Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA66 - Eixo 8 - GESTÃO DO CUIDADO E DESIGUALDADES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (TODOS OS DIAS)

32690 - CONSTRUÇÃO E VALIDAÇÃO DE ESCALA DE VULNERABILIDADE FAMILIAR NA PERSPECTIVA DA GESTÃO DO CUIDADO NO TERRITÓRIO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA
EVELYN LIMA DE SOUZA - SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, ILANA ESHRIQUI OLIVEIRA - SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, DAIANA BONFIM - SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, ANA CAROLINA CINTRA NUNES MAFRA - SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, MÁRCIO ANDERSON CARDOZO PARESQUE - SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, FLÁVIO REBUSTINI - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO


Resumo
Introdução: Vulnerabilidade envolve fatores atuantes na capacidade de adoecimento, dificilmente mensurável por falta de instrumentos validados. A visão do território por estratos de vulnerabilidade contribui para gestão do cuidado com base populacional.
Objetivos: Buscar evidências de validade de conteúdo da escala de estratificação da vulnerabilidade familiar.
Métodos: Para desenvolvimento do rol de itens, realizou-se entrevista exploratória qualitativa com 123 entrevistados, profissionais de saúde de todo o Brasil, acerca dos fatores que podem desencadear a vulnerabilidade familiar. Aplicou-se análise de conteúdo para definição dos itens. Os itens foram encaminhados para 73 especialistas, selecionados pela técnica de bola de neve. Adotou-se o CVR (Content Validity Ratio, índice de validade de conteúdo) com ponto de corte estabelecido CVR > 0,12.
Resultados: Análise de conteúdo possibilitou versão inicial com 92 itens, encaminhada aos especialistas. A análise do CVR resultou na permanência de 38 itens, nos domínios de aspectos socioeconômicos, acesso a serviços, condição de saúde e estilo de vida.
Conclusões: Concluiu-se a etapa de validade de conteúdo com uma versão de 38 itens que entrará na fase de evidências de validade de estrutura interna. A escala possui potencial nos processos de territorialização, planejamento da oferta e assistência na Estratégia Saúde da Família.

Introdução
O conceito de vulnerabilidade representa uma síntese de múltiplos fatores envolvidos na capacidade de adoecimento, relacionado a todo e cada indivíduo que vive em certo conjunto de condições. Vulnerabilidade familiar em saúde é dificilmente mensurável, representando uma tentativa de traduzir o nível de vulnerabilidade social de uma família atrelado a sua necessidade em saúde, a depender da condição de saúde, situação do domicílio, dinâmica familiar e contexto comunitário e social (AYRES, 2009; AYRES et al., 2006).
A visão do território por estratos de vulnerabilidade é fundamental para a Atenção Primária à Saúde (APS) e Estratégia Saúde da Família (ESF), contribuindo para a qualificação da gestão do cuidado com base populacional. No entanto, dificuldades na mensuração pela ausência de instrumentos validados, limitam a identificação de famílias mais vulneráveis e que necessitam de maior cuidado.
Visto que a estratificação da vulnerabilidade familiar é um Macroprocesso Básico da APS, segundo a construção social da APS na metáfora da casa de Mendes et al. (2019), a equipe do projeto PlanificaSUS se debruça sobre o desenvolvimento de um instrumento para tal finalidade.

Objetivos
O presente trabalho tem como objetivo buscar evidências de validade de conteúdo da escala de estratificação da vulnerabilidade familiar, que servirá de instrumento para a gestão do cuidado em saúde no território da ESF.

Metodologia
Na fase exploratória, 123 profissionais de saúde de todo o Brasil responderam a questões abertas sobre o conceito de vulnerabilidade e aplicabilidade da escala, e questão múltipla-escolha sobre 46 itens (com base nas fichas de cadastro individual e domiciliar do e-SUS APS) para mensuração da vulnerabilidade familiar. As respostas foram submetidas à técnica de Análise de Conteúdo, categorizadas em domínios e conjunto de fatores permitindo a elaboração da primeira versão, enviada para 73 especialistas (profissionais de saúde, acadêmicos e psicometristas) que julgaram os itens segundo relevância, pertinência, semântica e clareza. O convite foi por questionário online RedCap® (HARRIS et al., 2009) em método de bola de neve. O índice de validade de conteúdo foi calculado a partir do CVR (Content Validty Ratio) e ponto de corte CVR>0,12 aplicado para definir itens mantidos (AYRE et al., 2014). O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 3.674.106).

Resultados e Discussão
A entrevista exploratória qualitativa foi composta por profissionais de saúde das cinco regiões brasileiras. A análise de conteúdo das questões abertas permitiu analisar que dentre os 41 aspectos relacionados ao conceito de vulnerabilidade familiar, os que compreendiam fatores de renda, escolaridade e condições de moradia foram os mais citados. Os itens da questão de múltipla-escolha mais assinalados para mensuração da vulnerabilidade familiar foram: situação de moradia (97%), renda familiar (91%) e abastecimento de água (85%). A análise de conteúdo resultou na redação da primeira versão da escala de estratificação da vulnerabilidade familiar com 92 itens, avaliada pelo painel de especialistas. Na etapa de validade de conteúdo, o CVR permitiu a manutenção de 38 itens que contemplam os domínios de aspectos socioeconômicos, acesso a serviços de saúde, condição de saúde e estilo de vida. Essa versão da escala será considerada na fase de evidências de validade de estrutura interna. Espera-se que ao final do processo de validação, o instrumento possa auxiliar na mensuração dos estratos de vulnerabilidade familiar e organização do processo de territorialização no âmbito da ESF.

Conclusões / Considerações finais
Considerando que as equipes da ESF carecem de instrumentos validados para medir o fenômeno da vulnerabilidade familiar em seu território, espera-se que a escala em desenvolvimento responda às necessidades para a gestão do cuidado com base populacional. Profissionais de saúde das cinco regiões brasileiras contribuíram com a elaboração da escala de vulnerabilidade familiar desenvolvida pela equipe do PlanificaSUS. Assim, este instrumento apresenta potencial para auxiliar as equipes de Saúde da Família em âmbito nacional nos processos de territorialização, planejamento da oferta e assistência em saúde e gestão do cuidado da população cadastrada. A etapa subsequente superada a validade de conteúdo diz respeito a assegurar que o instrumento efetivamente mensura a variável latente por meio da validade de estrutura interna. Ao final do processo, espera-se a validação inédita de uma escala de estratificação da vulnerabilidade familiar na ESF.

Referências
AYRES, J. R. C. M.; et al. Vulnerability, human rights, and comprehensive health care needs of young people living with hiv/aids. Am J Public Health. 2006; 96:1001-6.

AYRES, J. R. C. M. O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: novas perspectivas e desafios. In: CZERESNIA D.; FREITAS C. M.. Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2009. P. 117-139.

MENDES, E. V.; et al. A construção social da Atenção Primária à Saúde. 2. Ed. Brasília, DF: Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS, 2019. 192 p.: il.

HARRIS, P. A.; et al. Research electronic data capture (REDCap)—A metadata-driven methodology and workflow process for providing translational research informatics support. J Biomed Inform. 2009;42(2):377-81.

AYRE, C.; SCALLY, A. J. Critical values for lawshe’s content validity ratio: revisiting the original methods of calculation. Meas Eval Couns Dev. 2014; 47(1): 79-86.

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