Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA42 - Eixo 5 - Gestão e doenças infecciosas e parasitárias (TODOS OS DIAS)

33973 - ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE PARA ATENÇÃO ÀS HEPATITES VIRAIS NO ESTADO DE MATO GROSSO, BRASIL
JOSUÉ SOUZA GLERIANO - UNEMAT/EERP-USP, ELTON CARLOS DE ALMEIDA - MINISTÉRIO DA SAÚDE, JANISE BRAGA BARROS FERREIRA - FMRP/USP, IONE CARVALHO PINTO - EERP/USP, LUCIELI DIAS PEDRESCHI CHAVES - EERP/USP


Resumo
O acesso como preceito constitucional no SUS garantiu avanço no que se refere ao direito à saúde. Nesse sentido, objetivou analisar a distribuição dos casos notificados de hepatites virais e de serviços de saúde de atenção às hepatites virais segundo as macrorregiões e regiões de saúde do estado de Mato Grosso, Brasil. Trata-se de pesquisa avaliativa, descritiva e quantitativa considerando serviços de atenção à saúde do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e casos notificados de hepatites virais do Sistema de Informação de Agravos e Notificação. Para análise utilizou-se estatística descritiva e georreferenciamento. A maior frequência de notificação é de Hepatite B e distribuição na macro Centro Norte. Óbitos possuem maior frequência por Hepatite C na macro Centro Norte. São 26 serviços ambulatoriais especializados com maior concentração na macro Sul, sendo que uma região não possui serviço de referência. São 119 serviços que ofertam teste rápido, a maior concentração está na macro Leste e Centro Norte e nas regiões Garças Araguaia e Baixada Cuiabana. Não há coleta de carga viral na macro Oeste e em três regiões de saúde. Destaca-se que cinco regiões de saúde não oferece tratamento. Conclusão: Os achados contribuem para o planejamento em saúde e oportunidade de pensar em estratégias para o avanço na atenção à saúde.

Introdução
A avaliação em saúde pode subsidiar a gestão na organização e acesso aos serviços no SUS, contribuindo para superar limitações financeiras e operacionais. Determinados agravos e doenças podem ser priorizados, como é o caso das hepatites virais que estão entre as doenças com maior impacto de morbidade e mortalidade no mundo, cujos prevalência e incidência variam em decorrência da região geográfica e fatores socioeconômicos. A Organização Mundial da Saúde e Organização Pan Americana de Saúde preveem que o acesso equitativo à atenção preventiva e clínica favorece o alcance dos objetivos da Agenda 2030 que apresenta combate às hepatites (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2014). Porém, o enfrentamento das hepatites virais tem sido um desafio em países que apresentam alta prevalência e vulnerabilidades sociais manifestando dificuldades de acesso à atenção (Lemoine M, Nayagam S, Thursz M. 2013).

Objetivos
Analisar a distribuição dos serviços de saúde de atenção às hepatites virais e os casos notificados de hepatites virais segundo as macrorregiões e regiões de saúde do estado de Mato Grosso, Brasil.

Metodologia
Pesquisa avaliativa (CAAE: 01481918.0.0000.5393) descritiva de dados quantitativos desenvolvida no estado de Mato Grosso, terceiro maior estado em extensão territorial, situação que repercute características na distribuição, composição e trânsito da população. O setor saúde é dividido em cinco macrorregiões de saúde e dezesseis regiões de saúde. Os dados secundários foram coletados no primeiro bimestre de 2020 do DATASUS, relativos ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) casos notificados de hepatites virais (2006 a 2018) e óbitos (2006 a 2017) e do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) acerca dos serviços de saúde que realizam ações de prevenção, diagnóstico e/ou tratamento para hepatites virais. Os dados de interesse foram armazenados em planilha eletrônica do formato Microsoft Excel 2010. Utilizou-se estatística descritiva por meio do SPSS 21 e georreferenciamento. A discussão foi desenvolvida segundo a proposta de Kessner, Kalk e Singer (1992).

Resultados e Discussão
São 26 serviços ambulatoriais especializados nas cinco macro, 38,7% Centros de Testagem e Acolhimento (CTA)/Serviços de Assistência Especializada (SAE), 26,9% SAE, 19,2% CTA, 3,8% Centro de Referência Estadual, 3,8% Ambulatório Prisional, 3,8% Unidade Saúde da Família (USF), 3,8% Hospital. A distribuição de serviços é heterogênea entre as macro e regiões de saúde. A macro Sul, tem a maior concentração de serviços e a menor está na macro Oeste. A região Norte Araguaia Karajá, macro Leste, não tem serviço de referência. 119 serviços ofertam teste rápido, 19 ofertam coleta de material carga viral, 13 ofertam coleta de genotipagem e 15 ofertam tratamento. A distribuição é heterogênea, não há coleta de carga viral na macro Oeste e em três regiões. Cinco regiões não oferecem tratamento. A incidência de casos e óbitos é desigual nos tipos de hepatites e macrorregiões. A hepatite A tem maior incidência na macro Centro Norte e de óbitos na macro Norte. A hepatite B tem maior incidência na macro Norte e de óbitos na macro Centro Norte. A hepatite C tem maior incidência e óbitos na macro Centro Norte. A hepatite D tem maior incidência na macro Centro Norte e de óbitos na macro Norte.

Conclusões / Considerações finais
Os resultados apresentam aspectos especialmente territorializadas que contribui para a avaliação e gestão em saúde, com indicação de locais prioritários para investimento em estratégias para atenção às hepatites virais. A distribuição dos serviços, por macrorregião e regiões de saúde, não garante o acesso universal e equitativo. É necessário um conjunto de arranjos institucionais, e no caso da gestão do estado estudado, é recomendável revistar a integração regional e articulações entre gestores para efetivar pacto pela saúde capaz de adequar a oferta de serviços à organização dos marcos da regionalização, na perspectiva de atenção às hepatites virais.

Referências
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Hepatitis B. Nota descriptiva No 204. Ginebra: OMS; 2014 Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hepatitis-b
Lemoine M, Nayagam S, Thursz M. Viral hepatitis in resource-limited countries and access to antiviral therapies: current and future challenges. Future Virol. 2013 Apr;8(4):371-380.
Kessner M, Kalk E, Singer J 1992. Evaluación de la calidad de la salud por el método de los procesos trazadores, p. 555-563. In KL White (ed.) - Investigaciones sobre Servicios de Salud: una Analogía. OPAS. Publicación Científica 534. Washington, D.C.

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