Comunicação Oral

26/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC57 - Eixo 8 - Gestão do cuidado hospitalar e pré-hospitalar

34017 - GESTAO DO CUIDADO DE OSTOMIZADOS INTESTINAIS MEDIADO POR AMBIENTES DIGITAIS
MARINA FAGUNDES GUEIROS - IESC-UFRJ, MAYARA CASSIMIRA SOUZA - IESC - UFRJ, JAQUELINE TERESINHA FERREIRA - IESC - UFRJ


Resumo
A Gestão do Cuidado (GC) em Saúde determina estratégias de gestão das ações e serviços de saúde componentes da RAS, tanto para profissionais voltados para o cuidado dos usuários, quanto para os ostomizados que convivem com a bolsa coletora. A criação do estoma provoca mudanças físicas com alterações que geram um impacto significativo. Esse estudo propõe-se a compreender como a comunidade virtual contribui ou não para a gestão do cuidado, levando em consideração a vivência dos ostomizados, familiares e profissionais. Foi utilizada a abordagem qualitativa como o método da Netnografia, uma adaptação da etnografia que inclui as manifestações na internet e suas repercussões. Foram observadas as interações de 338 participantes, sendo 300 mulheres e 38 homens. Foi observado que no espaço de suporte social virtual que são criadas estratégias com uma linguagem compreensível, o que possibilita trocas significativas de informação entre pessoas que vivem condições semelhantes. Portanto, nesse ambiente o ostomizado pode desenvolver a autonomia por meio do aprendizado do autocuidado, propiciado no “convívio” com os demais participantes da comunidade, incluindo profissionais de saúde. Portanto, os ambientes digitais voltados para patologias podem contribuir para gestão do cuidado, já que podem ser profícuos na articulação das dimensões da GC.

Introdução
A Gestão do Cuidado em Saúde implica em estratégias de gestão das ações e serviços de saúde componentes da RAS, tanto para profissionais direcionados ao cuidado dos usuários, quanto para esses que também gerenciam o cuidado no seu dia-a-dia. Após a cirurgia, o ostomizado intestinal e sua família enfrentam desafios na adaptação de rotinas impostas pela realização do autocuidado, que envolvem a aquisição e manuseio de bolsas coletoras e materiais complementares. As necessidades práticas desse cuidado provocam o contato com a mudança física (o estoma), sublinha as limitações corporais que impactam em sua vivencia social. Assim, a autonomia do ostomizado depende do aprendizado desse autocuidado (POLETTO e SILVA, 2013). A inserção desses usuários as estratégias de cuidado são geridas nos serviços de saúde. Na ausência de uma equipe multiprofissional ou uma estomaterapeuta, o próprio médico ou enfermeira presente indicam os cuidados, ou meios de obter maiores informações sobre estratégias para esse. Diante disso, podem ser indicados ambientes virtuais voltados para o universo do ostomizado. Esse meio pode contribuir para discussões e partilhas de estratégias de superação (GEBERA, 2008).

Objetivos
Essa pesquisa é parte de um estudo sobre as implicações do ambiente digital para ostomizados intestinais. Essa análise tem como objetivo compreender como essa ferramenta contribuiu ou não para gestão do cuidado, levando em consideração a vivencia de ostomizados, familiares e profissionais integrantes à um grupo virtual de ostomia na plataforma Facebook, contribui para o desenvolvimento do cuidado.



Metodologia
O presente estudo apresenta o resultado da análise de interações entre pessoas ostomizadas de uma comunidade da mídia social Facebook, durante um ano (agosto de 2017 a agosto de 2018). A metodologia utilizada seguiu a abordagem qualitativa e utilizou o método da Netnografia, uma adaptação da etnografia que inclui as manifestações na internet e suas repercussões (KOZINETS, 2014). O critério que orientou a escolha da comunidade foi o número de seguidores, o volume de informações intercambiadas, a disponibilidade do administrador para troca de mensagens e o caráter público da página da comunidade. Até o momento da realização da pesquisa a comunidade era “seguida” por 3.119 pessoas. Foram observadas as interações de 338 participantes, sendo 300 mulheres e 38 homens. Por questões éticas, foi elaborada uma apresentação para os integrantes da comunidade e publicada pelo administrador na página da comunidade.

Resultados e Discussão
A rede de seguidores que constitui essa comunidade virtual é formada por pessoas que foram submetidas a ostomia, por familiares e alguns profissionais de saúde. Ela é administrada por uma única pessoa também ostomizada. No entanto, esse administrador referencia médicos e enfermeiros que fazem parte do grupo. Esses acompanham os diálogos e aconselham procedimentos. Todos os integrantes indicam profissionais e instituições e estratégias e, assim, vão criando maiores diálogos e redes de contato. Sobre a dinâmica do grupo existe uma intensa troca de informações e experiências sobre o estoma e seu manuseio, e que independente de dias e horários o grupo permanece ativo e operante. Assim, nota-se que apesar das estratégias de cuidado serem passadas pelos profissionais de saúde antes e depois da cirurgia de construção do estoma, uma série de dúvidas e obstáculos são enfrentados diariamente pelos ostomizados e seus familiares. Tais obstáculos impõe a necessidade de maior suporte para aprendizagem dos cuidados, e por isso, o grupo virtual torna-se um meio de gerir informações e estratégias de cuidado.



Conclusões / Considerações finais
O espaço de suporte social virtual com trocas de informação entre pessoas de condições semelhantes é expressivo, pois são criadas estratégias com uma linguagem mais compreensível (MARUYAMA, BARBOSA, et al., 2011). Isso demonstra que, além de apontar as diversas bolsas e coadjuvantes e apresentar as técnicas de cuidado, são compartilhadas histórias, vivências e estratégias de cuidado, que contribuem para o abrandamento das ansiedades e necessidades dos participantes. Cecilio (2011) conceitua a Gestão de Cuidado pautada em dimensões individuais, familiares, profissionais, organizacionais, sistêmicas e societárias. Portanto, os ambientes digitais voltados para patologias podem contribuir para gestão do cuidado, já que articulam dimensões da GC. O ambiente digital não preenche as lacunas dos serviços de saúde onde são acompanhados os ostomizados e seus familiares, mas permite trocas expressivas e criação de vínculos para que esses tenham o mínimo de amparo na gestão de seus cuidados.

Referências
CECILIO, L. C. O. Apontamentos teórico-conceituais sobre processos avaliativos considerando as múltiplas dimensões da gestãodo cuidado em saúde. Interface- Comunicação, Saúde,Educação, São Paulo, v. 15, n. 37, p. 589-599, abril-junho 2011.
GEBERA, O. W. T. La Netnografia: un método de investigación en Internet. Revista Iberoamericana de Educación, Salamanca, v. 2, n. 47, p. 10, 2008.
KOZINETS, R. V. Netnografia: Realizando Pesquisa Etnográfica Online. Tradução de Daniel Bueno. 1ª. ed. Porto Alegre: Penso, 2014. 203 p.
MARUYAMA, S. A. T. et al. Auto-irrigação - estratégia facilitadora para a reinserção de pessoas com colostomia. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 11, n. 3, p. 665-73, Mar. 2011.
POLETTO, D.; SILVA, D. M. G. V. D. Viver com estoma intestinal: a construção da autonomia para o cuidado. Revista Latino - Americana de Enfermagem, v. 21, n. 2, p. 8, março - abril 2013.

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