Comunicação Oral

23/03/2021 - 16:30 - 18:00
CC15 - Eixo 9 - Políticas de C&T&I e relacionados

34421 - PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO EM SAÚDE COMO AÇÕES DE CONTENÇÃO E MITIGAÇÃO DA COVID-19 NO BRASIL.
MÁRIO FABRÍCIO FLEURY ROSA - UNB, LEONOR MARIA PACHECO SANTOS - UNB, CARLOS AUGUSTO GRABOIS GADELHA - FIOCRUZ/RJ, EVERTON NUNES DA SILVA - UNB, CHRISTINA PACHECO - UERN, CHRISTOPHER MILLETT - ICL/UK, MARCOS VINÍCIUS PEREIRA DIÓGENES - UERN


Resumo
A pandemia de COVID-19 se espalhou por mais de 160 países, infectando milhões de pessoas em todo o mundo. Devido a esta emergência sanitária, os países organizaram o fluxo de produção e inovação para reduzir o impacto na saúde. Este trabalho mostra a resposta da comunidade científica brasileira visando atender às urgentes necessidades do Sistema Único de Saúde, motivadas pela pandemia, com vistas a garantir o acesso universal a uma população estimada em 211 milhões. Foram coletados dados sobre projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em saúde (até 15 de maio de 2020) realizados pelas 114 universidades públicas (mais Fiocruz e Butantan), informados em seus sites. Adicionalmente, foram examinados os estudos sobre o COVID-19 aprovados pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, bem como aqueles divulgados no site do Ministério da Educação. Foram identificados e classificados 789 projetos divididos nas seguintes categorias de pesquisa: desenvolvimento e inovação (n = 280), outros tipos de projetos (n = 226), pesquisa epidemiológica (n = 211) e pesquisa básica (n = 72). A maioria das propostas teve como foco o desenvolvimento e inovação de equipamentos de proteção individual, dispositivos médicos (como respiradores), testes diagnósticos, medicamentos e vacinas, identificados, espontaneamente, como prioridades de pesquisa pela comunidade científica.

Introdução
Devido à emergência sanitária da pandemia de COVID-19, os países organizaram o fluxo de produção e inovação para reduzir seus impactos na saúde. A capacidade de resposta das universidades, institutos e centros de pesquisa brasileiros foi posta à prova e o setor científico respondeu imediatamente, fornecendo soluções de saúde para mitigar os efeitos da pandemia. Mostraremos o comprometimento da comunidade científica brasileira. A maioria das ações reflete a iniciativa dos próprios cientistas para atender às necessidades mais urgentes da população e do SUS. O Brasil gera conhecimento (13º lugar em artigos científicos) mas o fato não impactou ainda no desenvolvimento de novos produtos, processos, insumos, mercados com a frequência que deveria. Isso pode explicar por que, em 2016, o país ficou em 69º lugar no Índice Global de Inovação. O papel das universidades deve ir além da promoção e produção de conhecimento. No “ecossistema” de desenvolvimento econômico e social em que participam o setor produtivo e o governo, o setor universitário deve desempenhar um papel fundamental na transformação do conhecimento em soluções que tragam benefícios à sociedade, mais aparente na área da saúde

Objetivos
Identificar as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) realizadas pelas universidades públicas e centros de pesquisa em saúde pública nacionais em resposta à crise sanitária do COVID-19. Analisar os projetos de PD&I em andamento nas universidades e centros de pesquisa, segundo o tipo de pesquisa e sua distribuição de acordo com as regiões brasileiras.

Metodologia
Estudo quantitativo transversal retrospectivo. Foram coletados projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) realizados pelas 114 universidades públicas brasileiras (mais Fiocruz e Butantan) a partir dos: (a) sites oficiais (acesso de 10 a 15/05/20); (b) estudos sobre Covid-19 submetidos e aprovados pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa até 15/05/20; (c) projetos de PD&I do site do Ministério da Educação em 15/05/20 obtidos por meio de web scraping. Os estudos foram classificados em categorias, segundo as informações constantes no título e/ou resumo. As categorias foram (1) Pesquisa básica; (2) Pesquisa epidemiológica; (3) Desenvolvimento e Inovação (D&I) - estes organizados em cinco subcategorias: (3a) Equipamentos de Proteção Individual - EPI; (3b) Dispositivos médicos; (3c) Teste diagnósticos; (3d) Vacinas; (3e) Medicamentos e terapêuticas para COVID-19; (4) Outros tipos de projetos relevantes para a Covid-19 e suas consequências sociais, psicológicas e econômicas.

Resultados e Discussão
Foram registrados 551 projetos de PD&I nos sítios das 114 universidades e centros de pesquisa públicos; identificou-se 270 protocolos de pesquisa aprovados pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa e o Ministério da Educação divulgou 73 projetos. A coleta de dados recuperou 894 títulos no total, mas após a eliminação das duplicatas, o resultado foi de 789 projetos de PD&I. A classificação nas categorias descritas anteriormente, resultou em 72 projetos de ‘Pesquisa básica’; 211 de ‘Pesquisa epidemiológica’; 280 de ‘Desenvolvimento e Inovação’ e 226 ‘Outros tipos de projetos’. A maioria das propostas correspondem a projetos de D&I (n=280), aqueles voltados para EPI, dispositivos médicos (como respiradores), testes diagnósticos, vacinas e medicamentos, espontaneamente identificados como prioridades de pesquisa pela comunidade científica. O fato indica a importância de retomar o desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e incentivar a capacidade brasileira de atendimento às necessidades de saúde. Ao analisar projetos de PD&I realizados por região geográfica, as regiões Sudeste e Nordeste responderam por 55,0% e 16,1% das propostas, respectivamente

Conclusões / Considerações finais
Em muito pouco tempo, ocorreu uma forte mobilização da comunidade científica brasileira para responder à crise do COVID-19, implementando 789 projetos científicos para atender às necessidades mais urgentes causadas pela pandemia. A interação das universidades, indústria e governo é essencial para que essas respostas atendem às necessidades sociais; na falta desse vínculo, não é possível traduzir conhecimentos para atender às necessidades de saúde. Graças à grande capilaridade de processos identificados como pesquisa, desenvolvimento e inovação em saúde, oriundos de universidades e centros de pesquisa públicos, todas as regiões geográficas brasileiras apresentaram contribuições na corrida por produtos, medicamentos e procedimentos com capacidade em reduzir os impactos da pandemia da COVID-19. Os cientistas brasileiros mostraram capacidade técnica e científica para contribuírem com o SUS no enfrentamento dessa pandemia

Referências
Santos LMP, et al. Fulfillment of the Brazilian Agenda of Priorities in Health Research. Health Res Policy Syst. 2011;9:35.
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Investimentos federais em pesquisa e desenvolvimento: estimativas para o período 2000-2020. Brasília, Brasil: IPEA; 2020.
Rosa MFF, Guimarães SMF, Dominguez AGD, Assis RS, Reis CB, Rosa SDSRF. Desenvolvimento de tecnologia pesada para o tratamento do pé diabético: um estudo de caso na perspectiva da saúde coletiva. Saúde em Debate. 2019;43:87-100.
Gadelha CAG. Não podemos ter Sistema de Saúde (SUS) com tanta dependência. 2020. https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/nao-podemos-ter-um-sus-com-tamanha-dependencia-diz-pesquisador-da-fiocruz-em-meio-crise-do-coronavirus- 24366231. Acesso 13 maio 2020.
Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. Boletim de Ética em Pesquisa - edição especial 16. 2020. https://conselho.saude.gov.br/publicacoes-conep. Acesso 19 maio 2020.

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