Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA21 - Eixo 1 - Políticas de Saúde Mental (TODOS OS DIAS)

34375 - SAÚDE MENTAL E A ENFERMAGEM PEDAGÓGICA: A EXPERIÊNCIA DE UMA ESCOLA DE ENSINO MÉDIO EM CAUCAIA
LAUDICÉIA NORONHA XAVIER - FACULDADE DE MEDICINA DO ABC., LINDEMBERG JACKSON SOUSA DE CASTRO - UFC, MARIA JOSEFINA DA SILVA - UFC, IARA DANIELLE FERREIRA BANDEIRA - UFC, VÂNIA BARBOSA DO NASCIMENTO - FACULDADE DE MEDICINA DO ABC.


Resumo
Sabe-se que estresse faz parte de nossa sociedade pós-moderna. Em decorrência disso e visando responder positivamente às demandas dessa mesma sociedade, muitos jovens em idade escolar vem apresentando com uma frequência bem maior, tal sintoma. Relatar e analisar experiências vivenciadas com adolescentes e jovens em uma disciplina de Saúde mental em uma instituição pública de ensino profissionalizante foi basilar para o presente trabalho. As atividades foram desenvolvidas com alunos do ensino médio, do primeiro ano ao terceiro, no turno da tarde, durante os meses de agosto a dezembro de 2019, em uma instituição de ensino, localizada no Município de Caucaia/CE. Constatou-se que o espaço educacional configura um mecanismo de mudanças ocorrente na seara da saúde com abordagem sociológica, filosófica da Saúde Coletiva, expressando-se como um universo para diálogo, à procura de fortalecer as ações e atividades, possibilitando entendimento dos saberes em saúde com o cotidiano dos envolvidos. Tal atividade auxilia para a criação e aperfeiçoamento do saber-fazer da Enfermagem pedagógica, em sua tarefa de ensinar-aprender, possibilitando a formação de futuros técnicos de forma crítica e com autonomia.

Introdução
Na contextura educacional, o professor entra em contato com dificuldades: no âmbito estrutural, organizacional e de ensino. De tal modo, cada educador contribui na transformação do jovem, na qualidade de pessoa, a fim de desenvolver uma atitude crítica e ativa, se apropriando de sua história e analisando as condições internas e externas que muitas vezes pode dificultar uma posição ante sua realidade social e personalidade no ambiente onde se insere (GOIS, 2008).
A justificativa acadêmica consiste em apresentar estratégias funcionais para trabalhar a saúde mental com profissionais de saúde e da educação com jovens em ensino médio e propiciem a formação de sujeitos críticos e reflexivos, habilitando-os para intervirem em contextos nos quais estão inseridos.
Portanto, o professor procura modalidades criativas e inovadoras para trabalhar com o conflito de emoções dos alunos, visando proporcionar um melhor aprendizado. Com amparo nesse pressuposto, indaga-se: - De que modo a escola profissionalizante é possível ajudar os jovens com dificuldades na identificação dos seus principais sentimentos de estresse vivenciados na vida pessoal, social e profissional?


Objetivos
O objetivo do estudo é relatar e analisar o processo de intervenção com adolescentes e jovens de uma instituição pública de ensino profissionalizante, quanto ao estresse vivenciado por esses estudantes na vida pessoal, social e profissional, tendo como referencial teórico e metodológico a abordagem em saúde mental e saúde coletiva.

Metodologia
Foi feito um estudo descritivo através de relato de experiência. A escola profissionalizante sob exame, contudo, possui quatro cursos técnicos: em Enfermagem, em Computação, em Hospedagem e o Curso Técnico de Secretariado. Após a Jornada Pedagógica, a Gestão Escolar juntamente com a coordenadora do Curso Técnico de Enfermagem se reuniram a fim de elaborar um Projeto de Disciplina Eletiva de Saúde Mental para ser iniciada no segundo semestre de 2019.
Foram realizadas 12 encontros, no período de agosto a dezembro, às segundas-feiras, no turno da tarde e, da população de 324 alunos matriculados na escola, 25 desses representaram a amostra do estudo em questão, no qual de forma aleatória se inscreviam na disciplina que buscava intervir na realidade da produção dos serviços de Enfermagem por meio de práticas de educação em saúde, que foram desenvolvidas na rede de ensino fundamental, abordando temas transversais de saúde mental (AZEVEDO et al., 2014).


Resultados e Discussão
Uma vez obtida a realidade, identifiquei a ausência de vínculo entre o serviço de saúde do bairro e a instituição de ensino, e a inexistência de estratégias de conteúdos abordando a educação e a saúde em sala de aula nos cursos que não eram da saúde, Redes de Computação, Secretariado e Hospedagem.
Muitos dos adolescentes da escola, em algumas situações, vivenciam em seus lares situações de exclusão em suas famílias e passam a desenvolver sintomas de agressividade, apatia, violência, raiva em tantos outros no meio educacional. Como se fosse, um mecanismo de defesa inconsciente para mostrar ao outro o que ainda não pode ser visto.
O profissional da saúde, que é também um educador em saúde, quando vê o aluno sem julgamento, a sua caminhada se torna mais leve e eficaz. A escola é um dos espaços, onde as pessoas se formam. Com isso, são fundamentais as articulações com atores circulantes desses recintos de participação popular e redes de apoio dos usuários para que possamos trilhar um caminho juntos. Dando vida ao cotidiano do trabalho desses ambientes (COSSETIN et al., 2020).


Conclusões / Considerações finais
As reflexões do olhar dos estudantes frente ao contato com as diversas práticas, culturas e saberes, proporcionou a prática em saúde de maneira contínua e sistemática, que emergiu e circulou no espaço escolar. Fortaleceu o elo entre os adolescentes e os facilitadores do grupo, e suscitou a criatividade e a sensibilidade. Os adolescentes percebiam a cada novo encontro a importância da transformação da sua realidade, por meio de hábitos saudáveis e atitudes positivas, bem como na mudança de conduta frente as ações realizadas.
Sobrou confirmada, contudo, a ideia de que a vivência possibilitou ao enfermeiro à trabalhar de modo singular, plural e transdisciplinar, superando as técnicas rigorosas e contínuas de cuidado.
A modo de remate, os autores expressam a ideia de que se impõe a execução de novos projetos de intervenção, para que possamos vislumbrar os caminhos e renovar o processo educativo em saúde.



Referências
AZEVEDO, I. C.; VALE, L. D.; ARAÚJO, M. G.; CASSIANO, A. N.; SILVA, H. S.; CAVALCANTE, R. D. Compartilhando saberes através da educação em saúde na escola: interfaces do estágio supervisionado em enfermagem. R. Enferm. Cent. O. Min. v. 4, n. 1, jan/abr, p:1048-1056, 2014.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a base. Disponível em: < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf > Brasília: Ministério da Educação, 2017. Acesso em 03/04/2020.
COSSETIN, A.; RESTA, D. G.; MATTIONI, F. C.; BUDÓ, M. L. D. Educação popular em saúde no curso de graduação em enfermagem: construção de espaços curriculares participativos. Rev Enferm, Cascavel, v. 2, n. 3, 2012. Disponível em: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs2.2.2/index.php/reufsm/article/view/3582/pdf. Acesso em: 31 mar 2020.

GÓIS, Cezar Wagner de Lima. Saúde Comunitária: pensar e fazer. Noções de Psicologia Comunitária. São Paulo: Aderaldo & Rothschild, 2008.

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