Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA42 - Eixo 5 - Gestão e doenças infecciosas e parasitárias (TODOS OS DIAS)

34462 - PANORAMA DA PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO (PREP) AO HIV NO ESTADO DO MARANHÃO
SAN DIEGO OLIVEIRA SOUZA - UNB


Resumo
Desde os primeiros casos da Síndrome da Imunodeficiência Humana (AIDS), a doença chamou atenção da comunidade cientifica. Hoje, o foco está na cura e novas tecnologias de prevenção, dentre elas a Profilaxia Pré-exposição (PrEP), que consiste no uso de antirretrovirais por pessoas que não vivem com HIV, mas estão em situação de alta vulnerabilidade, a fim de reduzir seu risco de contraí-lo por via sexual. Objetivo deste estudo foi analisar o panorama da PrEP no estado do Maranhão. Trata-se de um estudo com abordagem quantitativa que analisou o panorama da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no estado do Maranhão, utilizando-se de dados secundários entre os anos 2018 e 2020. Os dados foram obtidos no Painel PrEP, construído pelo Ministério da Saúde. No período analisado, o Maranhão fez 277 dispensações de PrEP através de dois serviços, sendo a cor/raça negra e a população de Gays/HSH mais predominante entre os usuários. O percentual de usuários que relatou efeitos adversos no primeiro mês de uso ficou em 32% e 82% fez uso de todos os comprimidos. A taxa de descontinuidade ficou em 56%. Os dados obtidos mostram que, no Maranhão, a PrEP não conseguiu alcançar todas as populações-chave. Este cenário mostra que é necessário um monitoramento constante para identificar o motivo das descontinuidades e o fortalecimento na divulgação do serviço para as populações em maior vulnerabilidade.

Introdução
Desde os primeiros casos da Síndrome da Imunodeficiência Humana (AIDS) notificados nos anos 80, a doença chamou muita atenção da comunidade cientifica. No primeiro momento, houve uma busca pelo seu agente etiológico e, posteriormente, tratamento (PAULIQUE et al., 2017). Hoje, o foco está na cura e novas tecnologias de prevenção, dentre elas a Profilaxia Pré-exposição (PrEP). A PrEP consiste no uso de antirretrovirais por pessoas que não vivem com HIV, mas estão em situação de alta vulnerabilidade, a fim de reduzir seu risco de contraí-lo por via sexual. Seu poder de reduzir o risco de infecção chega a 90% (QUEIROZ; SOUSA, 2017). No Brasil, a PrEP passou por diversos estudos pilotos para verificar sua aceitabilidade e, então foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em duas etapas: inicialmente em 36 serviços e, seis meses depois, nos demais estados brasileiros, com exceção do Acre. Hoje encontra-se presente em 176 serviços distribuídos por 25 Estados e o Distrito Federal, e mais de 16 mil usuários já iniciaram seu uso. (BRASIL, 2019) Diante disso, o presente estudou buscou analisar o panorama da PrEP no Maranhão.

Objetivos
Analisar o panorama da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no estado do Maranhão, retratando o perfil de seus usuários e identificando suas fragilidades e oportunidades.

Metodologia
Trata-se de ume estudo ecológico descritivo, retrospectivo com abordagem quantitativa que analisou o panorama da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no estado do Maranhão, utilizando-se de dados secundários entre os anos 2018 e 2020. Os dados foram obtidos no Painel PrEP (BRASIL, 2020), construído pelo Departamento de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde e agrega informações da Ficha de Primeiro Atendimento, Ficha de Primeiro Retorno e Ficha de Monitoramento Clínico dos pacientes. Foram coletadas informações sobre o perfil dos usuários (raça/cor, escolaridade e tipo de população), indicadores de monitoramento (adesão, efeito adverso, uso de preservativo e número de parcerias sexuais) e descontinuidade do uso da PrEP e posteriormente transferidas para o programa Microsoft Excel™.

Resultados e Discussão
Entre janeiro de 2018 e agosto de 2020, o Maranhão fez 277 dispensações de PrEP através de dois serviços. A raça predominante entre os usuários é negra (71,43%), indo de acordo com a população do estado, mas contrastante com a raça predominante entre os usuários a nível nacional (42,37%). A população com maior acesso a nível estadual é Gays/HSH cis, mas o que chama atenção nesse ponto é a falta de usuários da população trans e travesti. Sabe-se que essa população apresenta alta vulnerabilidade ao HIV (MAGNO et al., 2019). Em relação ao monitoramento clínico, 32% dos usuários relataram efeitos adversos no primeiro mês e 82% fizeram uso de todos os comprimidos. Quanto ao uso do preservativo, chamou atenção o fato de que nenhum usuário relatou usá-lo em todas as relações sexuais após o início da PrEP. Sobre a descontinuidade, dos 63 usuários que iniciaram a PrEP, 35 interromperam e, na maioria (94%), não retornaram à consulta. Essa taxa de descontinuidade estadual (56%) ficou acima da taxa nacional que ficou em 45%.

Conclusões / Considerações finais
Os dados obtidos mostram que, após dois anos do início da implantação no Maranhão, A PrEP teve baixo número usuários e um alto número de descontinuidade. Além disso, as populações-chave não foram totalmente atingidas. Este cenário mostra que é necessário um monitoramento constante para identificar o motivo das descontinuidades e o fortalecimento na divulgação do serviço para que populações em maior vulnerabilidade possam ter acesso.

Referências
BRASIL. Relatório de implantação PrEP HIV. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2020.
MAGNO, L. et al. Estigma e discriminação relacionados à identidade de gênero e à vulnerabilidade ao HIV/aids entre mulheres transgênero: revisão sistemática. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 4, p. e00112718, 2019.
PAULIQUE, N. C. et al. Manifestações bucais de pacientes soropositivos para HIV/AIDS. ARCHIVES OF HEALTH INVESTIGATION, v. 6, n. 6, p. 240–244, 11 jul. 2017.
QUEIROZ, A. A. F. L. N.; SOUSA, A. F. L. DE. Fórum PrEP: um debate on-line sobre uso da profilaxia pré-exposição no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 33, n. 11, 21 nov. 2017.

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