Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA61 - Eixo 7 - RESIDÊNCIAS EM SAÚDE E A FORMAÇÃO PARA O SUS (TODOS OS DIAS)

34420 - REFLEXÕES SOBRE O PERCURSO FORMATIVO DA ÊNFASE SAÚDE COLETIVA DA RESIDÊNCIA INTEGRADA EM SAÚDE DA ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA DO CEARÁ
MARIA IRACEMA CAPISTRANO BEZERRA - SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ, ROTSEANA GONÇALVES BEZERRA - SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ, AMANDA CAVANCANTE FROTA - FIOCRUZ-CE, IVANA CRISTINA DE HOLANDA CUNHA BARRÊTO - FIOCRUZ-CE


Resumo
A formação em caráter de Residência tem considerável relevância na formação de profissionais de saúde. Esta pesquisa objetivou refletir sobre as percepções vividas por profissionais de saúde residentes durante o percurso formativo da ênfase Saúde Coletiva da Residência Integrada em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará (RIS-ESP/CE). Buscou-se compreender dos egressos suas percepções sobre as vivências no programa. Para tanto, utilizou-se como instrumental um questionário no Google Forms, com perguntas objetivas e subjetivas no período de 11 a 28 de outubro de 2019. Foram entrevistados profissionais de saúde egressos da RIS-ESP/CE, ênfase Saúde Coletiva, das Turmas I (2013), II (2014), III (2015) e IV (2017). Dentro dos critérios desta pesquisa, 62 profissionais concluíram a Residência e 17 responderam ao questionário proposto. Nos resultados confirmou-se a importância do programa, a necessidade de mudanças e a relevância do mesmo para o fortalecimento do SUS. Enfatizou-se que mesmo entre muitos encalços e empecilhos a RIS-ESP/CE se fortalece a cada turma, movimenta os campos de prática, inova e motiva profissionais, envolve e ensina usuários. Contribui de forma visível para um sistema de saúde único, integral, interprofisisonal e interdisciplinar. Ressalta-se que com tantos sucateamentos, o profissional de saúde, com uma boa formação, suscitará o fortalecimento do SUS.

Introdução
O campo da Saúde Coletiva possibilita o aprofundamento das ciências humanas, sociais, biológicas e culturais. Para materializar seus objetivos faz-se necessário o incentivo e aprimoramento do ensino e pesquisa em saúde, buscando fortalecer as ciências, a interdisciplinaridade, transdisciplinaridade(1).
A Educação Permanente em Saúde (EPS) pressupõe aprender e ensinar no cotidiano do trabalho, baseando-se na aprendizagem significativa e na possibilidade de transformar as práticas profissionais. No Brasil foi instituída a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) que orienta a operacionalização das diretrizes, constituição e funcionamento do ensino-serviço-comunidade transformando as práticas do trabalho(2).
A Residência Integrada em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará (RIS-ESP/CE) objetiva ativar-capacitar lideranças técnicas, cientificas e políticas nos municípios, na perspectiva da integralidade, atenção, gestão, controle social e formação em rede. Busca-se desenvolver, nos residentes, competências para atuar na rede regional integrada de saúde, identificar e atuar sobre os condicionantes de saúde da população, transformando o modelo de gestão da saúde no Estado(3).

Objetivos
Refletir sobre as percepções vividas por profissionais de saúde residentes durante o percurso formativo da ênfase Saúde Coletiva da Residência Integrada em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará (RIS-ESP/CE).

Metodologia
Pesquisa qualitativa, realizada com profissionais de saúde egressos da RIS-ESP/CE, ênfase Saúde Coletiva, das Turmas I (2013), II (2014), III (2015) e IV (2017). Foram excluídos os que não concluíram a totalidade da carga horária prevista e/ou não apresentaram versão final do artigo. A pesquisa recebeu parecer favorável número n° 3.621.191 do Comitê de Ética em Pesquisa da ESP/CE.
A coleta de dados ocorreu por questionário do Google Forms com perguntas objetivas e abertas, enviado por email no período de 11 a 28 de outubro de 2019. Para o início da análise dos dados foi estipulado a resposta de no mínimo de três residentes de cada turma, visando a viabilidade da pesquisa. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo.
O programa conta com 26 vagas na ênfase Saúde Coletiva em cada turma. Para formação são lotados em distintos municípios do Estado(3). Assim, dentro dos critérios desta pesquisa, 62 profissionais concluíram a Residência e 17 responderam ao questionário proposto.

Resultados e Discussão
Na ênfase Saúde Coletiva da RIS-ESP/CE os locais de prática para a atuação são divididos entre as estruturas da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, Secretarias Municipais de Saúde, além de serviços de Saúde próprios das esferas de governo do SUS. As vivencias são em 80% nos cenários de prática e 20% vivências teórico–práticas.
O percurso formativo planejado pela ESP/CE sofreu mudanças ao longo das turmas. Nas turmas I, II e III iniciava em dispositivo Regional para em seguida ir para Secretaria Municipal de Saúde. Já na turma IV ocorreu o inverso. Cada turma vivenciava períodos e atividades diferentes em cada dispositivo.
Os egressos entrevistados apontaram como pontos positivos o percurso inovador, o fortalecimento e crescimento profissional e a compreensão das peculiaridades da gestão. Já os pontos negativos foram a falta de diálogo com gestores e técnicos, e a fragilidade dos vínculos nos cenários de prática, além das muitas mudanças de cenários o que favorecia a continuidade dos trabalhos.
Foram muitos os impactos que a Residência em Saúde Coletiva proporcionou aos locais de atuação, provando a importância do programa no fortalecimento da política de saúde no Estado(4, 5,6).

Conclusões / Considerações finais
O percurso formativo de um programa de residência deve estar em constante avaliação. A realidade dos cenários de prática é dinâmica e tem diferentes demandas. Ademais, programas de Residência Multiprofissional são importantes para o fortalecimento da EPS, visando uma atuação interprofissional e interdisciplinar.
Faz-se necessário a defesa de projetos como os das Residências, em tempos de desmontes e desconstrução de todas as lutas que construíram o SUS e suas leis e regulamentações, é preciso falar, discutir e fortalecer programas que tenham os objetivos como os da RIS-ESP/CE.
Enfatiza-se aqui que entre muitos encalços e empecilhos a RIS-ESP/CE, se fortalece a cada turma, movimenta os campos de prática, inova e motiva profissionais, envolve e ensina usuários, contribui de forma visível para um sistema único, integral, interprofisisonal e interdisciplinar. Ressalta-se que diante de tantos sucateamentos, o profissional de saúde faz toda a diferença para o fortalecimento do SUS.

Referências
1. Vieira-da-Silva LM. O Campo da Saúde Coletiva. 1 ed. Salvador: Fiocruz; 2019.
2. Brasil. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Ministério da Saúde. Brasília. 2009.
3. Ceará. Projeto Político Pedagógico, Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva. Escola de Saúde Pública do Estado do Ceará. 2012.
4. Evangelista ALP. Os Reflexos da Implementação da Residência Integrada em Saúde Mental Coletiva do Ceará na Atenção Psicossocial [Dissertação]. Fortaleza: UFC; 2017. Mestrado.
5. Gadelha AKS. A implementação da Residência Integrada em Saúde com ênfase em Saúde da Família e Comunidade em municípios cearenses: um estudo de caso [Dissertação]. Fortaleza: UFC; 2016. Mestrado.
6. Araujo Filho PA. ‘Aos Trancos e Barrancos’ – uma avaliação participativa sobre a formação na Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade [Dissertação]. Fortaleza: UECE; 2017. Mestrado.

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