Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA62 - Eixo 7 - SAÚDE DO TRABALHADOR E FORMAÇÃO TÉCNICA E DOCENTE EM SAÚDE (TODOS OS DIAS)

34004 - CONCEPÇÕES DE FORMAÇÃO TECNICA PROFISSIONAL EM SAÚDE NOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO CIENCIA E TECNOLOGIA.
MARISE NOGUEIRA RAMOS - EPSJV/FIOCRUZ, EDNÉIA APARECIDA LEME - IFRJ, GIANNE REIS - EPSJV/FIOCRUZ, JULIO LIMA - EPSJV/FIOCRUZ, MÁRCIA VALÉRIA MOROSINI - EPSJV/FIOCRUZ, ROSANA MARINHO - EPSJV/FIOCRUZ, RAQUEL MALAQUIAS - EPSJV/FIOCRUZ, THAYNÁ TRINDADE - EPSJV/FIOCRUZ


Resumo
O trabalho apresenta resultados da pesquisa A Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Saúde na rede federal de educação profissional e tecnológica brasileira, face ao atual Plano Nacional de Educação desenvolvida no Observatório dos Técnicos em Saúde - LATEPS/EPSJV/FIOCRUZ, que visou identificar as concepções de educação e de saúde que orientam a formação técnica profissional em saúde da Rede Federal de Educação Ciência e Tecnologia (EPCT), mediante análise dos dados construídos a partir de entrevistas a coordenadores de cursos técnicos de nível médio em saúde oferecidos por essa rede, em Institutos distribuídos pelas cinco regiões do país. Sendo orientada pelo materialismo histórico-dialético e pela abordagem quadripolar da pesquisa em ciências sociais, realizou-se a análise de conteúdo das entrevistas e se discutiram os resultados com base nas categorias trabalho como princípio educativo e determinação social da saúde. Verificou-se que as concepções hegemônicas que têm orientado a oferta desses cursos são a concepção ampliada de saúde e a pedagogia das competências. Concluiu-se que mesmo com a pouca experiência histórica na formação técnica em saúde e na apropriação dos princípios do SUS, a oferta de cursos técnicos nessa área parece ter influência dos debates do campo da saúde coletiva e do pensamento pedagógico sobre formação em saúde presente neste campo.

Introdução
Nosso problema de pesquisa enfoca as concepções de saúde e educação que têm orientado a oferta da formação técnica em saúde nos Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica. Neste momento em que essa rede se apresentada como novo sujeito formador nessa área, além da rede privada e das Escolas técnicas do SUS, isto se faz relevante, posto que à sua histórica experiência com a formação industrial não corresponde o mesmo acúmulo sobre a formação para o Sistema Único de Saúde. Ao mesmo tempo, caberia verificar o quanto o conhecimento dessas instituições sobre a formação integrada pode contribuir para o debate sobre referências epistemológicas e pedagógicas da educação profissional em saúde no país. Para isso, trazemos resultados da pesquisa A Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Saúde na rede federal de educação profissional e tecnológica brasileira, face ao atual Plano Nacional de Educação desenvolvida no Observatório dos Técnicos em Saúde - LATEPS/EPSJV/FIOCRUZ. A reflexão sobre as concepções de saúde e educação presentes na formação vincula-se à busca pela produção da saúde e da educação públicas, de qualidade, como direitos sociais e democráticas.

Objetivos
Identificar as concepções de educação e de saúde que orientam a formação técnica profissional em saúde da Rede Federal de Educação Ciência e Tecnologia (EPCT).

Metodologia
Realizamos entrevistas em nove (9) Institutos Federais , distribuídos pelos Estados de Goiás, Rio de Janeiro, Paraná, Florianópolis, Rio Grande do Norte e Pará, totalizando doze (12) entrevistas. A pesquisa se apoiou no materialismo histórico dialético (VASQUEZ, 2007), tendo trabalho como princípio educativo (RAMOS, 2010) e determinação social da saúde (NOGUEIRA, 2010) como categorias teóricas. O estudo considerou a abordagem quadripolar da pesquisa em ciências sociais (BRUYNE, 1977). Os dados foram tratados segundo a técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2007).

Resultados e Discussão
No que se refere à saúde, identificamos a presença de concepções vinculadas a: 1) saúde ampliada; 2) saúde pública; 3) definição da Organização Mundial da Saúde (OMS); e 4) concepção biomédica. A concepção de saúde ampliada tem maior força, representando em torno de 40% das referências presentes no conteúdo da fala dos entrevistados. A referência menos presente foi a concepção biomédica.
Quanto à concepção de educação identificamos a maior presença da pedagogia das competências (41%), convivendo com a pedagogia libertadora (28%) e de formação crítica (16%). Verifica-se, assim, a tendência em se reproduzir o pensamento pedagógico hegemônico na educação profissional em saúde (RAMOS, 2010) orientadora de reformas educacionais nos anos de 1990 e atuais. Apesar da discussão sobre a formação integrada nessa rede, esta não é hegemônica na formação técnica em saúde por ela oferecida.
Embora uma concepção tenha mais força no conteúdo, há múltiplas concepções em disputa na formação em saúde dos Institutos. A pesquisa verificará ainda o quanto a hegemonia da pedagogia das competências se produz a partir do campo da saúde e da educação, com base em dados ainda não analisados.


Conclusões / Considerações finais
A concepção de saúde ampliada nos institutos federais de educação profissional e tecnológica vem vinculada à noção da determinação social da saúde-doença; à saúde pública; à saúde como direito social; à concepção da OMS, neste caso, por vezes com a uma repetição literal do conceito de saúde postulado pela OMS, além da biomédica, com a compreensão pragmática da saúde como ausência de doença. Quanto à educação, se observou a reprodução do pensamento hegemônico na educação profissional em saúde desde os anos de 1990, apesar dos debates sobre a formação integrada nessa rede. A identificação dessas concepções de saúde e de educação nessas instituições demonstram que, mesmo com pouca experiência histórica com a formação técnica em saúde e com os princípios do SUS, a oferta de cursos técnicos nessa área parece ter influência dos debates do campo da saúde coletiva e do pensamento pedagógico sobre formação em saúde presente neste campo.

Referências
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2007.
BRUYNE, Paul. Dinâmica da Pesquisa em Ciência Sociais: os pólos da prática
metodológica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.
RAMOS, Marise N. Trabalho, educação e correntes pedagógicas no Brasil: um estudo a
partir da formação dos trabalhadores técnicos da saúde. Rio de Janeiro: EPSJV, UFRJ
2010. 290 p.
VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez Vasquez. Filosofia da práxis. São Paulo: Expressão
Popular, 2007.
NOGUEIRA, Roberto Passos (Org.). Determinação Social da Saúde e Reforma Sanitária. Rio de Janeiro: Cebes, 2010.

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