Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA73 - Eixo 8 - ATENÇÃO AMBULATORIAL E HOSPITALAR (TODOS OS DIAS)

34391 - EXPERIÊNCIA DE GESTÃO E ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE EM CUIDADOS PALIATIVOS A PACIENTE ONCOLÓGICO
LEONARDO CARDOSO ROZENDO DE SOUZA - UFSJ-CCO, ALEXANDRE ERNESTO SILVA - UFSJ-CCO


Resumo
O objetivo deste trabalho foi demonstrar a relevância dos cuidados paliativos na gestão da saúde coletiva, por meio de experiências obtidas em atendimento de uma paciente oncológica em fase avançada de doença em um hospital filantrópico, campo de prática de uma Universidade pública. O caso clínico observado compunha-se de uma pessoa com câncer, com metástase hepática de sítio neoplásico primário ocorrido nas mamas, ascite e derrame pleural. Junto a ele, houve a evidente demanda da paciente por atenção paliativa face ao prognóstico de condição ameaçadora da vida. As experiências acadêmicas propiciaram uma reflexão crítica acerca do papel social e coletivo dos cuidados paliativos na gestão do cuidado à saúde e na subversão do ordenamento de medicina curativa, buscando reafirmar o compromisso de assistência integral em todas as fases da vida. Os resultados fomentam a discussão que reconhece a linha terapêutica dos cuidados paliativos como componente motor para o desenvolvimento da medicina moderna e da gestão do cuidado, coerentes com o projeto de assistência integral. A excelência do cuidado e o alívio sintomático físico, espiritual e psicossocial são imprescindíveis e transversais a toda prática clínica.

Descritores: Gestão em Saúde, Cuidados Paliativos, Assistência Integral à Saúde, Saúde Pública.

Introdução
Câncer é a denominação comum a mais de 100 doenças, cuja semelhança se estabelece no crescimento maligno de células com potencial de metastização. No Brasil, as mulheres são mais acometidas por neoplasias, sendo o câncer de mama o mais frequente no país, cerca de 29,7% dos casos (BRASIL, 2020). Sua alta incidência e as consequências muitas vezes mutilantes o tornam uma preocupação preponderante na promoção de saúde à mulher. As metástases por câncer de mama podem atingir diversos sítios, dentre os quais se destaca o acometimento hepático, que ocorre em 50% das pacientes e atribui um prognóstico reservado com taxas médias de sobrevida inferiores a seis meses (KALIL, 2005). Nesse sentido, um paciente terminal é um indivíduo inserido em processo de terminalidade no qual nenhuma medida médica é capaz de restabelecer a saúde (GUTIERREZ, 2001). Quando a doença ameaça a continuidade da vida, o serviço de cuidados paliativos se constitui no mecanismo terapêutico para assistência à pessoa doente, pois, pouco preocupado em curar, busca-se o controle de sinais e sintomas biopsicossociais e espirituais. (SILVA, 2008).

Objetivos
Expender as experiências de gestão do cuidado e atenção integral à saúde no serviço de cuidados paliativos de um hospital filantrópico vinculado a uma universidade pública, a partir de um caso de câncer metastático com ameaça à continuidade da vida. Busca-se demonstrar a relevância dessa linha terapêutica na saúde coletiva, considerando a gestão do cuidado na terminalidade, as intervenções nas dimensões biopsicossociais e espirituais da pessoa adoecida, bem como o conforto e a qualidade de vida.

Metodologia
As vivências foram obtidas em estágio curricular no serviço de cuidados paliativos de um hospital filantrópico vinculado a uma universidade pública. Foi estudado o caso de uma paciente oncológica, do sexo feminino, 43 anos, internada em atenção especializada, que havia sido diagnosticada dois anos antes, com câncer de mama que metastatizou no abdome. Em internação, a paciente apresentava inapetência, abdome globoso e distendido por ascite, evacuação ausente, edema de MMII e murmúrio vesicular abolido em base direita do pulmão e diminuído em base esquerda com crepitação fina, dessaturando. Com exames físicos e complementares laboratoriais e de imagem, fechou-se o diagnóstico final de câncer de mama com metástase hepática e derrame pleural. A paciente estava ansiosa, aflita, consciente e comunicativa, demandando cuidados paliativos. Os cuidados foram centrados no controle de sintomas e comunicação efetiva, pilares dessa modalidade de cuidado.


Resultados e Discussão
A paciente foi alocada em seu domicílio, onde recebeu analgesia, dieta restrita, oxigenoterapia e monitoramento pela equipe de cuidados paliativos. Estabeleceu-se uma rede de apoio com a família e a atenção básica local para atender necessidades psicossociais e espirituais. A gestão do cuidado foi planejada e sistematizada por medidas interventivas em sinais e sintomas, a partir dos eixos de controle de volume excessivo de líquidos, de equilíbrio hidroeletrolítico, de dor, de ansiedade e avaliação do estado respiratório atrelado à assistência ventilatória. A atenção domiciliar incluiu as particularidades da doente e sua família, evitando complicações e reinternações, um impacto positivo na qualidade de vida restante. Frente a isso, o paliativismo atuou na esfera biopsicossocial e espiritual, sendo indispensável nas condições de ameaça à vida e nos tratamentos curativos. O acesso democrático a essa linha de cuidado é uma meta que demanda investimento na capacitação dos profissionais e na infraestrutura dos serviços de saúde. Trata-se de um compromisso com a subjetividade, individualidade e complexidade de cada pessoa, pela gestão do cuidado e dignidade humana, mesmo no fim de vida.

Conclusões / Considerações finais
A experiência relatada fomenta a discussão dos cuidados paliativos como componentes motores para o desenvolvimento da medicina moderna e da gestão do cuidado coerente com o projeto de assistência integral. Esse modelo assistencial promove a humanização e contempla a integralidade do ser, somando-se ao objetivo curativista. É um exercício de autonomia do paciente pelo atendimento de seus anseios e de excelência do cuidado por melhoria da qualidade de vida, alívio sintomático, espiritual e psicossocial e uma boa comunicação. Os profissionais de saúde devem ser capazes de reconhecer e aplicar os recursos de cuidados paliativos no controle e no alívio do sofrimento, sendo imprescindível a difusão desse escopo de cuidado nos serviços, na sociedade e na comunidade científica, a fim de providenciar um cuidado compassivo.


Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer [dados de epidemiologia do câncer na Internet]. Rio de Janeiro: Inca [acesso 09/2020]. Disponível em https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer.

KALIL, A. N.; SEVERA, C. Hepatectomia para Metástases Hepáticas de Câncer de Mama. Rev. Col. Bras. Cir. vol.32 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 2005.

SILVA, E. P; SUDIGURSKY, D. Concepções sobre os cuidados paliativos: revisão bibliográfica. Acta Paul Enferm, Salvador, v. 21, n. 3, p. 504-508, mar./jun., 2008.

GUTIERREZ, Pilar L. O que é o paciente terminal? Revista da Associação Médica Brasileira, v. 47, n. 2, p. 92–92, Jun 2001.

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