Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA60 - Eixo 7 - INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO (TODOS OS DIAS)

34463 - AS DEMANDAS NA ENCOMENDA DE UMA PESQUISA-INTERVENÇÃO: ARTICULAÇÃO NECESSÁRIA PARA A INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO NO SUS
ADRIANA BARBIERI FELICIANO - UFSCAR, LEANDRA ANDRÉIA DE SOUSA - UFSCAR, MARISTEL KASPER - EERP/USP, MONICA VILCHEZ DA SILVA - DRSIII-SES/SP, MÁRCIA NIITUMA OGATA - UFSCAR, ANA BEATRIZ DA COSTA FRANCESCHINI - DRSIII-SES/SP, FLÁVIO ADRIANO BORGES - UFSCAR, CINIRA MAGALI FORTUNA - EERP/USP


Resumo
Trata-se do relato de pesquisa qualitativa, em andamento, realizada por meio de edital PPSUS/FAPESP processo nº. 2019/03848-7, cujo título é “Contribuições da pesquisa-ação para o desenvolvimento de práticas profissionais em educação permanente em saúde e apoio institucional: pesquisa-intervenção”. O relato tem o objetivo de analisar as demandas de gestores municipais de saúde apresentadas nas reuniões das Comissões Intergestores Regional (CIR) e de apoiadores de humanização e articuladores de educação permanente em saúde nas reuniões realizadas pelo Centro de Desenvolvimento e Qualificação para o SUS (CDQ-SUS) de um Departamento Regional de Saúde (DRS) do interior paulista, quanto à encomenda da realização de uma pesquisa-intervenção com seus municípios. A proposta foi apresentada em quatro reuniões de CIR, o diretor do DRS explicitou a necessidade de maior aproximação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) nesta região, no sentido de que as pesquisas ajudem evidenciar as necessidades de saúde destes territórios. Em outras falas, emerge a sugestão de articulação dos espaços de reflexão da pesquisa aos problemas prioritários identificados na elaboração do Plano Estadual de Saúde. A demanda dos gestores reforça a necessidade e o desafio de trazer os usuários como componentes do desenvolvimento de uma pesquisa do tipo-intervenção.


Introdução
Historicamente, as instituições saúde-educação caminham de forma paralela e, em geral, as aproximações são agenciadoras de tensão. Tomamos como agenciamento a composição de elementos presentes durante uma relação2. A partir de 2003, intensificou-se o fomento às políticas públicas com o objetivo de aproximar estas instituições para uma relação mais intercambiante e rizomática, em que a produção do trabalho universitário se conectasse com a as práticas do cuidado, trabalho e gestão3. Quanto à formação em saúde, produziram-se muitas experiências promissoras; no entanto, na pesquisa os interesses estão atravessados por escolhas produtoras de um instituído hegemônico, mais produtor de competição do que de colaboração e, por vezes, com uma produção de conhecimento e tecnologias pouco acessíveis à população. Assim, apresentamos este trabalho que utiliza de um referencial que visa desenvolver um desenho participativo, onde encomenda/demanda são colocados na mesa entre gestores, trabalhadores e pesquisadores e as necessidades que emergem serem analisadas. A encomenda se refere ao pedido formal da intervenção e as demandas são as proposições que se manifestam no processo da pesquisa4.


Objetivos
Analisar a demanda de gestores municipais de saúde apresentadas nas reuniões das Comissões Intergestores Regional (CIR) e de apoiadores de humanização e articuladores de educação permanente em saúde nas reuniões realizadas pelo Centro de Desenvolvimento e Qualificação para o SUS (CDQ-SUS) de um Departamento Regional de Saúde (DRS) do interior paulista, quanto à encomenda da realização de pesquisa-ação-intervenção junto a seus municípios.



Metodologia
Apresenta-se dados parciais do Programa de Pesquisa para o SUS PPSUS/FAPESP processo nº. 2019/03848-7, cujo título é “Contribuições da pesquisa-ação para o desenvolvimento de práticas profissionais em educação permanente em saúde e apoio institucional: pesquisa-intervenção”. Trata-se de estudo qualitativo, apoiado em pressupostos da pesquisa intervenção e da pesquisa-ação, adotando como referencial teórico-metodológico, a Socioclínica Institucional4. A pesquisa foi iniciada em setembro de 2019 e está em vigência, sendo desenvolvida junto a vinte e quatro municípios de um DRS do interior paulista. O coletivo de participantes é constituído por docentes pesquisadores, pós-graduandos, gestores e trabalhadores do SUS, totalizando 47 participantes. Como etapa inicial da pesquisa, o projeto aprovado foi apresentado em quatro reuniões de CIR, com a presença do diretor técnico do DRS e de gestores municipais da saúde ou representantes destes.


Resultados e Discussão
As reuniões de CIR em que a pesquisa foi apresentada foram iniciadas pelo diretor do DRS com os informes da reunião. Em seguida, a palavra foi dada aos pesquisadores presentes para a apresentação da pesquisa, como primeiro ponto de pauta. Após a apresentação, abriu-se a conversa para que os gestores presentes pudessem se manifestar e participar da construção da pesquisa. Então, os pesquisadores se retiraram da reunião. Em geral, houve um bom clima de conversa, pois trata-se de um coletivo de pesquisadores que já vêm desenvolvendo projetos por meio dessa parceria há alguns anos. No diálogo que se estabeleceu, o diretor do DRS explicitou a necessidade de maior aproximação dos usuários do SUS com as propostas direcionadas ao SUS por essa região, no sentido de que as pesquisas possam ajudar a evidenciar as necessidades de saúde dos territórios. A quem ofertamos assistência? Como estamos organizados para corresponder às demandas? Em outras falas, emerge a sugestão de articulação dos espaços de reflexão da pesquisa aos dez problemas prioritários identificados na elaboração do Plano Estadual de Saúde, sendo cinco do âmbito da gestão e outros cinco da assistência em saúde.


Conclusões / Considerações finais
Em projeto prévio realizado com apoiadores de humanização e articuladores de educação permanente em saúde (2016 a 2018), no encontro de restituição, o coletivo também refletiu sobre como o usuário ainda é distante deste universo da pesquisa e, por vezes, da própria organização do processo de trabalho no SUS. Por vezes, não é a ele que as práticas são direcionadas. Essa reflexão coincide com o pedido dos gestores e nos coloca, como coletivo, o desafio da inclusão dos usuários no desenvolvimento da pesquisa. Tal prioridade e as discussões em coletivos de gestão e de pesquisadores sobre a mesma foram momentaneamente suspensas, devido à pandemia. Contudo, a necessidade de haver enfrentamento na direção identificada permanece em nosso radar, considerando o pressuposto de construção coletiva destes processos como inerentes ao desenho da pesquisa-ação-intervenção, ficando ainda colocado para este coletivo de pesquisadores a necessidade de ampliarmos a participação social.


Referências
1. Deleuze G. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal; 2006.
2. Haddad, A. E. et al. Pró-Saúde e PET-Saúde: a construção da política brasileira de reorientação da formação profissional em saúde. Revista Brasileira de Educação Médica 4 36 (1 Supl. 1) : 3 – 4 ; 2012.
3. LOURAU, R. A Análise Institucional. 3 ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
4. MONCEAU, G. A Socioclínica institucional para pesquisas em educação e em saúde. In: L’ABBATE, S.; MOURÃO, L. C.; PEZZATO, L. M. Análise Institucional & Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec, 2013. p. 91-103.

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