Comunicação Oral

26/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC57 - Eixo 8 - Gestão do cuidado hospitalar e pré-hospitalar

34003 - CUIDADO INTERDISCIPLINAR: IMPACTO NA PREVALÊNCIA DE EVENTOS ADVERSOS EM UM HOSPITAL DE GRANDE PORTE
MARIA DO SOCORRO LINA VAN KEULEN - UFJF, ALFREDO CHAOUBAH - UFJF, GUILHERME CÔRTES FERNANDES - SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE JUIZ DE FORA, GUILLERMO PATRICIO ORTEGA JACOME - SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE JUIZ DE FORA


Resumo
Introdução: O modelo de trabalho hospitalar atual funciona com profissionais de saúde que atuam de forma fragmentada e paralela. A Unidade de Práticas Integradas (UPI) propõe uma equipe multidisciplinar permanente, treinada, coesa e integrada no manejo de casos clínicos. A prevalência de EA é um importante marcador da qualidade e segurança do cuidado prestado. Objetivos: Analisar o impacto dos eventos adversos (EA) em uma unidade com práticas interdisciplinares em comparação com uma unidade de regime de trabalho tradicional e verificar a prevalência, natureza e gravidade de EA hospitalares nas duas amostras. Metodologia: estudo transversal, caso-controle, de revisão documental em internados pelo SUS para tratamento clínico em unidades com gestão de trabalho diferentes. Os EA foram detectados com a ferramenta Global Trigger Tool for Measuring Adverse Events. Resultado/Discussão: Eventos como procedimento cirúrgico e internação maior que 3 dias, e características como muito idoso e com mais comorbidades apresentaram maior chance de sofrer EA, no entanto, estar sob os cuidados da UPI representou um fator de proteção. A prevalência de EA foi de 20%, a maioria dos casos foram infecção hospitalar e efeito adverso de medicação que causaram dano temporário capaz aumentar o tempo de internação. Conclusão: a integração entre profissionais pode favorecer a segurança do paciente.

Introdução
O modelo de trabalho hospitalar comum é chamado de Unidade de Estrutura Funcional (UEF) na terminologia gerencial. Em uma UEF, o cuidado de saúde se organiza em vários departamentos profissionais, que atuam de forma fragmentada e paralela. O médico é o centro de todo o processo e determina os horários e tarefas. A instituição ou unidade não é especializada e o investimento é distribuído entre atividades e instalações diversas. Não há análise de resultados clínicos. Em contrapartida, o modelo alternativo é a Unidade de Práticas Integradas – UPI, que pressupõe o atendimento de uma única condição médica, dispõe de uma equipe multidisciplinar permanente treinada e que trabalha de modo coeso e integrado através de reuniões periódicas para discussão do manejo interdisciplinar de casos clínicos. A atenção é centrada no paciente e a equipe conta com um coordenador médico que analisa resultados clínicos e gerencia o cuidado, com vistas ao atendimento de excelência.1 Eventos adversos (EA) são incidentes que resultam em danos para o paciente. 2 A prevalência de EA está vinculada ao ambiente de trabalho e organização do serviço, entre outros, e reflete qualidade e segurança do cuidado prestado.1

Objetivos
Analisar o impacto dos eventos adversos em uma unidade com práticas interdisciplinares em comparação com uma unidade de regime de trabalho tradicional
Verificar a prevalência, natureza e gravidade de eventos adversos hospitalares nas duas amostras.


Metodologia
Foi realizado um estudo de desenho transversal, caso-controle, utilizando revisão documental em uma população de pacientes clínicos internados pelo Sistema Único de Saúde e atendidos em dois tipos de enfermaria: uma Unidade de Estrutura Funcional (UEF) que representa o modo de organização de trabalho mais comum nos hospitais brasileiros e uma Unidade Práticas Integradas (UPI) cuja organização é pautada na atividade interdisciplinar. Para o rastreamento de eventos adversos foi utilizada a ferramenta Global Trigger Tool for Measuring Adverse Events.3 Foram incluídos pacientes internados para tratamento clínico, maiores de 18 anos e que permaneceram sob cuidados de saúde por mais de 24 horas. Não foram incluídos prontuários com informações insuficientes para a análise da equipe (diagnóstico, evolução, histórico de saúde). Além disso, as amostras foram pareadas quanto às especialidades médicas e índice de comorbidade de Charlson. Os dados foram tratados estatisticamente pelo SPSS.

Resultados e Discussão
Tendo em consideração as características sexo, idade, origem da internação e Índice de Comorbidade de Charlson (ICC), taxa de óbito e percentual de pacientes que foram submetidos à cirurgia, não foram observadas diferenças significativas entre os grupos UPI e UEF (p > 0,05). (Tabela 1)
Segundo a análise multivariada, os pacientes que foram submetidos a algum procedimento cirúrgico e os que ficaram mais de 3 dias internados apresentaram chance aumentada de sofrer EA, assim como a idade avançada e o número maior de comorbidades. No entanto, estar internado na UPI representou um fator de proteção (Tabela 3). Na UPI de clínica observou-se prevalência de eventos adversos mais baixa e taxa de mortalidade menor, mesmo tendo na amostra maior número de pacientes com idade acima de 80 anos e maior risco relativo de morte pelo ICC (Tabela 1).
A taxa de prevalência de EA foi de 20%.4. A maior parte foi classificada como infecção hospitalar e efeito adverso de medicações (Tabela 2). 5
Quanto à gravidade, a maioria dos eventos foi classificada como dano temporário que causou ou prolongou a internação (Quadro 1)6


Conclusões / Considerações finais
A prevalência de EA e suas características são condizentes com outros estudos nacionais e internacionais.
Entretanto observou-se que a gestão interdisciplinar da unidade de práticas integradas apresentou-se como um elemento capaz de reduzir o risco de eventos, apresentando melhor desempenho quando analisada sob a perspectiva da segurança do paciente, representado pela menor mortalidade entre pacientes de maior risco.


Referências
1. Porter ME, Teisberg EO. Repensando a saúde: estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos. Porto Alegre: Bookman; 2007.
2. World Health Organization. World Alliance for Patient Safety. Forward Programme 2008-2009. Geneva: WHO; 2008.
3. Griffin F, Resar R. IHI Global Trigger Tool for Measuring Adverse Events. 2. ed. Cambridge: Institute for Healthcare Improvement; 2009.
4. Mendes W, Pavão AL, Martins M et al. Características de eventos adversos evitáveis em hospitais do Rio de Janeiro. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo; 2013.
5. Rafter N, Hickey A, Conroy RM et al. The Irish National Adverse Events Study (INAES): the frequency and nature of adverse events in Irish hospitals—a retrospective record review study. BMJ Qual Saf; 2016.
6. Ncc Merp. NCC MERP index for categorizing medication errors algorithm. Natl Coord Counc Medicat Error Report; 2001.

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