) e 09 PI(GPRS) e “avaliação em programas de residência” em 04 PI(PSUS) e 08 PI(GPRS), sendo os temas mais abordados a “integração ensino-serviço” e a “atuação do preceptor”. Segundo as regiões do país, do total de PI, 36,1% estão no Nordeste; 20,8% no Sudeste; 16,5% no Norte; 14,1% no Sul e 12,2% no Centro-oeste.

Conclusões / Considerações finais
O projeto DGPSUS tem contribuído para manter em pauta o investimento e qualificação da formação por meio dos programas de residências em saúde. Verifica-se a potência transformadora destes programas na produção do cuidado em saúde no SUS, além da construção de pontes e mecanismos de aproximação, para o fortalecimento da parceria ensino-serviço impulsionando a reorganização dos sistemas locais de saúde. Os dois principais temas que abarcam a escolha dos problemas prioritários evidenciam as fragilidades de comunicação e conexão entre pares locais, além da reprodução histórica da formação de trabalhadores, pouco pautadas pelo diálogo, protagonismos dos educandos, autonomia e prática reflexiva centrada nas necessidades de saúde e realidade do contexto. A ação educacional “Projetos de Intervenção” tem se mostrado com força mobilizadora de diálogo, reflexão e transformação. Esta tem sido uma aposta metodológica para a sustentabilidade do SUS.

Referências
1.Brasil. MS. SGTES. Residência Multiprofissional em Saúde: experiências, avanços e desafios. Brasília (DF): MS;2006
2.Nalom DMF, Ghezzi JFSA, Higa EFR, Peres CRFB, Marin MJS. Ensino em saúde: aprendizagem a partir da prática profissional. Ciência & Saúde Coletiva, 24(5):1699-1708, 2019, p.1699-1708
3.Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. Caderno do projeto: desenvolvimento da gestão e da preceptoria no SUS - DGPSUS 2018-2020. São Paulo: Hospital Sírio-Libanês; Ministério da Saúde;2019.
4.Lima VV. Espiral construtivista: uma metodologia ativa de ensino-aprendizagem. Interface. 2017; 219(61):421-34.
5.Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. Projeto Aplicativo: termos de referência. São Paulo: Hospital Sírio-Libanês; Ministério da Saúde;2016.
6.Champagne F. et al. Modelizar as intervenções. In: Brousselle A, Champagne F, Contrandriopoulos AP, Hartz Z. (Org.) Avaliação: conceitos e métodos. Rio de Janeiro: FIOCRUZ; 2011. p. 61-74

Trabalhos Aprovados

Veja as orientações sobre a apresentação dos trabalhos.

SAIBA MAIS
Programação Científica

Consulte a programação completa das palestras e cursos disponíveis.

SAIBA MAIS
Informações Importantes

Informe-se!
Veja as últimas notícias!

SAIBA MAIS